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Pequenos empresários ainda engatinham no comércio exterior

21 de junho de 2016 - 11:04
Peças de algodão pima e lã de alpaca no evento Perú Moda, na capital peruana Lima - Divulgação

Peças de algodão pima e lã de alpaca no evento Perú Moda, na capital peruana Lima – Divulgação

Das 23.146 empresas brasileiras que exportaram no ano passado, 47% são micro e pequenas. Esse número avança aos poucos, segundo especialistas em comércio exterior, porque empreendedores interessados em fazer negócios em outros mercados ainda comentem equívocos considerados básicos.

São falhas que vão desde desinformação e ausência de planejamento estratégico até manter o site sem falar literalmente a língua do cliente ou vender um produto com a embalagem inadequada.

“Se a meta é fornecer na América Latina, o site precisa ter, no mínimo, uma versão em espanhol. Não precisa pagar caro pelo serviço. A contratação de um estagiário que possa crescer junto com a empresa já pode ser uma saída”, diz Adriana Rodrigues, coordenadora de competitividade da Apex- Brasil.

A empresa que quer se internacionalizar tem de conhecer o gosto do consumidor de lá e o segmento em que pretende atuar.

“Pesquisar o mercado, entender o consumidor é fundamental. Não é porque aqui o produto deu certo que lá fora também vai dar. E não adianta ter um produto bom e errar no tamanho da embalagem”, diz Heloísa Menezes, diretora-técnica do Sebrae Nacional. Em muitos países europeus a preferência é por embalagens individuais, mais econômicas ao contrário dos EUA, com seus combos.

Mas não só isso. Tem ainda de ter conhecimento da legislação, de políticas tarifárias impostas para proteger determinados setores do país e barreiras técnicas e sociais (como uso de trabalho infantil ou degradante na produção).

O não cumprimento de exigências fitossanitárias pode inviabilizar a importação do “made in Brazil”. Caso de segmentos como alimentos ou químico –o uso de um determinado componente (como verniz, que em alguns países é vetado) pode impedir o negócio.

Uma das saídas para quem quer começar a exportar ou até mesmo importar matéria-prima é fazer o procedimento de forma indireta —ou seja, com ajuda de tradings e agentes aduaneiros que atuam no comércio exterior.

Isso pode baratear o custo de manter um funcionário ou uma equipe somente para cuidar desse setor e de toda a burocracia ainda exigida, além de auxiliar o empreendedor na formação de preço, uma das maiores dificuldades encontradas pelas pequenas e micro, segundo os especialistas.

Para chegar mais rápido às prateleiras estrangeiras, outra alternativa é se associar a um parceiro internacional, licenciando a marca e deixando que ele faça a distribuição dos produtos —como estudam grifes brasileiras com fornecedores do Peru. Muitas vezes uma empresa que é concorrente no mercado interno brasileiro pode ser parceira em outro país, dizem os analistas.

No caso da importação de matéria-prima ou produtos acabados, o empreendedor deve conhecer a empresa da qual pretende comprar, avaliar a capacidade de entrega e até buscar informação com clientes sobre o histórico de fornecimento.

“Em muitos casos, o primeiro lote vem de acordo com as especificações feitas. Mas depois há perda de qualidade ou descumprimento do que foi pedido, por isso é importante verificar o histórico das entregas”, diz a diretora do Sebrae.

Um erro comum dos empreendedores é querer somente aproveitar o atual momento econômico, com a alta do dólar favorecendo as exportações, para expandir negócios para fora do país.

“Exportar tem de ser uma decisão estratégica e não uma decisão de curto prazo. Demora em média três anos para uma empresa fincar pé em outro mercado e ter estabilidade nas exportações”, diz a coordenadora da Apex. Com o Peiex (Projeto Extensão Industrial Exportadora), feito em parceria com universidades e instituições, 3.000 empresas recebem de 250 técnicos da agência orientações para identificar problemas e soluções para melhorar desempenho na exportação.

Fernando Pimentel, superintendente da Abit, diz que as empresas têm buscado mais a “internacionalização defensiva” do que fato se preparado para crescer em outros países.

“Se a empresa quer avançar em outros mercados, se reposicionar e ficar mais perto dos consumidores, é uma questão. Mas o que temos assistido são empresas que vão para fora porque o ambiente aqui está hostil e procuram outro lugar para investir.” Destaca ainda que faltam ações, como uma política industrial ampla e eficiente, para cuidar da competitividade das empresas.

Apesar do esforço do governo para incrementar o comércio exterior e diversificar a pauta de exportação do país, do lado estrutural, os especialistas reconhecem que ainda faltam, aos pequenos, linhas de financiamento para exportação com taxas menores e diminuir a burocracia.

“Os fundos garantidores que asseguram as operações de riscos, tanto relacionados a fretes como o não recebimento de mercadoria, no caso de uma importação, ainda não insuficientes para atender a demanda. E, neste segmento, ainda não existe nada voltado para micro e pequenas”, diz Heloisa Menezes, diretora-técnica do Sebrae.

Entre 2015 e o ano anterior, o número de pequenas e micro empresas que passou a exportar avançou 10,4%, e o valor exportado 5,3%. Mas elas ainda representam pouco (1,1%) do total de US$ 190 bilhões exportados no ano passado.

Em abril, o governo federal lançou em parceria com o Senai o programa “Brasil mais produtivo” (www.brasilmaisprodutivo.gov.br) para ajudar as empresas no combate a desperdícios na sua produção e para que possam se preparar melhor para exportar. Em uma primeira fase, serão 3.000 atendidas de quatro setores –vestuário e calçados, alimentos e bebidas, metalomecânico e moveleiro.

Fonte: Folha de S. Paulo

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