
Alfredo Cotait Net, líder do associativismo nacional e presidente da CACB no Encontro Nacional em Florianópolis.
O associativismo é uma das principais frentes do desenvolvimento econômico do país, com forte lastro com pequenos negócios, que correspondem a 93,8% do empresariado brasileiro, de acordo com dados da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB). São mais de 23,4 milhões de micro e pequenos negócios, responsáveis por 26,5% do Produto Interno Bruto (PIB), além de prover 5 em 10 vagas de empregos formais. De acordo a entidade, que representa 27 federações, com 2,3 mil associações comerciais.
Os dados foram divulgados durante o 4º Encontro Nacional de Fortalecimento do Associativismo, realizado nesta quarta-feira (20), em Florianópolis. O evento, promovido pela CACB em parceria com a Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), mostrou que o setor está empenhado em aprimorar mecanismo de organização para fortalecer a atuação das entidades, tanto no nível local quanto regional e nacional, especialmente no campo político. A proposta é transformar alinhamento em desenvolvimento de ações.
Enquanto grupo articulado, o objetivo é se fazer presente em pautas nacionais relevantes, como a discussão da jornada de trabalho, atualização do Simples Nacional e novas regras tributárias, entre outros temas que necessariamente exigem articulação e o acompanhamento junto ao Congresso Nacional.
E também se posicionar em relação a medidas com potencial de prejudicar os pequenos negócios, com a recente edição das medidas que zeraram o Imposto de Importação sobre remessas internacionais de até US$ 50, política que ficou conhecida nacionalmente como “taxa das blusinhas”. Para a entidade, a decisão favorece plataformas estrangeiras em detrimento do pequeno comércio nacional.
“É preciso haver equilíbrio com a isonomia para manter a competitividade no mercado entre a produção nacional e as importações”, afirmou o líder do associativismo nacional e presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto.
Na discussão de temas estratégicos, o dirigente defendeu a organização do associativismo para fortalecer o debate das pautas de interesse do setor. “É necessário construir uma estrutura de organização do sistema respeitando a individualidade e a autonomia de cada uma, inclusive das associações, das federações e da própria CACB”, Cotait.
Para o dirigente, a organização do sistema potencializa a base do associativismo. “Precisamos fortalecer a coesão e a força do sistema associativo”, concluiu Cotait, que também preside a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Cotait destacou, ainda, que o sistema associativista é independente, que funciona a partir de iniciativas próprias, sem vínculo a recursos públicos e a governos.
Considerado um dos mais importantes do setor, o evento reuniu aproximadamente 100 lideranças na sede da Facisc, como os presidentes das entidades do G50+, grupo formado pelas associações comerciais mais representativas do país, além de presidentes de federações.
Mesa
Na mesa “Pautas políticas na prática: Influência que vira resultado”, lideranças falaram sobre como transformar a força local das associações comerciais em influência coordenada nas pautas que impactam o ambiente de negócios.
Participaram da mesa o vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Gerson Guariente; o presidente da Federação da Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), Flávio Furlan; o presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais da Bahia (Faceb), Paulo Cavalcanti; e o presidente da Associação do Pará (ACP), Isan Anijar. A mediação foi de João Andrade, diretor de Relações Institucionais da CACB.
Realizado na capital catarinense, o encontro nacional teve ampla participação de representantes de entidades locais, tais como o presidente e a vice-presidente da Facisc, Elson Otto e Rita de Cássia Conti, e do presidente da Associação Empresarial de Florianópolis (Acif), Célio Bernardi.
G50+
O encontro foi conduzido pelo coordenador executivo do G50+, Rodrigo Geara. Sobre os eixos do trabalho à frete do grupo, ele informou que, no campo da Governança, o objetivo é gerar aproximação e fortalecimento das associações e as federações.
Nas Relações Governamentais, a proposta é criar um fluxo de trabalho que traga resultados práticos, valorizando ações como a Rede Parlamentar de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. No eixo de Desenvolvimento de Lideranças, o objetivo é construir uma unidade de trabalho com as entidades.
Em outro eixo, haverá o fortalecimento de uma Rede Integrada de Comunicação para promover o associativismo em todo o território nacional, em articulação com as associações e federações.
A diretora de Comunicação da CACB, Monica Monteiro, tratou das ações da área, apresentando temas e estratégias para aprimorar a divulgação das atividades do sistema associativo, como o trabalho desenvolvido com rádio, veículos de imprensa, divulgação em portais. A apresentação também contou com a participação da gestora de Comunicação da CACB, Indiara Oliveira.
Ainda durante o encontro, o diretor de Relações Governamentais da CACB, João Andrade, destacou a importância da articulação política para uma atuação mais efetiva na comunicação e na conexão de todos os elos da rede.