
Em artigo publicado na edição da Folha de S. Paulo desta terça-feira, 9 de dezembro, com o título É hora do voto distrital, Guilherme Afif Domingos, secretário de Projetos Estratégicos do Estado de São Paulo e presidente emérito da CACB, afirma que esse sistema fortalece vínculo entre eleitor e eleito, reduz custos das campanhas e diminui a influência de ‘puxadores de votos’ e do ‘crime organizado’.
Ele defende que a modernização do sistema eleitoral, por meio do voto distrital, é oportunidade de reconectar o Brasil com a política e construir um Parlamento mais responsável e transparente. No artigo, Afif lembra que levantamento do Datafolha mostra que 64% dos brasileiros não se lembram em quem votaram para deputado federal, e outro estudo, da Quaest, aponta que 66% desaprovam o trabalho desses representantes. Apenas 15% acompanham com regularidade a atuação dos parlamentares.
Esse cenário, na avaliação de Afif, alimenta a sensação de falta de representatividade e reforça a necessidade de mudanças. “Não há soluções mágicas, mas há caminhos possíveis. Um deles é o voto distrital misto, modelo já adotado com sucesso na Alemanha, Reino Unido e EUA”, reforça.
No artigo, Afif explica que o sistema dividiria cada estado ou município em distritos equivalentes à metade das vagas a serem preenchidas. São Paulo, por exemplo, teria 35 distritos para suas 70 cadeiras na Câmara dos Deputados. “Em cada distrito, cada partido apresenta um candidato, e o mais votado é eleito. A outra metade das vagas é definida pelo voto proporcional, contabilizado para o partido do candidato escolhido no distrito, com listas preordenadas e reserva mínima de um terço para as mulheres”, argumenta.
Afif ressalta ainda que o voto distrital é defendido há anos pelas associações comerciais, entidades municipais formadas pela iniciativa privada, sem recursos públicos e com forte ligação com a vida econômica e social de suas comunidades. “Organizadas nas 27 federações estaduais e reunidas nacionalmente pela CACB (Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil), uma rede com cerca de 2.500 entidades, as associações comerciais têm capilaridade e legitimidade para impulsionar esse debate. Acreditam que o voto distrital fortalece as comunidades, melhora a representação e contribui para um país mais eficiente e democrático.”
Leia a íntegra do artigo:
FOLHA_É hora do voto distrital_AFIF DOMINGOS (1).pdf