
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
Dados reunidos pelo jornal O Estado de São Paulo, apontam que Brasil deve gastar R$ 1,7 trilhão com servidores públicos em 2025, somando as despesas da União, Estados e 5.143 municípios (90% do total) com funcionários da ativa e aposentados.
Os números, publicados neste domingo (7), vão ao encontro do que mostra o painel Gasto Brasil da CACB e ACSP, que revela que despesas públicas totais já ultrapassam 3,5 trilhões, incluindo desembolso para pagamento de servidores e previdência, e somam R$ 900 bilhões a mais do que as receitas contabilizadas pelo Impostômetro da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Diante do quadro apresentado, pelo Estadão e Painel Gasto Brasil, o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, classifica como urgente a necessidade de buscar eficiência no uso do dinheiro público. “Não há outro caminho. O Brasil está perto de uma situação crítica. Governantes e gestores têm que encontrar formas de controlar despesas obrigatórias e aumentar a arrecadação — sem sufocar a economia. O Estado brasileiro precisa custar menos, para dar espaço aos investimentos”, destaca.
De acordo com o levantamento do Estadão, se o número se confirmar, o valor pago a servidores da ativa e aposentados vai ser recorde e cerca de R$ 150 bilhões a mais do que em 2024. Na avaliação do jornal, a Reforma Administrativa em discussão no Congresso Nacional não deve atingir a estabilidade dos servidores, mas precisa impor medidas de avaliação de desempenho e corrigir algumas distorções, como os supersalários acima do teto constitucional.
Dados de 2022, segundo o Estadão, apontam que o Brasil emprega menos funcionários públicos e gasta mais do que outras nações, levando em conta pesquisas da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O país tem cerca de 11 milhões de funcionários públicos.
Para Alfredo Cotait, o controle dos gastos públicos é uma necessidade para garantir não apenas a saúde fiscal do Estado, mas também para promover o desenvolvimento social e econômico. “Os empreendedores estão prontos para esse debate. Há soluções inovadoras e saídas que podem ser copiadas de outros países, por exemplo. É preciso criar ambientes de discussão, de troca de ideias. Empreender no Brasil não pode continuar sendo um ato de coragem solitária. É o momento de se discutir avanços estruturais, antes que seja tarde”, enfatiza.
O Painel Gasto Brasil reúne dados de todas as esferas de governo, além do Banco Central e de empresas públicas não financeiras. Atualmente, as despesas totais do governo federal estão em R$ 1,5 trilhão, dos Estados R$ 1 trilhão e dos municípios também R$ 1 trilhão.
As informações estão disponíveis para consulta no site http://gastobrasil.com.br . A iniciativa tem como objetivo conscientizar a população sobre a dimensão das despesas governamentais e fomentar o debate sobre o uso eficiente dos tributos pagos pelos contribuintes.
Leia a íntegra da matéria do Estadão