
A maior participação de mulheres em ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, na sigla em inglês) foi um dos pontos defendidos por Ana Claudia Badra Cotait, presidente do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), durante sua participação no BRICS WBA Women-Led Development Summit 2026, evento que ocorre de 8 a 12 de setembro, em Nova Délhi, na Índia.
“Talento feminino existe. O que precisamos é ampliar as oportunidades para que as mulheres cresçam no setor de tecnologias. Para isso, é necessário mais mulheres cientistas, engenheiras, pesquisadoras, empreendedoras e líderes participando das decisões sobre como a inteligência artificial será desenvolvida e utilizada”, afirmou Ana Claudia durante o painel “Advancing Women in STEM, Digital Technologies and Innovation: From Classroom to Frontier”, realizado na última quarta-feira (09/09).
A presidente do CMEC considera um erro falar em inteligência artificial inclusiva sem garantir a participação das mulheres na construção dessa tecnologia. E para que o tema evolua, a cooperação entre os países do BRICS pode contribuir, diz. O grupo reúne nações com diferenças culturais, sociais e econômicas importantes e, justamente por isso, pode servir como espaço para a troca de experiências e construção de boas práticas.
“Quando compartilhamos experiências e respeitamos as diferenças culturais, regionais e sociais, podemos construir soluções mais adequadas às diferentes realidades dos países”, declarou a presidente do CMEC.
Avanços pedem combate a vieses
Ana Claudia ressaltou que, se a IA aprende com dados e eles estiverem carregados de desigualdades históricas, culturais ou de gênero, existe o risco de a tecnologia simplesmente replicar esses padrões em escala ainda maior.
A IA inclusiva requer dados mais representativos da diversidade nas sociedades e nas equipes de desenvolvimento, transparência nos algoritmos, avaliação contínua dos sistemas e mecanismos de governança capazes de identificar e corrigir possíveis vieses.
“A tecnologia não deve apenas reproduzir o mundo que temos. Ela deve nos ajudar a construir o mundo que queremos. Um futuro só será verdadeiramente inovador se considerar a diversidade cultural, regional e de gênero que existe dentro de nossos países e entre nossas nações”, defendeu.
Para que isso aconteça, torna-se necessário criar caminhos para que as mulheres cheguem à liderança, ao investimento e ao mercado. Nesse processo, governos, empresas e universidades dividem responsabilidades, desde a criação de políticas de incentivo e a abertura de portas para contratação, inovação e investimento até a aproximação entre conhecimento e empreendedorismo.
Experiência brasileira é apresentada na Índia
No Brasil, a experiência do CMEC mostra, segundo Ana Claudia, que ampliar oportunidades é possível. Para embasar sua fala, apresentou para o público do Summit o UpStarts, concurso de startups para mulheres do CMEC Nacional, que teve mais de 1.200 mulheres inscritas em 2026.
“Precisamos abrir mais portas e, depois que elas entrarem, garantir que possam chegar ao topo. O UpStarts mostrou que elas estão prontas. Agora, precisamos garantir que o ecossistema também esteja.”
O exemplo brasileiro de certo modo se conecta ao desafio que foi proposto às debatedoras durante o painel: imaginar uma jovem de 16 anos sentada na plateia, apaixonada por ciência, mas sem ter certeza se pertence ao universo da liderança em STEM. A tarefa seria dizer algo em 30 segundos para apoiar sua decisão.
Ana Claudia aproveitou o momento para falar sobre as barreiras culturais e sociais que ainda afastam meninas das áreas de ciência e tecnologia. “Acredite que este lugar também é seu. Estude, questione, tenha coragem de ocupar espaços e não espere ser convidada para liderar.”
A coragem também foi apontada por Ana Claudia como um elemento de transformação para a participação das mulheres no setor de tecnologia.
“O holofote precisa estar onde existe coragem, conhecimento e capacidade de transformar. O nosso papel aqui é abrir caminhos para que essas mulheres não sejam apenas participantes, mas protagonistas e líderes da transformação. Quando uma mulher avança, ela não ocupa apenas um espaço, mas abre caminho para muitas outras”, concluiu.
Fonte: Diário do Comércio.