
Na foto respectivamente: Suzana Vellinho Englert ex-presidente da ACPA, Tiago Schmitz e Júlia Tavares ex-vice-presidente da ACPA
Tiago Schmitz iniciou-se no mundo do empreendedorismo em 2014. Há 12 anos, se considerava um empresário sonhador que iria encontrar seu lugar com a abertura do próprio negócio. Depois, passou pela fase do idealista, herói, apoiando as causas sociais, performático, quando entendeu que precisa faturar, e desesperado, com as contas a pagar a partir da pandemia. Atualmente, classifica-se como empreendedor revoltado, ao perceber o quanto o Estado retira do seu trabalho por sua ineficiência.
Essa história foi contada pelo próprio Tiago ao receber o Prêmio Paulo Vellinho, concedido pela Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA), na categoria Empreendedorismo. Proprietário da Charlie Confeitaria, com duas lojas na capital gaúcha e uma em Florianópolis, ele começou há mais de um ano a compartilhar, pelas redes sociais, os desafios, provocados pela burocracia do Estado somada a altas taxas de impostos, para manter um negócio de pé no Brasil.
A partir da indignação, nasceu o grupo, com a participação de 200 donos de pequenos negócios em Porto Alegre e Florianópolis, que uniu forças para auxiliar outros empresários a entenderam o ambiente do empreendedorismo e lutar contra a falência.
“A ideia surgiu do meu próprio desconforto com a situação de quem empreende e após ter que reduzir minha estrutura com o fechamento de duas das cinco lojas que tinha”, explica ele, que também se comoveu com a história de um pequeno empresário paulista que se matou por não conseguir pagar dívidas. “É um caso que provoca pânico com o peso da responsabilidade sobre os nossos negócios”, descreve Tiago.
Ao buscar soluções para esses incômodos, começou a dar vazão ao sentimento e procurar outros empreendedores também inquietos com a situação e que se sentiam desassistidos pelo poder público, que cobra impostos e cria empecilhos para as empresas. “Daí, em fevereiro de 2025, iniciamos reuniões para que outros empreendedores possam trazer as suas preocupações. Assim buscamos soluções em conjunto a partir de experiências já vividas por outros pequenos empresários”, conta Tiago, que iniciou o empreendedorismo como vendedor de doces em feira de Porto Alegre e pelas redes sociais.
“Quando se aprende errando a conta a pagar é alta”
Dos encontros, surgiram propostas de workshop sobre finanças, marketing, vendas e questões trabalhistas. “Somos empreendedores com os mesmos problemas, pedindo socorro um para o outro para poder ter um ambiente melhor”, destaca. “Quando a gente se torna empresário nos transformamos em um grande vilão no olhar do poder público e da sociedade, que ainda quer que assumamos muitas responsabilidades que são do Estado”, acrescenta.
Para ele, o empreendedorismo deve ser um assunto a ser abordado no Ensino Médio para que os jovens, ao chegar na vida adulta, compreendam o funcionamento do ecossistema dos negócios e os seus aspectos fiscais, trabalhistas, tributários e financeiros. “Tudo isso eu fui aprendendo errando e quanto mais a gente erra maior é a conta que se paga”, ressalta.

Em relação à redução da escala de trabalho 6×1, Tiago avalia a discussão no momento como uma pauta com foco eleitoral. “Não sou contra as melhorias nas condições de trabalho, mas o tema precisa ter a participação do empresário, principalmente de quem tem um pequeno negócio”, salienta.
Para ele, se a ideia é implantar a escala 5×2 que haja desoneração da folha de pagamento e que o Estado arque com a oferta da melhoria das condições. “Da forma como está é uma política para ganhar votos”, observa ele, que recebeu o prêmio no dia 16 de abril no Palácio do Comércio, sede da ACPA.
O objetivo do prêmio, que está na sua sexta edição e tem dez categorias, é reconhecer empresas e personalidades que se destacaram em suas áreas de atuação e colocaram Porto Alegre como protagonista. Também homenageia um dos mais relevantes empreendedores do Brasil: o empresário gaúcho Paulo Vellinho, pai da ex-presidente da associação, Suzana Vellinho Englert.