
Ariane Arrais, proprietária do Brechó Valen Bella e integrante do CMEC. Foto: Daniel Fagundes/Trilux
“Apoiar as empreendedoras é defender a inovação, a inclusão e o futuro mais justo, porque quando nós mulheres abrimos nossos próprios negócios, nos transformamos e mudamos também a vida de quem está ao nosso redor e a todos, pois a economia cresce e a sociedade ganha diversidade e novas ideias”. É o que constata Ariane Arrais, proprietária do Brechó Valen Bella, uma microempresa em Brasília.
Ariane faz parte de um grupo de 10,4 milhões de empreendedoras do Brasil, que nesta quarta-feira (19) celebram o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino. No País, de acordo com os dados do IBGE, elas são donas de um em cada três negócios. Nos últimos 12 anos, a presença das mulheres como empregadoras ou trabalhadoras por conta própria cresceu 42%.
Para ela, que integra o Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC) do bairro Jardim Botânico de Brasília, o empreendedorismo feminino, além de dar autonomia, fortalece e inspira outras mulheres. “Abre portas e mostra que é possível equilibrar o trabalho, a família e vida pessoal”, avalia.
“Falar do empreendedorismo feminino é falar de oportunidades, de sonhos, de coragem. Quando uma mulher decide empreender, ela não está apenas abrindo um negócio, mas criando um espaço onde possamos crescer, se a gente mesma e construir um caminho com mais liberdade”, ressalta Ariane.
De acordo com dados do Sebrae, o percentual de donas de negócios com curso superior subiu de 20,9% para 34,5% de 2014 a 2024. A maior parte delas (57%) atuam na área de Serviços e 27% no comércio, e o rendimento médio mensal está na faixa de R$ 2,8 mil. A mais elevada participação feminina está no estado do Rio de Janeiro (39%) e a menor, no Acre (25%).
Desafios
A pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM) Brasil 2024 apresenta alguns desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras no Brasil, que incluem sobrecarga de atividades domésticas e de cuidado com filhos e familiares, menos tempo e oportunidades, menor acesso a recursos financeiros para empreender e baixa confiança para empreender. Ainda segundo o levantamento publicado pelo Sebrae, a principal motivação das mulheres para empreender no Brasil é a necessidade.

Mila Pimentel, vice-conselheira do CMEC do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação/ACRJ
Para Mila Pimentel, vice-conselheira do CMEC do Rio de Janeiro, ser mulher no mundo dos negócios é um grande desafio. “Por isso a necessidade de contribuição do CMEC. Existem importantes parcerias institucionais em curso, que auxiliam essa jornada e fortalecem o empreendedorismo”, destaca.
A empresária reforça que o CMEC atua como um lugar de conhecimento, negócios, relacionamento. “Nossos encontros têm o propósito de tratar de eixos como o associativismo, empreendedorismo, aumento da competitividade e da representatividade.”
A médica e empresária carioca Isabella Tanure Correa, de 43 anos, presidente do Conselho de Administração da Alliança Saúde, avalia que para estimular o empreendedorismo feminino é fundamental criar condições mais equitativas: acesso a crédito direcionado, programas de mentoria e formação de lideranças, políticas de compras públicas com recorte de gênero e incentivo à participação em conselhos e cargos executivos.
“Mais do que corrigir desigualdades, trata-se de reconhecer que a liderança feminina agrega valor real aos negócios, diversifica olhares e fortalece a sustentabilidade das empresas e do próprio setor de saúde no país”, afirma.
Liberdade para empreender
Direcionada a empresárias e empreendedoras, a sexta edição do Liberdade para Empreender será realizada pelo Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC) no dia 25 de novembro, das 8h às 19h, em São Paulo. O evento terá especialistas em gestão, saúde emocional, tecnologia, longevidade e inovação, que falarão sobre os desafios de empreender e viver no mundo digital, com foco no equilíbrio e bem-estar. O tema deste ano é On-line/Off-line – Empreender no Digital e Viver no Real: Equilíbrio é o Novo Sucesso. O CMEC é vinculado à Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Sobre a data
A Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou, em 2014, a data como estratégia de visibilidade aos desafios e conquistas das mulheres no empreendedorismo. O Brasil avançou na pauta com a sanção da Lei nº 14.667, que instituiu a Semana do Empreendedorismo Feminino, também em novembro. A legislação tem o propósito de “conscientizar a população brasileira sobre os desafios enfrentados pelas mulheres empreendedoras”.