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Paulo Guedes anuncia a criação de comitê de emergência do varejo

Decisão aconteceu durante uma bate-papo com representantes da União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), neste sábado (04)

04 de abril de 2020 - 19:53

Foto: Aloisio Mauricio/Estadão Conteúdo

O ministro da economia, Paulo Guedes, deliberou neste sábado (04) a criação de um comitê de emergência para assuntos do comércio varejista do país. A ideia é aproximar o governo dos empresários para monitorar a eficácia das medidas que estão sendo tomadas para amenizar a crise causada pela pandemia do Coronavírus.

A decisão foi tomada após várias críticas quanto ao acesso ao crédito por empresários da micro e pequena empresa, durante uma webinar promovida pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs), assistida por milhares de empreendedores de todo o país. “A preocupação dos empresários brasileiros é de que os números apresentados pelo governo para atender as empresas não sejam suficientes. Além disso, que não cheguem à maioria das empresas, que não estão capitalizadas para fazer frente a esse pandemônio econômico”, disse George Pinheiro, presidente da CACB e da Unecs.

O comitê será constituído por membros do governo e da Unecs e a primeira reunião será na próxima semana.

A principal queixa dos representantes das entidades participantes era a de que o dinheiro existe, mas que ele não chega na ponta, no empresário que, em alguns casos, ainda não havia sequer se recuperado da crise passada. “As medidas ainda não são suficientes, pois não chegarão a todos se não encontrarmos esse caminho”, destacou Pinheiro.

Guedes destacou que já foram disponibilizados R$ 40 bilhões de reais para concessão de crédito e que se o dinheiro não está chegando, trata-se de uma questão de efetividade. “A ajuda de vocês é muito importante nesse sentido. Precisamos saber onde estão os erros, para consertarmos e chegarmos onde for preciso”, disse.

Atração do Calote

Outro apelo feito pelo ministro diz respeito à manutenção dos pagamentos em dia, mesmo com as lojas fechadas. “Vamos manter os pagamentos em dia, para não destruirmos os serviços que estamos usando. Se estamos usando luz, vamos pagar a conta de luz para não termos descontinuidade. Temos de manter oxigenada a economia brasileira. Não podemos cair na atração fatal do calote, da falta de pagamento porque descontinua a rede de produção nacional. Podemos renegociar tudo, mas não podemos desorganizar a rede de pagamentos. Sabemos que a arrecadação vai cair, mas vamos seguir mantendo-nos de mãos dadas”, pontuou.

Guedes solicitou às empresas e aos consumidores brasileiros que se mantenham unidos, de forma virtual, quando se trata de economia. Para isso, pediu que contas como as de luz e telefonia continuem sendo pagas, que os consumidores continuem movimentando os restaurantes e as lojas locais por meio do delivery e defendeu o uso das medidas de manutenção do emprego que foram anunciadas pelo governo.

Os empresários que participaram da teleconferência concordaram com Guedes, mas pediram o reforço e o aprofundamento das medidas de enfrentamento à crise que vêm sendo anunciadas pelo governo – medidas que, segundo Guedes, já somam R$ 800 bilhões e vão levar o déficit brasileiro a 6% do PIB.

Passaporte da imunidade

Ao ser questionado por George Pinheiro sobre o fato de que a preocupação não é abrir amanhã, mas abrir com segurança econômica e para a saúde, o ministro disse que o governo federal já está estudando uma maneira de retomar as atividades econômicas com segurança quando não for mais preciso manter o estado de isolamento social decorrente da pandemia. A ideia é fazer testes massivos nos trabalhadores para que quem esteja saudável possa voltar a trabalhar. Mas, frisou: isso só deve ser implementado quando o Ministério da Saúde liberar a volta da circulação das pessoas nos centros urbanos.

“Já estamos nos preparando, pensando lá na frente. Justamente em ter em massa, que funciona, ajuda para quando começamos a furar a segunda onda da economia. É o passaporte da imunidade. As pessoas vão sendo testadas, pode ser semanalmente, e quem tiver livre continua trabalhando. E aí fazendo teste pode ir girando a economia, mas lá na frente. Eu repito: estamos em isolamento social, sob coordenação do ministro [Henrique] Mandetta”, afirmou o ministro.

Antecipação dos feriados

Durante o bate papo, o ministro informou que já autorizou a antecipação de feriados para este período em que muitas cidades estão em isolamento social. “Nós vamos precisar disso, do comércio funcionando nos feriados, quando essa fase passar”, afirmou.

Ativismo regulatório

Guedes afirmou que o Congresso Nacional tem que resistir ao que chamou de “ativismo regulatório” durante este período, evitando a aprovação de medidas de moratória ou isenções de boletos. “Nós temos conversado com os parlamentares para que evitem essa tentação de fazer um pequeno conserto que, na verdade, vai destruir nosso futuro”, afirmou.

Além de Guedes e do secretário de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, participaram do encontro virtual o presidente George Pinheiro, presidente da CACB e da Unecs, como moderador, e os presidentes da Unecs: Emerson Destro (Abad) José Cesar (CNDL), Zenon Leite (Afrac), João Sanzovo (Abras), Glauco Humai (Abrasce), Nabyl Sahion (Alshop), Paulo Solmucci (Abrasel) e Geraldo Defalco (Anamaco). Também estavam na live Marcelo Silva (presidente do IDV), Flávio Rocha (conselheiro do IDV e presidente do Conselho Administrativo da Riachuelo) e Antonio Carlos Pipponzi (conselheiro do IDV e presidente do Conselho Administrivo da RD).

Veja abaixo outros trechos da fala do ministro:

“Vamos para o teletrabalho, para o e-commerce, mas de qualquer forma temos de manter respirando e oxigenada a economia brasileira”.

“O protocolo da crise está sendo seguido, os presidentes de Poderes estão se entendendo”.

“Trocamos nosso eixo de atuação. Nosso eixo eram as reformas estruturantes, agora são as medidas emergenciais”.

“Temos que manter a economia brasileira respirando e oxigenada. Não podemos cair na atração fatal da inadimplência, da moratória, do vale-tudo”.

“Não vamos destruir os capitalizados. Vamos manter as redes de pagamento em funcionamento. Podemos renegociar um aluguel, salário, podemos renegociar tudo. Mas não desorganizar a rede de pagamentos”.

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