Imprensa
CRÉDITO

Senado aprova recriação do Pronampe e matéria vai à sanção presidencial

Projeto torna o programa uma linha permanente de crédito do governo, para além da pandemia; verba, no entanto, gerou impasse: senadora pede R$ 10 bilhões à nova rodada, mas Economia quer apenas R$ 5 bi

12 de maio de 2021 às 09:35

Foto: Reprodução

O Senado aprovou uma nova rodada do programa de crédito a micro e pequenas empresas, o Pronampe. O texto segue agora para sanção do presidente Jair Bolsonaro. Apesar do sinal verde do Congresso, a divergência em torno do valor a ser aportado para dar garantia às novas operações ainda é um impasse central para o relançamento da medida.

A senadora Kátia Abreu (PP-TO), relatora do projeto, fez um apelo durante a sessão do Senado para que o governo destine R$ 10 bilhões à nova rodada do Pronampe, embora a equipe econômica queira destinar metade disso, R$ 5 bilhões.

O projeto, de autoria do senador Jorginho Mello (PL-SC), torna o programa uma política oficial permanente de crédito do governo, para além da pandemia da covid-19. Pelo desenho que vigorou até o fim do ano passado, o custo do financiamento para o tomador era de 1,25% mais a taxa básica de juros, a Selic. Agora, o texto prevê cobrança de Selic mais 6%.

O aumento dos juros foi colocado para atrair bancos à nova rodada, uma vez que o porcentual da carteira que será garantido pelo fundo público em caso de inadimplência será menor. Como isso eleva o risco para a instituição financeira, a remuneração precisa ser maior.

O juro maior já foi aprovado pelos parlamentares, mas há insistência no volume maior de recursos. Cabe ao governo abrir o crédito extraordinário que liberará o dinheiro. O Ministério da Economia autorizou a liberação de R$ 5 bilhões, mas lideranças do Congresso e empresas querem o dobro.

“Eu pretendo e peço ajuda ao líder do governo no Senado, ao presidente Rodrigo Pacheco (DEM-MG)”, disse a senadora Kátia Abreu durante a sessão. “Esses R$ 5 bilhões não dão nem para começo de conversa”, afirmou.

Volume

Segundo a relatora, caso seja mantida a média de crédito de R$ 72 mil contratado pelas empresas, como em 2020, apenas 69 mil companhias terão acesso a novos financiamentos este ano. Ela observou ainda que R$ 1 bilhão do total previsto deve, pela lei, ser destinado a empresas de setor de eventos e turismo. Esse ponto foi negociado com aval do presidente Jair Bolsonaro.

Para defender a ampliação dos recursos, a relator mencionou que o número total de empresas é bem maior. “Temos 247.230 empresas que são de eventos. Se somar de economia criativa, 1,5 milhão. Há 300 mil bares e restaurantes”, citou. “Quero pedir atenção de todos ao volume de recursos que o governo deverá disponibilizar nessa nova etapa.”

Kátia Abreu fez questão de destacar que a ampliação dos recursos pela equipe econômica não representaria nenhum risco de crime de responsabilidade de Bolsonaro ou do ministro da Economia, Paulo Guedes. Ela lembrou que o crédito extraordinário não fere o teto de gastos, regra que limita o avanço das despesas à inflação.

Uma mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) também retirou o gasto com o Pronampe da contabilidade da meta fiscal, que permite déficit de até R$ 247,1 bilhões. Na prática, o governo pode fazer o rombo maior sem ser punido, caso o gasto extra seja voltado às medidas excepcionalizadas. Além do Pronampe, estão fora da meta e do teto o auxílio emergencial a vulneráveis e os gastos com o benefício emergencial (BEm), pago a trabalhadores que fazem acordos para reduzir jornada e salário ou suspender contrato.

Cautela

O assessor especial do Ministério da Economia Guilherme Afif disse ao Estadão/Broadcast que não é recomendado injetar agora mais que R$ 5 bilhões na nova rodada do programa, mas deixou a porta aberta para uma reavaliação do valor, caso a demanda se mostre muito acima da inicialmente esperada. Para a equipe econômica, a aceleração da vacinação contra covid-19 pode impulsionar a economia e ir reduzindo a dependência das empresas em relação a essas medidas de socorro.

Segundo Afif, o próximo passo é a regulamentação da linha de financiamento, o que passará por uma negociação entre o Fundo de Garantia de Operações (FGO), administrado pelo Banco do Brasil, e as instituições financeiras que operam o programa na ponta. Para “multiplicar” os R$ 5 bilhões que a equipe econômica pretende aportar no programa, é preciso reduzir o porcentual da carteira que tem a garantia do fundo em caso de inadimplência.

Afif reconheceu, porém, que a situação bancária hoje é “um tanto complexa”. “Há um receio de inadimplência. E não temos panorama de como foi o Pronampe de 2020, pois a cobrança das parcelas foi prorrogada por 90 dias”, explicou. A expectativa é que as negociações continuem nos próximos dias.

Fonte: Estadão

Últimas Notícias

CMEC defende no BRICS maior participação de mulheres nas decisões sobre IA CMEC defende no BRICS maior participação de mulheres nas decisões sobre IA
LIDERANÇA FEMININA 11 de setembro de 2026 às 17:21

CMEC defende no BRICS maior participação de mulheres nas decisões sobre IA

Especialistas alertam sobre impacto do split payment nos negócios Especialistas alertam sobre impacto do split payment nos negócios
REFORMA TRIBUTÁRIA 10 de setembro de 2026 às 17:09

Especialistas alertam sobre impacto do split payment nos negócios

Estadão, Folha, O Globo, CBN, Valor: Manifesto da CACB sobre o STF ganha espaço na imprensa nacional Estadão, Folha, O Globo, CBN, Valor: Manifesto da CACB sobre o STF ganha espaço na imprensa nacional
NA MÍDIA 9 de setembro de 2026 às 17:22

Estadão, Folha, O Globo, CBN, Valor: Manifesto da CACB sobre o STF ganha espaço na imprensa nacional

Entidades empresariais cobram ética e apuração de crise no STF Entidades empresariais cobram ética e apuração de crise no STF
NOTA PÚBLICA 9 de setembro de 2026 às 14:03

Entidades empresariais cobram ética e apuração de crise no STF

CACB, ACSP e Fin reúnem especialistas para debater impactos do split payment CACB, ACSP e Fin reúnem especialistas para debater impactos do split payment
AVISO DE PAUTA 9 de setembro de 2026 às 11:57

CACB, ACSP e Fin reúnem especialistas para debater impactos do split payment

Senado adia votação da PEC 6×1 para depois das eleições Senado adia votação da PEC 6×1 para depois das eleições
VITÓRIA DO ASSOCIATIVISMO 3 de setembro de 2026 às 18:50

Senado adia votação da PEC 6×1 para depois das eleições

Soluções dedicadas ao empresário brasileiro.

Todos serviços

Conhecimento e informação nos conectam

Compartilhamos conteúdo do seu interesse

  •  

Eventos

Ver todos

Agenda dos Eventos Empresarias

Participe dos eventos organizados por entidades que apoiam os empresários do Brasil.

Busca

Fechar

Categorias de Serviços

Fechar

Categorias de Vídeos

Fechar

Entidades

Fechar
Logomarca Hotpixel