O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira que talvez desista de implementar o imposto sobre transações financeiras e pagamentos eletrônicos. Críticos desse imposto o comparam à antiga CMPF, o que o ministro sempre rechaçou.
A ideia de Guedes era usar o tributo para bancar a desoneração na folha de pagamento das empresas.
— Esse imposto só entraria se fosse para desonerar (a folha). Talvez nem precise, talvez eu desista dele — disse o ministro, em rápida entrevista à CNN Brasil.
O ministro também voltou a descartar aumento de impostos.
Apesar das declarações públicas do ministro indicarem a possibilidade de ele abandonar a ideia de um imposto digital, assessores próximos a Guedes garantem que ele não desistiu de propor o novo tributo e que a ideia continua viva no Ministério da Economia.
Fontes ligadas ao ministro disseram que Guedes apenas quer diminuir os ruídos desse assunto, e voltar a debater o tema com mais intensidade depois das eleições municipais, em novembro.
Guedes vê como algo necessário propor a desoneração na folha de pagamento das empresas, como forma de gerar empregos e fomentar a economia. Essa medida seria financiada com o imposto sobre transações e pagamentos digitais. Por isso, Guedes não desistiu do imposto.
Defesa na véspera
Na véspera, em seminário, Guedes chegou a defender a implementação do imposto e também um tributo específico para as chamadas “big techs”, grandes empresas de tecnologia, como Facebook e Google, nos moldes do que já é discutido na Europa.
— Esse imposto não passa nem pelos bancos. Ele transcende, é por uma infovia digital. Da mesma forma que você paga um pedágio para trafegar numa rodovia, se tiver usando uma infovia digital que o governo fez, disponibilizou grátis para todos os brasileiros, ele pode cobrar um pequeno imposto pelo trânsito, pelo tráfego de informação que passa aí — disse o ministro, na quarta-feira.
No seminário, organizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, Guedes disse que os bancos já cobram o que ele mesmo chamou de CPMF. O ministro afirmou ainda que as instituições financeiras são contra esse imposto porque “querem beber água onde os bancos bebem”. Procurada, a Febraban não se manifestou.
No evento de quarta-feira, o ministro disse que a economia com a reforma administrativa pode ser maior que os R$ 300 bilhões que ele estima. Segundo Guedes, essa cifra pode ser superada por conta da baixa reposição de servidores.
A reforma, disse Guedes, foi proposta considerando uma taxa reposição de servidores de 70%. Mas esse percentual está mais baixo que o previsto.
Fonte: O Globo
