
Isabela Suarez, presidente da ACB, é recebida na CACB pelo superintendente, Carlos Rezende. Foto: Tariq Alves Comunicação/CACB
Presidente da Associação Comercial da Bahia (ACB), Isabela Suarez, destaca a importância do associativismo como instrumento de articulação política e econômica, especialmente em um momento de desafios para micro e pequenos empresários. Para ela, o fortalecimento do sistema é essencial para garantir representatividade e avançar em discussões estratégicas no Congresso Nacional. Em sua primeira visita à CACB, foi recebida nesta quinta-feira (23) pelo superintendente da entidade, Carlos Rezende. Isabela, à frente da mais antiga associação comercial do Brasil, reforçou a urgência da atualização da tabela de enquadramento no Simples Nacional e ressaltou a preocupação do setor produtivo com a discussão da redução da escala de trabalho em ano eleitoral. Veja a seguir a íntegra da entrevista concedida ao site da CACB.
Qual a avaliação desse momento de integração e fortalecimento das associações via CACB, e do associativismo no Brasil?
É um momento importante, que representa um grande avanço, razão pela qual, estando aqui em Brasília, eu fiz questão de agendar uma visita institucional, porque sou um entusiasta do sistema. Quero colocar, mais uma vez, a Associação Comercial da Bahia, que é a representação mais antiga do sistema, à disposição para que juntos articulemos políticas públicas e pautas de interesse do setor produtivo. Quem não se organiza normalmente é organizado por outro, não é? E isso se reflete na importância da organização do setor produtivo através do associativismo. Evidentemente, o sistema CACB fortalece a classe sobre a qual nós fazemos uma maior defesa, que é a do micro e do pequeno empresário. Então, acho que é um momento que a gente tem que comemorar a liderança nacional do presidente Alfredo Cotait Neto, de Paulo Cavalcanti na Federação da Bahia e na ACB sob a minha presidência. E coloco a associação à disposição para que a gente vença esse momento delicado do nosso país, onde o setor produtivo está cada vez mais cambaleado e com dificuldades de representação no Congresso Nacional e na política como um todo. Então, daí a importância do associativismo. Se não fosse o associativismo fazendo a defesa do setor produtivo, evidentemente que o micro e pequeno empresário estaria absolutamente órfão de discussões que são fundamentais para garantir a sua sobrevivência.
Como vê a discussão sobre a atualização do teto do Simples Nacional?
De uma forma geral, a importância de se ajustar esse teto é fundamental, principalmente quando se trata do estado da Bahia. A gente está falando de 68% da economia. Então, é uma questão de justiça com o microempreendedor individual e aqueles que são optantes pelo Simples Nacional, principalmente quando esse segmento representa o tecido econômico e social do nosso estado. E uma das razões da minha visita aqui é exatamente essa: através da nossa capacidade de articular os representantes da Bahia no Congresso Nacional para chamar a atenção da importância dessa pauta, para que eles não percam de vista. Então, é esse alerta e esse chamado que a gente faz. A Associação Comercial, tradicionalmente, historicamente, sempre foi uma casa de articulação, sempre foi uma casa de pressão e, mais do que nunca, funcionará como tal agora, para que a gente consiga fazer a revisão do teto do Simples Nacional.
Qual a sua avaliação sobre a discussão de reduzir a escala de trabalho 6×1 em período eleitoral?
É de absoluta preocupação. Uma pauta importante como essa, e volto a dizer, não se trata de negativa do setor produtivo em modernizar as leis trabalhistas, mas é importantíssimo que, num momento de discussão eleitoral, isso não vire simplesmente um palanque. E que os representantes do povo no Congresso Nacional não deixem de ter responsabilidade com a classe produtiva. Então, um debate claro, transparente, é fundamental, porque a história que está sendo contada é apenas a da vantagem. Então, defendo que esse debate fosse feito em um momento em que a disputa eleitoral não acontecesse, justamente para que fosse assegurada a imparcialidade, a transparência e, acima de qualquer coisa, a responsabilidade. Nós da ACB temos feito a nossa parte, aderindo às diretrizes do sistema CACB, convocando outros representantes e outras lideranças empresariais para sensibilizar os parlamentares da importância de se garantir a lisura e de que esse projeto fosse votado fora de um momento eleitoral. Então, o setor vê com preocupação e torce para que esses parlamentares, que foram procurados pelos representantes do setor produtivo, atuem com sensibilidade e responsabilidade.