
Presidente do CMEC/DF, Beatriz Guimarães. Crédito: Divulgação
Com novas tecnologias ganhando cada vez mais espaço no mundo, é natural que haja também oportunidades de negócios no campo da inovação. Para a presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura do Distrito Federal (CM/DF), Beatriz Guimarães, as mulheres devem buscar qualificação para ocupar espaços em novas frentes de empreendedorismo.
“Temos a chance de uma grande virada de chave para as jovens brasileiras e para as novas empreendedoras, que é investir nas áreas de ciência, tecnologia e inovação. Por exemplo, nós só temos 20% de mulheres nos bancos universitários na área de exatas. Mas, hoje, 60% das pessoas que se formam nas universidades são mulheres”, contextualiza a presidente do CMEC/DF.
Ela comenta que apenas 10% das mulheres estão nas áreas de estudos voltados à ciência, tecnologia e inovação. “A gente tá falando de rede, de programação, de game, de software. Então, a virada de chave que a gente tem que dar é conseguir que a nossa juventude e que as mulheres que queiram empreender comecem a investir nessas áreas. Inclusive, o ticket de remuneração é mais alto”, afirma Beatriz, que também indica as áreas de engenharia e mercado financeiro como focos de interesse para mulheres empreendedoras.
“Se hoje eu fosse fazer um plano de governo, um plano de metas, seria o de investir nas meninas que estão no ensino médio para mudar a mentalidade delas”, diz. Ela explica que mudanças como essa podem mudar o ecossistema de negócio no Brasil e levar a mulher a mais espaços de tomada de decisão, alterando o perfil do empreendedorismo feminino.
Dados
De acordo com o Sebrae, 116 mil mulheres estão à frente de negócios no DF, o que representa 35,3% de um universo de 328,3 mil empreendedores, considerando o quarto trimestre de 2025. O levantamento indica que houve crescimento de 51,6% no número de mulheres donas de negócios quando comparado com 2012.
Para a Beatriz Guimarães, “Brasília é referência na pauta de empreendedorismo feminino porque esse movimento está se consolidando com tanta credibilidade que nós somos a primeira unidade da federação a ter uma lei de empreendedorismo feminino no País”, conta.
De acordo com a presidente do CMEC/DF, no cenário geral, há grande concentração de empreendedoras em alguns segmentos. “Nós temos um grande gargalo, pois 70% das empresas lideradas por mulheres ainda são na área de vestuário, alimentação e beleza”. Para ela, esse perfil tem relação com o empreendedorismo por necessidade.
Intercâmbio
Beatriz cita a China, a Rússia e a Índia como referências de países onde há mulheres altamente preparadas para os negócios e diz que é importante a troca de experiência. “Se nós estamos preparadas, a gente tem que pensar em dar um salto, porque, por exemplo, grandes negócios na Índia são liderados por mulheres. Esse intercâmbio cultural é muito importante”, defende.
E para as que já estão em algum negócio familiar, Beatriz chama a atenção para os processos sucessórios que deixam as mulheres à margem. “A gente ainda tem um patriarcado muito grande. Então, a questão de sucessão é um gargalo para as empresárias brasileiras que vem de famílias que têm os seus negócios. O olhar sempre é primeiro para o homem”, diz Beatriz.
De acordo com a presidente do CMEC/DF, a empreendedora iniciante deve ter clareza do que quer fazer, saber que problema quer resolver com o empreendimento, ter conhecimento técnico e rede apoio como pilares iniciais. Por outro lado, Beatriz afirma que também são necessárias políticas públicas de apoio e suporte às mulheres, como a existência de creches em horários adequados às necessidades das mães.
Pioneirismo
Beatriz Guimarães conta que foi o DF a primeira Unidade Federada (UF) do País a lançar uma Frente do Empreendedorismo Feminino na Câmara Legislativa, em 2023. Antes disso, em 2020, publicou a primeira lei de incentivos para incremento das atividades econômicas lideradas por mulheres.
No entanto, no que se refere à lei de incentivo, a presidente do CMEC/DF, embora a considere importante, afirma que o Governo do DF (GDF) vetou dois dispositivos essenciais: a facilitação de acesso a linhas de crédito para micro, pequenas e médias empreendedoras; e um fundo de recursos destinado a “iniciativas empresariais ou autônomas de mulheres, por meio de verbas enviadas por empresas e entidades sociais. Em compensação, o GDF concederia incentivos fiscais aos colaboradores”, conforme noticiado pelo G1 à época da publicação da lei.
“Os dois vetos comprometeram a lei. Porque acesso à crédito e um fundo de crédito seriam fundamentais para o empreendedorismo feminino crescer. Foi muito frustrante”, conta a presidente do CMEC/DF.
Liderança
“Costumo dizer que o empreendedorismo entrou na minha vida mesmo antes de eu saber esse nome. Meu primeiro trabalho foi como funcionária pública. E eu me deparei com uma grande frustração. Em Brasília, todo mundo sonha em ter estabilidade e ser funcionário público. E eu, com 25 para 26 anos, pedi demissão do serviço público”, relembra Beatriz, que depois foi trabalhar numa empresa familiar de turismo rural.
Em sua trajetória, também trabalhou com consultoria nas áreas de cultura e patrimônio, tendo a mãe como principal referência na vida. Há 6 anos, ajudou a criar Câmara de Mulheres Empreendedoras na Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Distrito Federal (Fecomércio-DF), uma instância essencial para incentivar o empreendedorismo feminino local, assim como o CMEC/DF.
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