
A Rede Catarinense de Compliance, formada pela Facisc, Acats, Aemflo, Acif, Ciee, CRA-SC, CRC-SC, Iasc e IBDEE, realizou na terça-feira (13) o Compliance Day. Mais de 120 pessoas discutiram o tema que faz parte da estratégia da Rede para fortalecer a cultura de compliance a nível estadual, por meio da troca de informações e boas práticas entre instituições e empresas catarinenses, reunindo especialistas, profissionais e estudiosos, contribuindo para a construção de conhecimento e padrões de ética e integridade em âmbito associativista e empresarial.
O presidente da Facisc, Jonny Zulauf, participou do evento e ressaltou como diferencial o compliance para a sociedade e empresas. “É uma satisfação reunir entidades parceiras e trazer a temática do compliance para o debate em nossa casa, pois acreditamos que é importante incentivar e disseminar conceitos e práticas não somente para as empresas, mas para toda a sociedade. Pois a mudança que desejamos é um processo de construção diário”.
Rodrigo de Bona da Silva, auditor Federal de Finanças e Controle da Controladoria-Geral da União e coordenador do Núcleo de Ações de Ouvidoria e Prevenção à Corrupção da CGU em Santa Catarina, que foi o primeiro palestrante, estima que o custo da corrupção no Brasil é de cerca de 5% do PIB. Os últimos dados foram atualizados em 2008, pela Fiesp, e estimavam cerca de 2%. “Com a Lava Jato este percentual hoje deve ter, no mínimo, dobrado”, explicou.
“O Brasil está acordando para a cultura do compliance. O que era considerado “bom”, já não é tão “bom” assim e com isso a cultura da corrupção e o famoso jeitinho brasileiro estão deixando de ser aceitos”, completou o auditor.
Abordando a integridade e o compliance para as MPEs, o auditor destacou que a construção da cultura do compliance acontece em um momento que tem obrigado as organizações a implementarem novos modelos de gestão. “Com a criação de leis mais rígidas anticorrupção e a própria preocupação com a imagem e a reputação institucionais, as empresas têm se preocupado mais com a ética nas suas ações. No entanto, de nada adianta criar regras e códigos de conduta sem o desenvolvimento de uma verdadeira cultura de compliance. Ou seja, cumprir as normas e procedimentos determinados”, ressaltou.
Os instrumentos de integridade e governança – vantagens e desafios contemporâneos – foram os temas da palestra do advogado especializado em Direito Público, membro do Comitê de Medidas Disciplinares e consultor da Presidência da Petrobras, Marcelo Zenkner. “O sistema de compliance tem como objetivo evitar que ocorra o ilícito. Já a integridade é fazer com que se reúnam pessoas íntegras em prol do sistema”, abordou. Ele também destacou que empresas que são consideradas mais éticas superaram a média de capitalização em mais de 10% em relação a outras que não são. “O compliance faz parte do Sistema de Integridade Empresarial, junto com outros valores, como reputação, legalidade competitiva, Competitive action, meritocracia e sustentabilidade social”, destacou.
Outro tema discutido no Compliance Day foi o compliance na administração pública – a experiência iniciada em SC, com a secretária de Estado de Integridade e Governança no Governo do Estado de Santa Catarina, Naiara Czarnobai Augusto. Ela explicou técnicas utilizadas, sobre a importância da participação de todos os colaboradores nos treinamentos, e da mudança de princípios. “São sementes que temos que plantar agora para colhermos no futuro”, destacou.
Fonte: Facisc