Crédito: Assessoria/ACPA
O avanço das mulheres no empreendedorismo brasileiro tem ganhado cada vez mais espaço também nos ambientes de liderança e tomada de decisão. Em Porto Alegre, esse movimento ganhou um marco importante em 2022, quando Suzana Vellinho Englert foi eleita a primeira mulher a presidir a Associação Comercial de Porto Alegre (ACPA) em 164 anos de história da entidade.
Para a empresária, a conquista representa mais do que um reconhecimento profissional. É também um reflexo da evolução do protagonismo feminino no ambiente empresarial.
“Minha trajetória no empreendedorismo foi construída com muito trabalho, preparação e, principalmente, com a consciência de que ocupar espaços de liderança sendo mulher ainda exige resiliência e consistência”, afirma.
Formada em Relações Públicas e pós-graduada em Marketing pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Suzana também realizou fellowship, uma bolsa de estudos/pesquisa, nas áreas de marketing, comunicação integrada e relações públicas no estado de Indiana, nos Estados Unidos.
Além da atuação empresarial, Suzana também é autora do livro “Canela, a reconquista de um horizonte – Memórias e estratégias do sucesso”, lançado em 2002, relata um trabalho feito na comunidade cabelense para a procura da vocação da cidade do município.
Liderança
Estar à frente de uma entidade empresarial centenária traz desafios, mas também responsabilidades importantes. Para Suzana, liderar significa ir além da gestão institucional: é também contribuir para ampliar oportunidades para outras mulheres.
“Sempre acreditei que liderar é servir, gerar impacto coletivo e abrir portas para que outras mulheres também avancem”, destaca.
Para ela, a presença feminina nos espaços de decisão fortalece a diversidade de perspectivas no ambiente empresarial e contribui para a construção de organizações mais inovadoras e conectadas com a realidade da sociedade.
Desafios
Apesar do crescimento da presença feminina no mundo dos negócios, as mulheres ainda enfrentam barreiras estruturais importantes. Entre os principais desafios estão o acesso a crédito, a desigualdade na ocupação de cargos de liderança e a chamada tripla jornada, quando as mulheres conciliam trabalho, gestão do negócio e responsabilidades familiares.
Segundo uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) sobre desigualdade de gênero no mercado de trabalho brasileiro, no último trimestre de 2025, a diferença salarial entre homens e mulheres foi de 21% – ou seja, as mulheres recebem, em média, 21% a menos que os homens. Porém, a porcentagem pode aumentar de acordo com a área de atuação
“Existe, sim, preconceito, conservadorismo e machismo no ambiente empresarial. Muitas mulheres ainda precisam provar duas vezes a sua competência e enfrentam dificuldades maiores no acesso a investimento e espaços estratégicos de liderança”, afirma.
Para Suzana, superar essas barreiras exige uma atuação conjunta de lideranças empresariais, instituições e autoridades públicas. “Não basta reconhecer o problema. É necessário agir de forma estruturada para criar oportunidades reais e estimular um ambiente mais inclusivo e meritocrático”, ressalta. A presidente considera uma forte característica das mulheres e de sua gestão, o diálogo. “Através do dialogo a ACPA se aproximou e fortaleceu a sua relação com as entidades coirmãs”.
Oportunidades
O avanço da economia digital e o crescimento das redes sociais têm democratizado o acesso ao mercado e ampliado o alcance de empresas lideradas por mulheres. Além disso, programas de capacitação, aceleração e mentoria voltados ao empreendedorismo feminino têm contribuído para fortalecer novas lideranças.
“O momento exige coragem, mas oferece ferramentas que antes não estavam disponíveis”, afirma Suzana.
Um novo cenário
Dados do Sebrae no Rio Grande do Sul indicam que cerca de 34% dos negócios gaúchos já são liderados por mulheres, o que representa aproximadamente um terço das empresas do estado.
Para Suzana, esse movimento mostra que o empreendedorismo feminino deixou de ser uma pauta secundária para se tornar um elemento estratégico no desenvolvimento econômico. “Quando uma mulher empreende, ela gera emprego, renda, impacto social e inspira outras mulheres a seguirem o mesmo caminho”, afirma.
Na avaliação da presidente da ACPA, o fortalecimento desse movimento depende da continuidade de iniciativas que ampliem oportunidades e promovam ambientes empresariais mais inclusivos. “Nosso papel, enquanto entidade centenária, é criar um ambiente cada vez mais favorável, inclusivo e competitivo para que essas lideranças prosperem e contribuam com o futuro da cidade”, conclui.
Parceria
A ACPA integra o Conselho Deliberativo da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e o Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), que atua no fomento ao empreendedorismo feminino. A organização sulista também está inserida no grupo G50+, movimento lançado pela CACB para fortalecer a representação política e empresarial no País.
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