
As despesas públicas primárias estaduais da Região Sul somaram R$ 139,7 bilhões em 2026, segundo dados da plataforma Gasto Brasil. Criada em 2025 pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em parceria com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a ferramenta reúne informações online (da União, Distrito Federal, estados e municípios) sobre despesas com pessoal, previdência, encargos sociais e investimentos, incluindo obras, aquisição de imóveis e outros gastos públicos.
De acordo com informações referentes aos estados da Região Sul, no Paraná, com mais de 11,4 milhões de habitantes, o Gasto Brasil chegou a R$ 51,5 bilhões, entre 1º de janeiro e 31 de julho, o que representa uma despesa per capita de aproximadamente R$ 4,3 mil. O valor das despesas até a data do levantamento correspondeu a 7,4% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual de 2025, que foi de R$ 670,9 bilhões.
No Rio Grande do Sul, os números apontam um total de R$ 54,2 bilhões em despesas públicas estaduais neste ano. Com uma população de 10,8 milhões de habitantes, o cruzamento de dados revela um gasto de R$ 4,8 mil por pessoa. Quanto ao PIB gaúcha, que em 2025 atingiu R$ 650,1 bilhões, o Gasto Brasil parcial deste ano correspondeu a 8%.
Em Santa Catarina, com 7,6 milhões de habitantes, a despesa pública estadual em 2026 chega a R$ 34 bilhões, projetando um custo per capita de R$ 4,3 mil e um consumo correspondente a 6,4 % do PIB de 2025 (R$ 273 bilhões).
Em âmbito nacional (União, DF, estados e municípios), a despesa governamental atingiu a marca de R$ 3,2 trilhões no período analisado. Desde o início de 2026, o governo federal respondeu por mais de R$ 1,5 trilhão do gasto público. Do restante, os estados consumiram R$ 877 bilhões e os municípios, R$ 860 bilhões.
Outro dado importante é que, na comparação com dados do Impostômetro, apurados no mesmo dia, a despesa pública supera em mais de R$ 900 bilhões o valor total da arrecadação de impostos no país (R$ 2,3 trilhões).
“Revisar gastos desalinhados com as prioridades estratégicas do país”
Para que o país gaste menos e melhor é preciso adotar a cultura de enxugamento do Estado. É o que avalia a presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (PR), Vera Antunes. Ela acredita ser necessária a percepção, por parte da sociedade e dos governos, que esse recurso é dinheiro público que precisa ser controlado e fiscalizado. “Precisamos de uma visão administrativa que economize e invista no essencial, no fundamental, evitando custos supérfluos e desnecessários. Endurecer o jogo contra a corrupção também é uma necessidade urgente”, destaca.
A vice-presidente da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc), Rita Conti, defende que o gasto público do Brasil tenha planejamento, transparência e definição clara das prioridades. “É fundamental que todos os recursos arrecadados, principalmente os tributos, que no Brasil são tão caros, retornem para a sociedade com serviços públicos de qualidade, infraestrutura e investimento que estimulem o nosso desenvolvimento”, afirma. Para ela, quando há eficiência, as empresas crescem e cria-se um ambiente de negócios mais propicio para inovação e competição global.
Na visão do presidente da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (SC), Francisco Tavares Junior, para o país ter gastos públicos mais eficientes é fundamental aprovar reformas estruturais como a administrativa e orçamentária e garantir o cumprimento do arcabouço fiscal. “É imprescindível também trabalhar na digitalização da gestão pública, reduzindo burocracia, e revisar gastos desalinhados com as prioridades estratégicas do país”, alerta.
“Empodera o cidadão com base em fatos e evidências”
Em relação à plataforma Gasto Brasil, Vera Antunes ressalta o fato de a ferramenta possibilitar o acompanhamento, em tempo real, do caminho dinheiro público. “É uma conquista não só para o meio empresarial, mas para toda a população. Assim, é possível exercer o controle maior, estimulando também a participação pública junto a gestão”, salienta.
Com a plataforma, na visão de Francisco Tavares Junior, a CACB presta um relevante serviço à população brasileira, com mais transparência à gestão de recursos. “Empodera o cidadão, dando clareza sobre o volume de recursos arrecadados, que complementa o papel do impostômetro”.
Para ele, o Gasto Brasil redireciona o debate econômico, onde o foco deixa de ser o aumento da carga tributária e passa a ser a eficiência e capacidade a sociedade civil para o controle social. “Fortalece o debate democrático com base em fatos e evidências”, reforça.
Rita Conti afirma que a Plataforma Gasto Brasil representa de forma transparente e simples a avaliação das despesas públicas. “A gente quer ver para onde esses gastos estão indo, como saúde, infraestrutura e ambiente de negócio que vai favorecer as empresas”.
De acordo com ela, a ferramenta fortalece o controle social e qualifica as entidades empresariais para um debate sobre a aplicação do dinheiro público. “Contribui para responsabilidade, prestação de contas e governança”, conclui.
Lançamento na Câmara
Para ampliar a divulgação dos dados sobre despesas públicas, a CACB e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) farão o lançamento do “Painel Gasto Brasil” na Câmara dos Deputados, no dia 11 de agosto.
A solenidade será às 15h30, no Salão Nobre da Câmara, com as presenças dos presidentes da CACB, Alfredo Cotait Neto, e da CNA, João Martins. Também haverá a exposição do “Painel Gasto Brasil”, que ficará até o dia 13 de agosto no Espaço Mário Covas.
Na ocasião, serão lançadas novas funcionalidades na plataforma para aumentar ainda mais o nível de transparência de dados para a população, com recortes econômicos, valores mais detalhados por população, índice de qualidade da informação e outros dados relevantes.
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