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Agenda anticorrupção deve se direcionar à prevenção

Afirmação foi dada durante o painel "Construindo mercados justos e transparentes para todos", no #11WCC

13 de junho de 2019 - 12:57

Em 2018, a pontuação do Brasil no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), organizado pela Transparência Internacional – que avalia a percepção da corrupção no setor público em 180 países, caiu para 35, e o país passou a ocupar o 105º lugar, 9 posições abaixo da que ocupava em 2017.

A corrupção impõe custos econômicos e sociais devastadores em todo o mundo, impedindo ideias inovadoras do mercado e distorcendo a concorrência. Por este motivo, o pontapé inicial do segundo dia do 11th World Chambers Congress foi dado com o painel “Construindo mercados justos e transparentes para todos”, que discutiu o papel das empresas e das câmaras nesta construção e as principais medidas que governos e instituições devem adotar para tornar isso possível.

O ex-presidente da Petrobras e CEO da BRF, Pedro Parente, disse que a empresa possui 14 políticas e procedimentos de compliance e que no ano passado, 30 contratos foram negados pelo grupo. “Temos um canal de denúncias independente. É muito importante que aqueles que fazem a denúncia confiem que estão a salvo de qualquer retaliação da empresa”, afirmou.

Ex-presidente da Petrobras e CEO da BRF, Pedro Parente

Nicola Bonucci, diretor de Assuntos Jurídicos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), destacou que a comunidade internacional tem trabalhado de forma impressionante no combate à corrupção, todos na mesma direção. “Posso garantir que secretariados das entidades internacionais e empresas estão se falando mais entre si. Vemos cada vez mais o reconhecimento de que as metodologias tradicionais de julgamento não estão exatamente atualizadas e eficientes. Resoluções, decisões e acordos de protelação, isso tudo está mudando”, opinou.

A presidente da ICC México e CEO da empresa Orestia, María Fernanda Garza, disse que a corrupção é, hoje, a maior barreira para o desenvolvimento social e econômico em todo o mundo e que combatê-la tornou-se algo crítico. Ela diz que é imprescindível que seja desenvolvida uma abordagem estratégica para o setor público baseado nas evidências e provas. “A comunidade empresarial pode promover uma concorrência justa, apoiando seus países no desenvolvimento e fortalecimento da estrutura anticorrupção”, completou.

Kiprono Kittony, presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Quênia, destacou o fato de que é preciso apoiar a eliminação de tarifas alfandegárias e barreiras tarifárias e trabalhar por um comércio justo, baseado no diálogo e na transparência. “Ontem ouvi de um outro palestrante que se nós não deixarmos que os bens e serviços atravessem as nossas fronteiras, soldados e armas é que vão atravessar, e eu concordo com esta afirmação”, disse.

Já o coordenador do Centro de Justiça e Sociedade da Fundação Getulio Vargas (FGV), Michael Freitas Mohallem, lembrou que uma pesquisa do DataFolha, realizada em 2015, mostrou que a corrupção havia se tornado a maior preocupação do brasileiro com relação ao futuro do país, algo inimaginável até muito pouco tempo atrás. “Precisamos entender que dentro do espectro do combate à corrupção não podemos olhar apenas o lado da repressão, mas começar a investir energia, tempo e recursos em ideias que nos direcionem à prevenção”, defendeu.

O painel foi mediado pelo sócio das áreas de Compliance, Contencioso e Arbitragem e Investimentos Alternativos de Demarest, Carlo Verona.

 

Por Erick Arruda da Assessoria de Comunicação do #11WCC

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