
De acordo com dados da plataforma Gasto Brasil, a despesa pública primária dos estados da Região Norte chegou a R$ 88,6 bilhões, entre 1º de janeiro e 28 de julho de 2026. Criada em 2025 pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a ferramenta reúne informações online (da União, Distrito Federal, estados e municípios) sobre despesas com pessoal, previdência, encargos sociais e investimentos, incluindo obras, aquisição de imóveis e outros gastos públicos.
No Acre, com uma população de 830 mil habitantes, a despesa pública primária estadual foi de mais de R$ 7,8 bilhões no período avaliado, o que representou um gasto de R$ 9,2 mil por pessoa. O valor da despesa foi equivalente a 29% do Produto Interno Bruto (PIB) local do ano de 2025, que fechou em R$ 26,2 bilhões.
A avaliação do período aponta que a despesa pública primária do Amapá, com 733,7 mil habitantes, foi de R$ 5,7 bilhões, projetando gasto per capita no valor de R$ 7,5 mil. O montante significou cerca de 20% do PIB do estado em 2025, quando totalizou R$ 28 bilhões.
Indo ao Amazonas, o levantamento mostra que o Gasto Brasil atingiu o patamar de R$ 17,1 bilhões. Considerando uma população de 3,9 milhões de habitantes no estado, o valor total foi equivalente a um gasto de R$ 4,2 mil por pessoa, no período. A avaliação mostrou que a despesa pública primária estadual representou 10,5% do PIB do Amazonas no ano passado (R$ 161,7 bilhões).
Já no Pará, foram registrados R$ 31,3 bilhões em despesas públicas. O montante representou um gasto per capita de R$ 3,7 mil no estado, que conta com uma população de 8,1 milhões de habitantes. A relação com o PIB local, de R$ 254,5 bilhões em 2025, revela que o gasto parcial deste ano correspondeu a cerca de 12% na data do levantamento.
Em Rondônia, os números apontaram um total de R$ 10,6 bilhões em despesas públicas primárias neste ano. Com uma população de mais de 1,5 milhão de habitantes, os dados revelam um gasto de R$ 6,5 mil por pessoa. Quanto ao PIB do estado, que em 2025 atingiu R$ 76,4 bilhões, o gasto público parcial deste ano correspondeu a aproximadamente 14%.
Roraima, com 636,7 mil habitantes, registrou R$ 5,1 bilhões em despesas públicas, perfazendo um total de R$ 7,9 mil de gasto per capita. O levantamento revelou que o consumo de recursos públicos na data do levantamento já equivalia a 20% do PIB estadual (R$ 25,1 bilhões) no ano passado.
Por fim, Tocantins registrou despesas públicas primárias da ordem de R$ 11 bilhões, de acordo com o levantamento parcial de 2026, o que significou R$ 7,1 mil por pessoa, considerando uma população de 1,5 milhão de habitantes. Também já representou 17% do PIB local, que, em 2025, fechou em R$ 64,3 bilhões.
Em âmbito nacional (União, DF, estados e municípios), a despesa governamental atingiu a marca de R$ 3,2 trilhões. Desde o início de 2026, o governo federal respondeu por mais de R$ 1,49 trilhão (46% do total) do gasto público. Do restante, os estados consumiram R$ 867,9 bilhões e os municípios, R$ 851 bilhões.
Outro dado importante é que, na comparação com informações do Impostômetro (nacional), apurados no mesmo dia, a despesa pública supera em cerca de R$ 900 bilhões o valor total da arrecadação de impostos no país (R$ 2,3 trilhões).
Lançamento na Câmara
Para ampliar a divulgação dos dados sobre despesas públicas, a CACB e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) farão o lançamento do “Painel Gasto Brasil” na Câmara dos Deputados, no dia 11 de agosto.
Na ocasião, serão lançadas novas funcionalidades na plataforma para aumentar ainda mais o nível de transparência de dados para a população, com recortes econômicos, valores mais detalhados por população, índice de qualidade da informação e outros dados relevantes.
A solenidade será às 15h30, no Salão Nobre da Câmara, com as presenças dos presidentes da CACB, Alfredo Cotait Neto, e da CNA, João Martins. Também haverá a exposição do “Painel Gasto Brasil”, que ficará até o dia 13 de agosto no Espaço Mário Covas.
Transparência e eficiência
Para o presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Pará (Faciapa), Leonardo Pinheiro, a plataforma representa um importante avanço ao ampliar a transparência sobre a aplicação dos recursos públicos. “O Brasil não precisa apenas saber quanto o governo gasta. Precisamos saber como esse dinheiro é gasto, onde os recursos são aplicados, quais são os gastos realizados e, principalmente, quais resultados eles geram”, afirmou.
De acordo com Pinheiro, a ferramenta é essencial para o planejamento e a avaliação de políticas públicas. “Essa plataforma permite fazer planejamento de longo prazo, ter eficácia nas definições de gasto e prioridades nacionais, estaduais e municipais, em vários âmbitos, como educação, saúde, infraestrutura e segurança”, afirmou.
Além disso, Leonardo Pinheiro destacou que o acesso facilitado às informações permite que a sociedade acompanhe e compreenda melhor a utilização do dinheiro público, fortalecendo o controle social e a responsabilidade na gestão dos recursos.
Já a presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Rondônia (Facer), Kelly Naahmara, defendeu que uma política de gastos públicos mais eficiente deve estar fundamentada em planejamento, gestão de resultados e a transparência. “O cidadão precisa saber como os recursos arrecadados são aplicados, e os gestores públicos devem contar com mecanismos que permitam a avaliação dessas despesas”, diz a presidente.
A dirigente ressaltou a importância de ampliar o controle social, facilitar o acesso às informações e fortalecer a cultura de responsabilidade fiscal. Na avaliação dela, cada recurso investido deve gerar benefícios concretos para a população e contribuir para o desenvolvimento do país.
Ao comentar a criação da plataforma Gasto Brasil, a presidente da Facer classificou a iniciativa como “extremamente importante e relevante”. Kelly Naahmara destacou, ainda, que a plataforma estimula a prestação de contas, fortalece a gestão dos recursos públicos e contribui para um ambiente de maior confiança entre a sociedade e o poder público.
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