
Cezar dos Reis é proprietário do Nhac Restaurante, Em Patrocínio (MG). Foto: arquivo pessoal
Em Patrocínio, no interior de Minas Gerais, o Nhac Restaurante se tornou referência regional no modelo self-service, combinando qualidade e tradição. Fundado em 1991, o negócio comandado por Cezar dos Reis emprega cerca de 20 pessoas e é parte fundamental da vida cotidiana na cidade.
Participante do Programa Empreender, promovido pela CACB em parceria com o Sebrae, Cezar integrou o Núcleo Setorial de Bares e Restaurantes da Associação Comercial e Industrial de Patrocínio (ACIP) com atuação em três projetos: o Empreender Convencional, o Gastronomia do Cerrado Mineiro e o Empreender Competitivo. A experiência, segundo ele, foi transformadora.
“O Empreender foi um divisor de águas. As consultorias, missões técnicas e visitas a grandes centros nos deram um novo olhar sobre gestão. Crescemos como empresários e como setor.” O programa ajuda à micro e pequena empresa a melhorar a gestão por meio de adoção de boas práticas, aumento da produtividade e incentivo ao uso eficientes de recursos.
Cezar enxerga com preocupação a proposta de emenda constitucional que pretende reduzir a jornada de trabalho de seis para quatro dias semanas. Para ele, a ideia está completamente dissociada da realidade brasileira e especialmente da realidade de cidades do interior.
“Aqui em Patrocínio, vivemos quase pleno emprego. Não conseguimos preencher vagas. Se a jornada for reduzida, com as regras atuais, terei que fechar as portas. Já é difícil contratar para finais de semana, imagine com menos dias de trabalho formais”, conta o empreendedor.
Para o empresário, o problema não está na carga de trabalho, mas no alto custo de contratação e na falta de estímulo ao trabalho formal. Ele critica o excesso de assistencialismo por parte do governo e defende uma revisão urgente nas leis trabalhistas e na tributação sobre a folha de pagamento.
“Com menos impostos, posso pagar melhor. Mas hoje, quem está no Bolsa Família ou em programas similares prefere não trabalhar ou ficar na informalidade. Isso está desestruturando o mercado”, observa.
Segundo Cezar, a solução passa por simplificação tributária e maior liberdade para contratação. Ele alerta que, do jeito que está, muitos empresários serão empurrados para a informalidade, assim como os trabalhadores.
“Reduzir jornada sem mexer nos custos é decretar falência de milhares de negócios como o meu. Não é exagero. É a realidade”, enfatiza.

A gastronomia do cerrado mineiro foi um dos projetos do Programa Empreender, da Associação Comercial e Industrial de Patrocínio (ACIP). Foto: Arquivo pessoal