Imprensa
CORRIDA PRESIDENCIAL

Ciro Gomes critica ex-presidentes e sustenta que o modelo de coalizão não funciona mais no Brasil

O candidato à Presidência da República defendeu novo modelo político e econômico para o país e destacou a importância de reformas fiscais e programas sociais de crédito para empresas e pessoas

18 de agosto de 2022 às 18:57

O ex-ministro e candidato à Presidência da República pelo PDT, Ciro Gomes, apontou histórico de corrupção nos mandatos dos ex-presidentes do Brasil, desde Fernando Collor até o atual. Com maior foco das críticas ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), e ao ex-mandatário Luiz Inácio Lula da Silva, Gomes aproveitou para propor mudanças no modelo político e econômico vigente. “Esse modelo é a certeza do fracasso e da eternização aprofundada da crise”, afirmou.

As declarações foram dadas na manhã desta quinta-feira (18/8), no Ciclo de Debates com Pré-Candidatos à Presidência da República, promovido pelo Conselho Político e Social (Cops), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), em parceria com a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB).

Ciro deu ênfase à permanência de figuras na política que perpassam governos e, eventualmente, são alvos em investigações e processos de corrupção. “O Roberto Jefferson, que fez um notável discurso em defesa do Collor, aparece no governo Lula protagonizando o escândalo do mensalão. Porque o Lula deu os Correios a ele para ele poder roubar. Agora surge como lugar-tenente do Bolsonaro, condenado”, lembrou.

Em seguida, em uma crítica mais generalizada ao bloco político denominado “centrão” e ao modelo de presidencialismo de coalizão, Ciro listou uma sequência de acontecimentos na história que, segundo ele, evidenciam a falência do modelo político. “Collor governa com essa gente e é cassado. O Fernando Henrique governa com essa gente, não foi cassado, mas o PSDB perdeu a condição nacional de disputa. O Lula governa com essa gente e é preso. A Dilma governa com essa gente e é cassada. O Michel Temer governa com essa gente e é preso. E o Bolsonaro governa com essa mesma gente e está desmoralizado, esperneando com delírios golpistas”, destacou.

Plano de ação

Durante a reunião, o candidato à Presidência fez propostas para a melhoria da situação econômica do país e dividiu em etapas de curto e longo prazo o seu plano de ação a ser posto em prática, uma vez eleito. Segundo ele, há a intenção de se buscar as melhores práticas internacionais para cada tema e utilizá-los como modelo para o Brasil. A longo prazo, Ciro propõe o fortalecimento da relação entre o Estado, a iniciativa privada e a academia. “Uma coordenação estratégica entre um governo forte, com capacidade de intervir, liderar, um empresariado forte, convergente, com capacidade de investir e um apetite animal de construir, de crescer, de melhorar e, terceiro, coordenar com o pensamento acadêmico a resposta tecnológica”, sugeriu. Combater a evasão escolar também é um dos projetos de longo prazo defendidos pelo candidato, como forma de criar um mercado de trabalho mais saudável.

As medidas mais imediatas foram divididas em quatro etapas por Ciro. A primeira citada foi o impulsionamento do consumo das famílias, com a geração de empregos, promoção do aumento de renda e disponibilização de crédito. “Se as famílias incrementam o seu consumo, vende-se mais. A gente precisa lecionar o trivial para o mundo político brasileiro. O consumo das famílias está num nível de depressão histórico. […] Onde posso fazer política pública? No crédito. Reestruturar o passivo das famílias, fazer um grande plano de reeducação financeira”, propôs.

Em seguida, o ex-ministro defendeu fazer o mesmo para as empresas e criticou os altos juros no Brasil. “Seis milhões de empresas estão no Serasa hoje. O Brasil constituiu reservas cambiais que são, pelo menos, três vezes aquele padrão que o FMI e o Banco Internacional recomendam. […] e R$360 bilhões de dólares não são necessários [na reserva]. Você pode pegar R$40 bilhões disso e trazer para o comércio. Eu posso fazer um caminho que vou idealizar uma política de crédito severa. O empresariado brasileiro não é caloteiro, mas está imposto uma taxa de juro impagável”, argumentou.

Em terceiro lugar, movimentar as obras voltadas para infraestrutura. “Em tempo de depressão econômica, o investimento público cumpre uma função. São 14 mil obras que estão paradas. Já estão licenciadas, licitadas, e tão paradas”, criticou. Por fim, Ciro falou sobre a necessidade de reindustrializar o Brasil. “Toda economia pós-industrial tem a indústria como base. O Brasil está se ‘commoditiezando’ novamente”, disse. Em sua proposta, o objetivo é ampliar a competitividade do mercado interno, com a modernização do mesmo e com a criação de um ambiente de negócios propício para que isso aconteça.

Demandas das Associações Comerciais

O evento foi liderado pelo presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), e da Federação das Associações Comerciais de São Paulo (Facesp), Alfredo Cotait Neto. Após a exposição do candidato, Cotait trouxe para a discussão a desoneração da folha de pagamento. “É um tema muito importante para o meu público. Na minha estrutura, onde incluo a Confederação, 27 Federações, tenho mais de 2 milhões de associados e empreendedores. Então, eu escuto a base. Nós precisamos ser ouvidos. É fundamental colocar a sociedade civil devidamente representada para ser ouvida”, afirmou.

Sobre o tema, Ciro Gomes defendeu a necessidade de uma reforma fiscal. “Os capítulos tributário e previdenciário, por uma peculiaridade brasileira, estão necessariamente e organicamente imbricados. Na Previdência Social, para a gente anunciar o ideal, que é desonerar a folha de pagamento ao máximo, para estimular a reformalização (sic) do mercado de trabalho”, defendeu. Além disso, Gomes falou sobre a necessidade da academia em estudar novos modelos capazes de suprir as necessidades fiscais do Brasil.

O diretor da Associação Comercial Piauiense, Fábio Nery, contribuiu com o debate ao questionar o candidato sobre os planos para conter o avanço do câmbio, dos juros, e da inflação. Para Ciro, é possível resolver o problema com a realocação de recursos e com mudanças nas áreas fiscais e tributárias do país – taxar grandes heranças e rever benefícios fiscais foram exemplos dados pelo candidato como forma de ajudar a solucionar a questão.

Questionado pelo presidente da Federação das Associações Comerciais do Ceará, João Porto Guimarães, sobre uma reforma tributária, Ciro defendeu a unificação de impostos. “Unificar seis impostos no único IVA. Isso é consonante com as melhores práticas internacionais”, destacou.

Fotos: Flickr ACSP

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