
Afif Domingos, Alfredo Cotait, Romeu Zema e Heráclito Fortes na ACSP. Foto: André Lessa/ACSP
Pré-candidato à presidência da República, o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), fez duras críticas ao Governo Federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As declarações foram dadas em evento do Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) nesta segunda-feira (13/4), na sede da organização, na capital paulistana.
Zema afirmou que o País passa por uma “crise moral” sem precedentes. “Eu acho que todos aqui concordam que nós estamos vivendo, pelos meus 61 anos, a maior crise moral da história do Brasil. Nós estamos assistindo, lá em Brasília, a farra dos intocáveis. Na minha opinião, que se consideram intocáveis, porque as urnas vão responder em outubro”, disse o ex-governador, que defendeu também uma renovação no Senado. “O clima de indignação que eu percebo nunca foi tão grande. Talvez esteja até maior do que em 2018”, avalia.
Para reverter o quadro, Zema defende maior transparência na administração pública, apontando a necessidade de uma maior prestação de contas por parte do Governo Federal. “Gestão boa rima com transparência”, defende.
Na área econômica, o pré-candidato criticou o impacto dos juros elevados sobre famílias e empresas. Para ele, o atual cenário desestimula o empreendedorismo. Sobre políticas sociais, Zema defende uma ampla revisão, com a adoção de mecanismos de incentivo à qualificação profissional para uma melhor inserção de trabalhadores no mercado. Para ele, é preciso estímulo à formalização do emprego. Também defendeu o fortalecimento da segurança pública e o combate ao crime.
Zema ainda expressou insatisfação com o Senado, que, na avaliação dele, precisa de renovação, e com o Supremo Tribunal Federal (STF). “Parece que ele [STF] sempre foi o último recurso para todos nós recorrermos. E nós estamos vendo que aquele último recurso foi contaminado”, lamentou. “Eu vejo que nós temos lá criminosos. Qualquer um aqui que tem empresa, acho que não queria que essas pessoas estivessem na sua empresa e se estivessem, teriam sido demitidas. É, o que fizeram lá é crime e parece que o Supremo era ainda aonde nós tínhamos uma certa confiança, mas já estava cheirando mal há alguns anos”, afirmou.
Zema, que é empresário do setor varejista, renunciou ao governo de Minas Gerais para concorrer à presidência da República em 2026, pelo Partido Novo, prometendo replicar nacionalmente experiências exitosas do estado mineiro. À frente do estado mineiro, o político abriu mão de privilégios e de favorecimentos, focando força na gestão.
“O estado [MG], que tinha um déficit de R$ 11 bilhões em 2018, no ano de 2024 teve um superávit de R$ 5 bilhões”, disse Zema, que apresentou dados da sua gestão, como a redução de 21 para 14 secretarias. “Eliminamos quase 50 mil cargos da administração direta das autarquias e das estatais. As estatais nossas, com a gestão certa, triplicaram, quadruplicaram de preço”, citando como exemplos bem-sucedidos a Companhia Energética Minas Gerais S/A (CEMIG) e Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). No cenário geral, segundo Zema, a folha de pagamento, que consumia 67% dos recursos, caiu para 49%, dentro do enquadramento legal.

Participantes do debate com Romeu Zema na ACSP. Foto: André Lessa/ACSP
O convidado da ACSP respondeu a diversas perguntas de participantes da reunião, como a de Andrea Matarazzo, conselheiro da ACSP, que questionou sobre o posicionamento do pré-candidato em relação à discussão da escala de trabalho 6×1. Para Zema, “está claríssimo” que o presidente Lula e o PT estão aproveitando o momento eleitoral para dar o que consideram um prêmio ao trabalhador, mas que, na verdade, é algo nocivo para o País. “É o populismo do PT”, classificou. Na avaliação dele, é necessário ter novos modelos de relação entre trabalhadores e empregadores como alternativas à Consolidação das Leis de Trabalho (CLT).
Já Samuel Kinoshita, Secretário da Fazenda e Planejamento do Estado de São Paulo, indagou sobre a agenda de governo, caso haja vitória nas urnas neste ano. Sobre este tópico, Zema destacou a necessidade de reduzir gastos públicos para melhorar a confiança econômica e diminuir juros. E reforçou a necessidade de mais transparência na atuação de agentes públicos.
Ao destacar números positivos do empreendedorismo feminino no Brasil, que cresce a cada ano, a presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), Ana Cláudia Badra Cotait, pediu à Zema compromisso com as mulheres, em caso de vitória. “Eu sei que o senhor é um grande incentivador do empreendedorismo feminino, então é só um apelo, um pedido que o senhor não esqueça do empreendedorismo feminino no Brasil, porque nós giramos a economia desse País”, defendeu Ana Cláudia.
O pré-candidato reafirmou seu compromisso com as mulheres, citando exemplos na gestão de Minas Gerais. “Pela primeira vez na história, uma mulher ocupou a Secretaria da Agricultura, a Secretaria do Meio Ambiente, o comando do Corpo de Bombeiros e eu fui o governador que mais nomeou desembargadoras para o Tribunal de Justiça”, relatou.
Com relação à possibilidade de revisão da Reforma Tributária, questionamento feito pelo presidente emérito da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e secretário do Governo do Estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, Zema informou que isso é algo para se avaliar, mas que, no geral, é favorável à redução carga tributária.
O debate foi presidido pelo líder do associativismo nacional, Alfredo Cotait Neto, presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). “Admiro a sua determinação em ajudar o Brasil. Foi muito bom conhecer suas ideias e o seu trabalho”, disse Cotait ao final da reunião.
Também teve a participação na condução do debate o ex-senador Heráclito Fortes, atual coordenador do Conselho Político e Social da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Ele assumiu a coordenação do Conselho Político e Social (COPS) do PSD em São Paulo no início de maio de 2025, em um evento na sede do partido.