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Piora na pandemia tira fôlego do setor de serviços

Atividades ligadas a serviços são as mais prejudicadas pela necessidade de isolamento social

21 de janeiro de 2021 - 09:34

Foto: iStock

O aumento nos novos casos de Covid-19 e a presença de uma nova e mais contagiosa variante do vírus no Brasil devem impactar a retomada do setor de serviços, que responde por cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Segundo analistas do mercado, o início da vacinação no Brasil nesta semana não muda as perspectivas negativas para o setor e há o receio de que neste ano a pandemia seja pior do que em 2020.

Segundo o presidente do Instituto do Butantan, Dimas Covas, o quadro pode piorar caso não sejam empregadas medidas para reduzir os casos e aumente a compra de vacinas o quanto antes. Em live da XP, Covas também disse ver como inevitável a mudança para a bandeira vermelha em São Paulo, que tem medidas mais drásticas de isolamento social.

“O mercado ajustou a conta. Estamos em compasso de espera. Retomada do varejo não vai acontecer agora e a Bolsa ainda não reflete a alta nos casos”, diz Fabio Galdino, sócio da Vero Investimentos. “As pessoas evitaram fazer consumo e prestação de serviços que possam ter contaminação, e agora essa piora dos casos deve impactar os segmentos que mostraram dificuldade para voltarem ao patamar anterior”, afirma Rodolpho Tobler, professor da FGV.

Além disso, o fim do auxílio emergencial deve deixar ao menos 40 milhões de pessoas desamparadas. Segundo a Caixa Econômica, 67,9 milhões de pessoas receberam o benefício em 2020 — dessas, 19,2 milhões estão inscritos no Bolsa Família. “A indústria vem no seu ritmo de recuperação forte, o agronegócio tem vida própria, mas serviços depende muito da redução do isolamento social. E agora estamos vendo em alguns lugares uma certa retomada em medidas de isolamento”, diz Écio Costa, professor da UFPE.

Ele classifica a perspectiva para a economia no segundo trimestre como preocupante, especialmente sem vacinação massiva como contraponto à retirada do auxílio e estímulos econômicos no Brasil. De acordo com o IBGE, o setor de serviços cresceu 2,6% em novembro, a sexta alta seguida, mas ainda insuficiente para cobrir as perdas da pandemia. Atividades ligadas a serviços são as mais afetadas pelas medidas de isolamento social. O volume de vendas do setor ainda está 3,2% abaixo do registrado em fevereiro, antes da chegada da Covid-19 ao Brasil.

Os mais afetados são serviços prestados às famílias e atividades turísticas, alojamento, alimentação fora de casa, serviços pessoais e transportes aéreos. O segmento de serviços administrativos está 13,5% distante do pré-pandemia. “Já esperávamos um recrudescimento da pandemia nesta virada de ano, especialmente pelas festas. A nova linhagem deixa a situação mais preocupante e é algo que pode afetar nossa retomada”, diz João Leal, economista da Rio Bravo Investimentos.

Em dezembro, o setor de serviços teve aceleração do crescimento e melhora da confiança, diante da perspectiva de vacinas contra a Covid-19, segundo dados do PMI (Índice de Gerentes de Compras, na sigla em inglês) divulgados no dia 6 pelo IHS Markit. O PMI encerrou 2020 a 51,1 pontos, de 50,9 em novembro –a marca de 50 separa crescimento de contração. O número de empregos caiu no setor naquele mês, depois de aumentar em novembro pela primeira vez em nove meses. Os entrevistados citaram esforços para reduzir gastos e aumento nos casos de Covid-19. “Embora os dados deem alguma garantia bem-vinda de que a economia de serviços continua a mostrar resiliência na pandemia, a sustentabilidade da recuperação fica em dúvida quando se olha para os dados de emprego”, afirma Pollyanna De Lima, diretora econômica da IHS Markit.

Fonte: Jornal do Comércio

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