
Cavalcante Bandeira participou do Programa Empreender, da CACB e Sebrae. Foto: Dilvulgação
“Participar do Empreender foi uma experiência transformadora”, comemora a empresária Geovana Cavalcante Bandeira, que comanda a Geo Sousa Moda de Maceió (AL) ao se referir ao programa da CACB em parceria com o Sebrae. Criado em 2023, o empreendimento dela atua no ramo de confecção sob medida e produção de peças de vestuário.
Geovana conta que, após participar do programa em 2024, expandiu a visão como gestora, fortaleceu a rede de contatos e encontrou soluções mais práticas para os desafios da marca. “Tive base para alinhar o propósito da marca com estratégias mais sólidas de mercado, sempre mantendo nossa essência criativa e nosso compromisso com a responsabilidade socioambiental”, explica.
Programa Empreender ajuda à micro e pequena empresa a melhorar a gestão por meio de adoção de boas práticas, aumento da produtividade e incentivo ao uso eficientes de recursos. A iniciativa já atendeu mais de 100 mil empresários em 20 anos de existência.
Na avaliação de Geovana, o projeto de emenda constitucional que pretende reduzir de seis para quatro o número de dias de trabalho na semana precisa ser visto com cautela. “Embora a ideia tenha como foco o bem-estar do trabalhador, precisamos analisar com profundidade os impactos econômicos e operacionais que isso pode gerar, principalmente em setores, como o da moda, que envolvem uma cadeia longa de produção e muitas vezes prazos apertados”, alerta.
Para ela, é necessário ater-se que o equilíbrio entre valorização do trabalho e viabilidade empresarial precisa ser cuidadosamente construído. “Na minha marca, que trabalha com produção própria, coleções exclusivas e foco na sustentabilidade, uma redução da jornada de trabalho poderia afetar diretamente os prazos de produção, encarecer os custos e exigir reestruturações nos processos internos”, ressalta.
Geovana comenta que a empresa valoriza a mão de obra local de maneira justa e que o compromisso continua sendo com um ambiente de trabalho saudável. “Mas ajustes desse tipo, sem incentivos ou planejamento, podem comprometer nossa margem de inovação e competitividade”, reforça.
No setor de moda, que já lida com muitos desafios, como alta carga tributária, concorrência internacional e informalidade, a mudança brusca na jornada de trabalho, segundo Geovana, sem contrapartidas como incentivos fiscais ou linhas de crédito para readequação de empresas, pode pressionar ainda mais os pequenos e médios negócios e até levar à informalização ou demissões em algumas confecções. “Isso vai na contramão do que precisamos que é fortalecer a cadeia produtiva local”.
Na visão de Geovana, o Brasil precisa, no momento, investir seriamente em educação técnica, inovação e políticas públicas voltadas à modernização da indústria. “Ficar discutindo apenas carga horária é limitar um debate que deveria ser mais estratégico”, afirma.
Para ela, a produtividade não aumenta reduzindo horas sem investir em qualificação, processos eficientes e uso de tecnologia. “O país precisa olhar para o futuro do trabalho, promovendo capacitação, simplificação tributária e apoio à economia criativa, principalmente setores como o da moda, que têm enorme potencial de geração de renda, cultura e identidade nacional”, conclui.

Geo Sousa Moda de Maceió (AL) atua no ramo de confecção sob medida e produção de peças de vestuário. Foto: Divulgação