Imprensa

Por que as empresas devem investir em práticas de bem-estar?

Usado para atrair e manter os talentos, o employee value proposition, o famoso EVP, é uma excelente estratégia para as empresas se tornarem relevantes e atraentes para o merca­do

24 de julho de 2019 às 18:02

Veronika Falconer, diretora de recursos humanos da Takeda: as boas práticas de gestão levam os funcionários a fazer propaganda da empresa (Leandro Fonseca/VOCÊ RH).

O conceito, basicamente, representa tudo que uma companhia tem a oferecer aos empregados e é formado por cinco pilares: recompensas (salário, benefícios e reconhecimento); oportunidades (carreira e desenvolvimento); pessoas (chefes e colegas); trabalho (o que se produz e o alinhamento disso aos valores pessoais); e a organização em si (em termos de marca e ética corporativa).

Se for bem desenvolvido, o EVP gera ganhos interessantíssimos para o negócio, como aumento de 75% na competitividade e de 35% no engajamento, segundo dados da consultoria Gartner. Não à toa, o tema está cada vez mais na agenda do RH, que percebe que é necessário ter estratégias parrudas de EVP.

Tanto que uma pesquisa da iCMS, empresa americana de atração de candidatos, mostra que 86% dos profissionais de gestão de pessoas acreditam que o recrutamento esteja cada vez mais parecido com o marketing.

Mas é preciso seguir o alerta de Diogo Forghieri, diretor de operações da consultoria Randstad Sourceright: “Não vale tudo para aumentar a propaganda. É preciso sinceridade e pé no chão. Lembrar sempre que a reputação da empresa conta muito para que novos talentos cheguem à marca”.

Esse desafio, que já é complexo para a maior parte das empresas, torna-se ainda maior em companhias que não têm marcas conhecidas ou atuam em nichos de mercado (e são desconhecidos do público geral).

Nesses casos, é necessário desenvolver estratégias específicas para fazer com que os profissionais conheçam a companhia e entendam o que ela tem de bom para oferecer. A seguir, duas organizações compartilham suas boas práticas.

Porta-vozes internos

A Takeda está por trás de medicamentos famosos, como Neosaldina e Eparema, mas sua marca centenária não é tão popular entre o grande público. E, para se tornar mais conhecida, a companhia aposta que a felicidade dos funcionários é a melhor propaganda — tanto que, desde 2012, fortalece as práticas que tratam do bem-estar dos profissionais.

“Um ambiente com valores e benefícios muito bem estruturados e uma marca com reputação e possibilidades de crescimento levam os empregados a se sentirem parte de algo importante.

Vivenciando isso, eles acabam levando para fora da empresa o que acontece aqui, e essa propaganda chega até os novos talentos. Eles são nossos principais e melhores porta-vozes”, diz Veronika Falconer, diretora de recursos humanos.

Short Friday, home office, day off de aniversário, horário flexível, licença-maternidade de seis meses e licença-paternidade de 20 dias, academia, orientação financeira e nutricionista são alguns dos benefícios que os funcionários da Takeda possuem.

“Cada setor tem um guardião do clima, um trabalhador que vem falar com a gente sempre o que está legal ou o que poderia melhorar. Percebemos que cada pessoa tem uma necessidade, então nossos benefícios são moldáveis para todos os estilos.

Sempre estamos de portas abertas para conversar e entender”, diz Veronika. Ela conta que, em uma dessas conversas, perceberam que os recém-contratados gostariam de ser mais bem recebidos. “Mudamos nossas ações de recepção.

A pessoa chega e já tem todo o material que precisa, é acolhida e conhece todos os processos da empresa.” Investindo em ações desse tipo, o LinkedIn­ da Takeda cresceu.

Antigamente, eram cerca de 6 000 candidaturas. Hoje são mais de 20 000, e o ­Brasil se tornou o país que mais tem interações (entre aplicações a vagas e interações nas postagens) nessa rede social.

Criatividade para atrair

Em pleno crescimento, a CI&T, multinacional brasileira de soluções digitais, tinha dificuldade em ampliar suas vagas. Eles queriam atrair candidatos que estivessem alinhados aos valores da empresa, mas a marca não era conhecida pelos profissionais especializados.

A solução foi reformular totalmente as estratégias de contratação. A partir de 2013, a companhia criou um processo em que os profissionais não passariam simplesmente por entrevistas, e sim conheceriam a realidade do trabalho.

Para isso, o hackathon se tornou o modelo padrão de recrutamento. “Fazendo parte dos desafios, os candidatos interagem com a marca, enxergam como é trabalhar na empresa e quais valores estamos buscando”, diz Carla Borges, diretora de RH da CI&T.

Durante as maratonas, os aspirantes às posições têm também a oportunidade de trocar experiências e aprendizados com os outros participantes e com funcionários da CI&T.

“Nós conseguimos conhecer as habilidades deles na prática e escolher quais se encaixam melhor em nossas necessidades”, afirma Carla.

Testando as habilidades e os valores pessoais em tempo real, a companhia consegue até criar oportunidades específicas de acordo com o potencial de um candidato ou realocar um profissional de uma vaga X para uma posição Y.

Com a estratégia, o tempo de contratação caiu de dez dias para um dia, já que muitos já saem dos eventos como futuros empregados da CI&T.

A estratégia está dando tão certo que, se no primeiro ano a companhia teve 600 aplicações para os hackathons, hoje já são mais de 5 000 — e os eventos se tornaram uma marca registrada da multinacional.

“Ficou muito mais fácil e rápido contratar os profissionais, que já sabem como a empresa funciona e o que procura nos funcionários. Agora eles mesmos nos procuram”, diz Carla.

 

Fonte: Revista Exame

Últimas Notícias

CMEC defende no BRICS maior participação de mulheres nas decisões sobre IA CMEC defende no BRICS maior participação de mulheres nas decisões sobre IA
LIDERANÇA FEMININA 11 de setembro de 2026 às 17:21

CMEC defende no BRICS maior participação de mulheres nas decisões sobre IA

Especialistas alertam sobre impacto do split payment nos negócios Especialistas alertam sobre impacto do split payment nos negócios
REFORMA TRIBUTÁRIA 10 de setembro de 2026 às 17:09

Especialistas alertam sobre impacto do split payment nos negócios

Estadão, Folha, O Globo, CBN, Valor: Manifesto da CACB sobre o STF ganha espaço na imprensa nacional Estadão, Folha, O Globo, CBN, Valor: Manifesto da CACB sobre o STF ganha espaço na imprensa nacional
NA MÍDIA 9 de setembro de 2026 às 17:22

Estadão, Folha, O Globo, CBN, Valor: Manifesto da CACB sobre o STF ganha espaço na imprensa nacional

Entidades empresariais cobram ética e apuração de crise no STF Entidades empresariais cobram ética e apuração de crise no STF
NOTA PÚBLICA 9 de setembro de 2026 às 14:03

Entidades empresariais cobram ética e apuração de crise no STF

CACB, ACSP e Fin reúnem especialistas para debater impactos do split payment CACB, ACSP e Fin reúnem especialistas para debater impactos do split payment
AVISO DE PAUTA 9 de setembro de 2026 às 11:57

CACB, ACSP e Fin reúnem especialistas para debater impactos do split payment

Senado adia votação da PEC 6×1 para depois das eleições Senado adia votação da PEC 6×1 para depois das eleições
VITÓRIA DO ASSOCIATIVISMO 3 de setembro de 2026 às 18:50

Senado adia votação da PEC 6×1 para depois das eleições

Soluções dedicadas ao empresário brasileiro.

Todos serviços

Conhecimento e informação nos conectam

Compartilhamos conteúdo do seu interesse

  •  

Eventos

Ver todos

Agenda dos Eventos Empresarias

Participe dos eventos organizados por entidades que apoiam os empresários do Brasil.

Busca

Fechar

Categorias de Serviços

Fechar

Categorias de Vídeos

Fechar

Entidades

Fechar
Logomarca Hotpixel