
Renato Paniago, da Gerbov, faz crítica à proposta de redução da jornada de trabalho. Foto: arquivo pessoal
A proposta de redução da jornada de trabalho para um regime de quatro dias de atividade e três de descanso (4×3) gera forte preocupação entre empresários do comércio em Campo Grande (MS). Para o dono da Gerbov, empresa de software para gestão do agronegócio e presidente da Associação Comercial e Industrial da cidade (ACICG), Renato Paniago, a medida representa um “desafio significativo” para todo o setor produtivo e agravaria o chamado “Custo Brasil”, especialmente para pequenos e médios empreendedores.
Segundo Paniago, o momento político e econômico do país não comporta iniciativas que aumentem encargos ou restrinjam a flexibilidade das relações de trabalho. “O empresário já paga por uma carga significativa de dias não trabalhados. Reduzir ainda mais o tempo disponível para produção ou atendimento, sem ganhos claros de produtividade, vai pressionar custos e desestimular contratações formais”, afirmou.
O dirigente prevê impactos diretos na folha de pagamento. Em alguns casos, os encargos poderiam praticamente dobrar, considerando salários, INSS, FGTS, 13º e férias. A consequência, diz, seria a redução de horários de funcionamento, demissões e até fechamento de empresas. “A lógica de que a redução obrigaria a contratar mais é equivocada. A maioria não tem como ampliar equipe e ainda enfrenta escassez de mão de obra qualificada.”
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Gerbov é empresa de software para gestão do agronegócio. Foto: arquivo pessoal
Além de comprometer a operação de estabelecimentos que dependem de horários estendidos, como shoppings e restaurantes, a mudança poderia acelerar a migração de consumidores para o e-commerce, que opera 24 horas sem os mesmos custos trabalhistas. “Isso ameaça a competitividade do comércio de rua e favorece grandes redes e players internacionais”, alerta.
A ACICG pretende levar o debate adiante por meio do Comitê Jurídico da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e encontros com associados. Paniago pede que governo e Congresso priorizem medidas que aumentem a competitividade, como reformas e controle de gastos públicos. “Não é hora de propostas populistas que fragilizam quem empreende e quem trabalha”, conclui.
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