Imprensa

BC admite que inflação ficará acima do teto da meta este ano

Em relatório, Copom espera IPCA de 6,6% e retração do PIB de 3,5%; juros não devem cair

31 de março de 2016 às 15:14

Dado Galdieri / Bloomberg

Dado Galdieri / Bloomberg

RIO e BRASÍLIA – O Relatório Trimestral de Inflação do Banco Central (BC), divulgado nesta quinta-feira, reconhece pela primeira vez que a inflação deve encerrar o ano pela segunda vez seguida acima do teto da meta, que é de 6,5%. No documento, o Comitê de Política Monetária (Copom) indica que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficará em 6,6% — 0,4 ponto percentual acima da previsão anterior, anunciada em dezembro. O número também ficou maior para 2017: passou de 4,8% para 4,9%. O comitê também piorou a previsão para o desempenho da economia, que deve ter uma retração de 3,5%. A projeção anterior era de perda de 1,9%. Neste cenário, o BC indicou que não deve haver uma redução dos juros.

O documento traz ainda a primeira estimativa do BC para a inflação em 2018. O relatório prevê que ela chegue a 4,5% num período de 12 meses encerrados em março. Todos os cálculos são feitos levando em consideração um cenário de referência no qual a taxa Selic é mantida inalterada em 14,25% ao ano e a taxa de câmbio permanece em R$ 3,70.

A meta de inflação do BC para este ano é de 4,5%, com tolerância de dois pontos para cima ou para baixo. E a taxa esperada pelo Copom para o IPCA subiu de 6,2% para 6,6%. Se o dado se confirmar — a probabilidade de a inflação ultrapassar o limite superior é de 55%, segundo o Copom — será o segundo ano seguido de não cumprimento do limite estabelecido pelo BC. Em 2015, o IPCA ficou em 10,67%.

Entre os problemas destacados pelo BC no âmbito doméstico, o relatório ressalta a intensificação das “incertezas oriundas do efeito de eventos não econômicos”. “Entretanto, para o Comitê, depois de um período necessário de ajustes, que se tem mostrado mais intenso e mais longo que o antecipado, à medida que a confiança de firmas e famílias se fortaleça, o ritmo de atividade tende a se intensificar”, diz o documento.

O Copom destaca também que a alta inflação reduz o poder de compra, afetando negativamente a confiança e o consumo das famílias. “Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como o de geração de empregos e de renda.”

Para o ano que vem, a alta projetada para a inflação foi mais discreta, de 0,1 ponto percentual, a 4,9%. Para 2018, a expectativa é que o índice de preços encerre o primeiro trimestre em 4,5%, voltando ao centro da meta.

O Copom lembra que “o ainda elevado patamar da inflação é reflexo dos processos de ajustes de preços relativos ocorridos em 2015, bem como do processo de recomposição de receitas tributárias observado nos níveis federal e estadual, no início deste ano, e que fazem com que a inflação mostre resistência”.

A piora para a projeção do PIB foi muito expressiva, de 1,6 ponto percentual. Ou seja, em vez da queda de 1,9% na atividade econômica prevista no relatório anterior, de dezembro, o Copom agora prevê uma contração de 3,5%. Em 2015, a economia registrou um tombo de 3,8%.

O BC aponta que a queda do PIB em 2015, de 3,8%, também foi impactada por eventos não econômicos e cita diretamente a Operação Lava-Jato e o acidente da Samarco em Minas Gerais: “A retração registrada na economia brasileira em 2015 decorreu, em parte, dos ajustes macroeconômicos em curso, intensificados pelos desdobramentos de eventos não econômicos, entre os quais as repercussões da Operação Lava-Jato sobre alguns setores da economia e, particularmente no quarto trimestre, pelo impacto do acidente ambiental em Minas Gerais que impactou a produção de minério de ferro”.

O relatório destaca que a economia deve apresentar uma recuperação no médio prazo, quando “o consumo tende a crescer em ritmo moderado e os investimentos tendem a ganhar impulso”. No entanto, o BC ressalta que o ritmo dessa recuperação dependerá do reequilíbrio das contas públicas com a realização de superávits primários que tenham condições de reduzir a dívida pública e reconquistar a confiança dos agentes econômicos. Para a autoridade monetária também é preciso dar continuidade a uma agenda de reformas estruturais:

SEM FLEXIBILIZAÇÃO MONETÁRIA

O BC também repetiu em seu Relatório Trimestral de Inflação que não trabalha com a hipótese de flexibilização monetária e que adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas. Com isso, não deve haver uma redução da Taxa Selic, que está em 14,25% ao ano.

“O Comitê reitera que essas condições não permitem trabalhar com a hipótese de flexibilização monetária, e que adotará as medidas necessárias de forma a assegurar o cumprimento dos objetivos do regime de metas, ou seja, circunscrever a inflação aos limites estabelecidos pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), em 2016, e fazer convergir a inflação para a meta de 4,5%, em 2017”, diz o documento.

“O Comitê considera, conforme antecipado, que o ainda elevado patamar da inflação é reflexo dos processos de ajustes de preços relativos ocorridos em 2015, bem como do processo de recomposição de receitas tributárias observado nos níveis federal e estadual, no início deste ano, e que fazem com que a inflação mostre resistência”, diz o documento, acrescentando que esses processos têm impactos diretos sobre a inflação e que a política monetária “pode, deve e está contendo os efeitos de segunda ordem deles decorrentes”.

Segundo o BC, as incertezas associadas ao balanço de riscos para a inflação permanecem, principalmente quanto ao processo de recuperação dos resultados fiscais e sua composição, ao comportamento da inflação corrente e das expectativas de inflação.

“Adicionalmente, mantêm-se as incertezas em relação ao cenário externo, com destaque para a preocupação com o desempenho da economia chinesa e seus desdobramentos e com a evolução de preços no mercado de petróleo”, diz o documento.

Fonte: O Globo

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