
A candidata à Presidência da República pelo partido União Brasil, Soraya Thronicke, defendeu como principal medida para a recuperação econômica do Brasil a proposta de reforma tributária com unificação de 11 impostos federais. Segundo ela, corrigir a incidência por meio da simplificação irá desonerar o empresariado em torno de 20%. “Nós iremos incluir 11 tributos federais e substituir por um imposto apenas, que será cobrado por meio de movimentação financeira sobre depósitos e saques, com alíquota de 1,26%”, destacou Soraya. A declaração foi dada durante o evento Diálogos Unecs, realizado pela União Nacional das Entidades do Comércio e Serviços, nesta terça-feira (30/8), no Centro de Convenções Brasil 21.
A então senadora da República propôs também a isenção do Imposto de Renda para a população que recebe até 5 salários mínimos (R$ 6.600). “Sejam sinceros. Vocês conseguem dar aumento de 8% para o seu funcionário? Não. Mas o seu funcionário vai ficar mais feliz. Eu creio que este seja nosso carro chefe”, indagou, sobre o aumento na renda das pessoas que seriam beneficiadas pela proposta. Como forma de acelerar o mercado de trabalho, a candidata apontou ainda a necessidade de se investir em educação para a adequação com a realidade digital, além de criar um ambiente de negócios mais seguro para investimento exterior. “Temos que utilizar o Ministério da Educação (MEC) para que faça a coisa certa, e ter alguém que permaneça lá dentro, a princípio”, disse.
Para Soraya, ofensivas ideológicas a países podem representar um perigo para as relações comerciais do país. “Tratar mal a China é muito ruim para nós. Ficar no embate faz um mal danado. É perigoso, não é necessário em um país democrático, que se diz liberal. Fazer isso é totalmente incongruente”, argumentou. “O ambiente de negócios fica, sim, vulnerável e isso não é bom para as exportações”, completou.

Representantes do Sistema CACB que participaram do Diálogos com candidatos à Presidência da República
Questionada sobre uma eventual reforma administrativa, a candidata solicitou calma e destacou que este tema será debatido exaustivamente durante eventual governo. “Nós podemos diminuir cargos comissionados, mas sem tirar direitos adquiridos daqueles que estão trabalhando e desenvolvendo nosso país no setor público, nós devemos tomar cuidado com isso”, esclareceu. Ela garantiu, contudo, que em seu governo o país vai “apertar os cintos” e cuidar do essencial. Sobre esse assunto, ela destacou que os objetivos são baratear o preço de alimentos tradicionais no prato dos brasileiros, como arroz e feijão.
“Não é CPMF”
Ao longo da exposição, a candidata provocou a plateia sobre a semelhança entre sua proposta de reforma tributária com imposto único, com a criação da antiga Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Segundo ela, a proposta contida em seu plano de governo e liderada pelo economista Marcos Cintra é uma evolução do tema. “A CPMF era um imposto a mais. E era provisório. Uma contribuição que não seria permanente e virou por onze anos. Estou falando em tirar 11 tributos federais e substituir por um imposto só. Ela é moderna, digital, insonegável”, defendeu.
Em suas considerações finais, a candidata do União pediu aos ouvintes que priorizem a economia, a paz e o diálogo. “A ideologia não vai fazer nossas empresas crescer. Chega de briga e de confusão. O Brasil precisa de paz e de união. O Brasil precisa de gente que cuide das pessoas”, destacou.
Sobre Soraya Thronicke

Nascida em Dourados (MS), em 1973, Soraya Thronicke é senadora pelo partido União Brasil. Graduou-se em Direito pela UNAES Faculdade de Campo Grande, é pós-graduada em Direito Tributário e em Direito de Família e Sucessões pela Faculdade de Direito Professor Damásio de Jesus (SP) e tem MBA em Direito Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas. Sua atuação política teve início nos movimentos democráticos de rua, quando liderou protestos contra a corrupção e patrocinou ações judiciais contra abusos de poder e ilegalidades.
Em 2018 se elegeu senadora por Mato Grosso do Sul. No âmbito político, Soraya Thronicke é conservadora nos costumes e liberal na economia. Atualmente, é Presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal, além de ser membro de outras 21 comissões e subcomissões, permanentes e temporárias, grupos e frentes parlamentares, conselhos, comitês e representações brasileiras.
O Instituto Unecs
Fundado em 2014, o Instituto Unecs representa a força e a organização político-institucional do setor de comércio e serviços. Tem como objetivo defender os interesses do setor no Brasil, contribuindo para o debate, o intercâmbio de ideias e o fortalecimento dos segmentos que, juntos, representam 73% do PIB do Brasil.
Atualmente comandado por José César da Costa – também presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) – Instituto Unecs congrega as oito maiores entidades organizadas e de livre adesão do setor, presentes em todo o território nacional: a Associação Brasileira de Supermercados (Abras); a Associação Brasileira de Atacadistas e Distribuidores (Abad); a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel); a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce); a Associação Brasileira de Tecnologia para o Comércio e Serviços (Afrac); a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco); a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL).
Por meio de suas empresas, o setor de comércio e serviços se relaciona com cerca de 190 milhões de cidadãos. Maior gerador de empregos e de renda do país, oferece oportunidades a todos os brasileiros, desde o ingresso no mercado de trabalho com o primeiro emprego. É responsável por 57% dos postos de trabalho no Brasil e abrange 77% dos estabelecimentos ativos no país. É também responsável por 65% das operações de crédito e débito e pela geração de 27 milhões de empregos diretos.
Fotos: César Tadeu e Paulo Negreiros