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Celular impulsiona acesso à internet no Brasil

Pela primeira vez, telefone supera computador no uso da rede

06 de abril de 2016 - 15:01
Helena Antabi, de 78 anos, tem iPhone e iPad em casa, e acessa a internet por múltiplos motivos, de diversão a administração financeira - Márcia Foletto / Agência O Globo

Helena Antabi, de 78 anos, tem iPhone e iPad em casa, e acessa a internet por múltiplos motivos, de diversão a administração financeira – Márcia Foletto / Agência O Globo

RIO – O acesso à internet por celular ultrapassou o por microcomputadores em 2014, de acordo com o suplemento especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE, dedicada ao uso de celular, internet e televisão. Pelos números da pesquisa, 36,8 milhões dos 67 milhões de domicílios brasileiras, ou têm acesso à internet, ou 54,9% dos lares brasileiros.

A população acessa por meio variados, mas o celular é mais citado na média brasileira. Em 80,4% dos lares, chega-se à rede por celular, enquanto o computador é o veículo em 76,8% dos lares. O tablet é usado em 21,9% das casas, enquanto a TV é o veículo apenas em 0,9% dos domicílios. Nas regiões mais ricas do país, Sudeste e Sul, a televisão ganha expressão: 5,7% e 6,1% respectivamente, mostrando o avanço das TVs inteligentes. No outro extremo, no Nordeste, a televisão só é usada para entrar na internet em 0,5% dos lares. Já os tablets são usados em 21,9% das casas brasileiras

“Vale destacar o acesso à internet por meio de tablet, telefone celular e televisão, com aumentos de 50,4%, 76,8% e 116,34% no número de domicílios, respectivamente, em relação a 2013”, diz a publicação do IBGE.

A predominância do celular no avanço do acesso à internet é constatada por outro cruzamento de dados. Em 2013, 42,4% dos lares acessavam a internet exclusivamente por microcomputador. Um ano depois, essa parcela caiu para 17,4%. Em 2013, somente em cinco estados, o telefone móvel superava o micro no acesso à internet. Em 2014, essa estatística se inverteu: em apenas cinco estados, o acesso por micro é superior ao do móvel apenas nos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, exatamente nas regiões onde a renda da população é maior.

A aposentada Helena Antabi, de 78 anos, tem iPhone e iPad em casa, e acessa a internet por múltiplos motivos. Desde a diversão à pesquisa e administração financeira:

— Eu sou viciada em Candy Crush. Jogo tanto antes de dormir quanto nas horas em que tenho insônia. Também estou em todas as redes sociais: tenho Facebook, Twitter e WhatsApp. Aproveito para brincar com minha neta de 5 anos, que certamente vai herdar meu celular quando eu trocar de aparelho.

Além do entretenimento e do contato social, Helena usa os aparelhos para transações bancárias e pesquisa.

— Nunca mais fui a banco, faço tudo pela internet. Também uso para fazer pesquisa, decidir meus caminhos pelo Google Maps. Enfim, eu aproveito de todas as vantagens que a tecnologia me proporciona.

Quanto à escolha de que aparelho usar — smartphone ou tablet — ela é pragmática.

— Uso o que estiver mais perto de mim ou mais carregado. Não tenho preferência.

O uso dos aparelhos usados por Helena tiveram um crescimento exponencial de 2013 para 2014. A Pnad, além de trazer informações sobre a internet dentro das casas, pesquisou também o acesso pessoal, independentemente do lugar de acesso, considerando apenas o aparelho. Nessa estatística, verificou-se que 54,4% da população de dez anos ou mais usou a internet nos três meses anteriores à pesquisa, o que representa 95,4 milhões de brasileiros, alcançando mais da metade da população pela primeira vez. Em 2013, 49,4% acessavam a rede.

De novo, o celular foi o meio que proporcionou esse aumento no uso da rede. Enquanto o acesso ao micro diminuiu sua participação no universo de equipamentos para viajar pela rede, celular e tablet avançaram 155% em um ano. A parcela desses equipamentos entre os usuários subiu de 4,2% em 2013 para 10,5% em 2014.

Fonte: O Globo

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