
Fonte: Diário do Comércio
A plataforma Gasto Brasil completa 1 ano de monitoramento das despesas públicas no país, registrando mais de R$ 1,7 trilhão apenas neste ano. Criada em 2025 pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a ferramenta contribui para o fortalecimento da transparência e da gestão fiscal.
O objetivo é promover um ambiente virtual de fácil acesso a informações unificadas sobre despesas públicas, tanto da União quanto de estados e municípios, que facilite a tomada de decisões baseada em dados. Para isto, a plataforma monitora continuamente as finanças governamentais.
As informações englobam despesas com previdência, pessoal, encargos sociais, além de investimentos (obras, inversões financeiras em aquisição de imóveis, entre outros).
Na avaliação do líder do associativismo brasileiro e presidente da CACB, da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da ACSP, Alfredo Cotait Neto, há necessidade urgente da busca pela eficiência no uso do dinheiro público. Para o dirigente, o Estado precisa de uma reforma administrativa, de modo a melhorar o planejamento e dar eficiência às ações governamentais, além de incentivo a mecanismos de controle com o teto de gastos, bem como critérios claros de investimento.
Na visão de Cotait, a ausência dessa reforma estrutural compromete a sustentabilidade das contas públicas e afeta diretamente a capacidade do Estado. “Governantes e gestores têm que encontrar formas de controlar despesas obrigatórias e aumentar a arrecadação, sem sufocar a economia. O Estado brasileiro precisa custar menos”, destaca Cotait.
Despesas hoje
De acordo com dados consultados às 14h23 desta quinta-feira (23), os gastos públicos já chegam a R$ 1,778 trilhão neste ano, sendo R$ 721,991 bilhões em despesas da União, R$ 553,877 bilhões dos municípios e R$ 502,773 bilhões dos estados.
No horário da apuração, o valor global do Gasto Brasil estava R$ 461 bilhões acima do total de arrecadação de tributos, de acordo com dados do Impostômetro (R$ 1,317 trilhão), revelando uma diferença expressiva entre despesa pública e recolhimento de impostos.
De acordo com informações da plataforma, os dados do governo federal referem-se, na prática, aos números do governo central, que incluem também as despesas do Banco Central. No total, são mais de 60 classificações de despesas, agrupadas em 28 categorias. Dentre essas, 11 categorias representam aproximadamente 96% do total das despesas.
As duas maiores destas — previdência e despesas com pessoal e encargos sociais — correspondem a cerca de 60% do total. A soma destas duas despesas com os gastos com investimentos e com inversões financeiras leva a um resultado de aproximadamente 65% do total.
A partir do cenário geral, o cidadão pode consultar no Gasto Brasil a destinação dos tributos por tipo, região e esfera de poder (Executivo, Legislativo, Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública) e cobrar mais eficiência no uso dos recursos públicos.
“Mais do que monitorar grandes cifras federais, a plataforma Gasto Brasil foi desenhada para ser o braço direito do cidadão comum. É um ambiente amigável em que, com poucos cliques, você consegue enxergar a realidade financeira do seu próprio município e estado. A sociedade precisa encarar esses dados com atenção crítica: entender para onde vai o imposto pago é o primeiro passo para exigir que o Estado custe menos e entregue mais. O acesso à informação é um direito, e a fiscalização é o nosso dever para garantir a sustentabilidade das contas públicas”, afirma Cláudio Queiroz, responsável pelo projeto da plataforma.
Confiabilidade
Para assegurar precisão e confiabilidade dos dados, o Gasto Brasil utiliza uma metodologia baseada em atualizações e revisões contínuas. O processo está dividido em três etapas principais:
– Automatização da coleta e armazenamento de dados;
– Tratamento e ajustes das informações coletadas;
– Projeção dos valores estimados.
Cada etapa é composta por diversos subprocessos técnicos. A coleta de dados ocorre por meio de integrações automatizadas com APIs (Application Programming Interface) disponibilizadas pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), captando informações das despesas efetivamente pagas pelos entes públicos. Esses dados são processados de forma automática e integrados em uma base central, o que permite atualizações frequentes.
Fonte: Diário do Comércio.