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Bares e restaurantes precisam demitir e estão com impostos em atraso

Pesquisa realizada pela Associação Nacional de Restaurantes (ANR) aponta que 27% dos estabelecimentos apresentaram queda de faturamento acima de 50% em 2020

16 de dezembro de 2020 - 09:54

Foto: Reprodução

O setor de bares e restaurantes tem enfrentado sérios problemas para retomar suas atividades. É o que aponta a pesquisa da Associação Nacional de Restaurantes (ANR) da série COVID-19, em parceria com a consultoria Galunion, especializada no mercado food service. 64% das empresas afirmaram ter demitido funcionários durante a pandemia. Os cortes alcançaram 37% do total das equipes.

Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o setor tem um saldo negativo de 236.350 postos de trabalho com carteira assinada em 2020 até setembro. Mais de 500 empresas de todo o país participaram da pesquisa, realizada entre os dias 7 e 27 de novembro.

Outro dado preocupante e que irá merecer a atenção dos governos diz respeito aos tributos: 39% afirmaram que estão com impostos atrasados. Desse total, 34% vão aguardar opções de parcelamento e outros 31% dizem que conseguirão pagar apenas se houver descontos, mesmo com o financiamento da dívida.

Dificuldades para a retomada

A pesquisa quis saber quais as principais dificuldades para a retomada. Para 29%, o motivo é o ponto do estabelecimento, instalado em shoppings, aeroportos ou próximos a escritórios, locais que ainda não voltaram a ter movimento. Outros 27% apontaram a falta de confiança do consumidor como causa. Para 24%, o problema maior é a queda da renda dos clientes na pandemia e outros 20% atribuíram os resultados às limitações de horários impostas pelas legislações estaduais ou municipais.

Em Belo Horizonte, a venda de bebidas alcoólicas foi proibida em bares e restaurantes, pelo Decreto 17.484. A medida chegou a ser revista pela justiça, mas a Prefeitura conseguiu derrubar a liminar.

Segundo o levantamento, 37% das empresas que possuem mais de uma unidade já promoveram o fechamento de lojas. Em relação ao faturamento do mês de outubro, comparado com o mesmo período de 2019, 27% afirmaram que tiveram queda acima de 50%, enquanto para outros 29% a receita diminuiu entre 26% e 50%.

Fatores positivos

Os resultados apontaram uma melhora no índice de sobrevivência das empresas. Em agosto, 22% dos entrevistados afirmaram que fechariam as portas. O número agora é de 9%. Outro dado positivo foi a melhora do crédito. Dos 58% que pediram, 75% afirmam ter conseguido utilizar alguma das linhas oferecidas pelos governos. Na pesquisa anterior, o índice de aceitação das propostas era de 50%. O motivo alegado pela maioria das empresas que tiveram propostas recusadas (61%) foi a escassez dos recursos das linhas anunciadas.

“Há duas leituras importantes para a diminuição da taxa de mortalidade: o crédito passou a chegar a uma parcela maior das empresas e, infelizmente, muitos bares e restaurantes já fecharam as portas nos últimos meses e já não fazem mais parte da base de nossos entrevistados”, afirma Fernando Blower, diretor executivo da ANR.

“Esse novo estudo mostra que o setor está passando por uma grande transformação, o que traz oportunidades, mas que ainda continua a enfrentar os desafios provocados pela pandemia, tanto que 70% dos entrevistados alegam ter acessado os mecanismos da Medida Provisória 936, que prevê, dentre outros, a redução de salários e jornada. Detectamos também que negócios em rede ou grupos tiveram uma melhor performance, mas mesmo assim os reflexos são significativos”, afirma Simone Galante, CEO da Galunion Consultoria.

Capacidade de pagamento e incertezas

Outro questionamento feito às empresas foi sobre a capacidade de liquidez para pagar a folha de novembro e o 13º salário. 74% delas afirmaram que dispõem de recursos em caixa, enquanto 26% disseram que não. Para o presidente da ANR, Cristiano Melles, os dados gerais confirmam as previsões de que 2020 vai terminar como o pior ano da história do setor.

“Nós estamos trabalhando fortemente para a abertura de novas linhas de crédito e na questão dos tributos. Acreditamos que ainda teremos um semestre com alguns altos e baixos, uma vez que as estatísticas apontam para o aumento no número de casos de COVID-19 no país. Mas quero reforçar, mais uma vez, que nosso setor tem cumprido com rigidez todas as regras e protocolos de segurança e não queremos e nem devemos ser penalizados com novas restrições enquanto vemos quase todos os dias, em várias partes do país, eventos clandestinos sem nenhuma fiscalização”, alerta Melles.

Diante de tantas incertezas, 56% dos entrevistados afirmaram não ser possível ainda fazer qualquer previsão de faturamento para 2021.

Em relação ao futuro, 41% afirmaram estarem abertos a novas parcerias de negócios e investidores, 37% estão investindo em formatos e novos canais, 23% em novas marcas próprias, 22% buscam financiamento/investidores, mas não abrem mão de controlar o negócio e 22% querem vender o estabelecimento.

O estudo apontou também que 23% das vendas ainda são pagas em dinheiro.

“Não se trata somente da pandemia passar, e sim da transformação de todo o setor, onde há desafios para ampliar canais de vendas, novas formas de relacionamento com consumidor, ajustes na oferta de produtos e serviços e na competitividade de forma geral. O delivery continua e terá um papel importante, mas o modelo de captação de pedidos está evoluindo para múltiplas formas (marketplace, e-commerce, aplicativo próprio, parcerias), acelerando a digitalização do setor. Além disso, ajustar canais de abastecimento, produtividade e desperdícios continua a ser um fator importante para mais de 40% dos entrevistados”, ressalta Simone Galante.

Fonte: Estado de Minas

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