
Em entrevista à Rádio Gaúcha, nesta segunda-feira (28), o presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), Alfredo Cotait Neto, afirmou que a aplicação de um tarifário de 50% sobre exportações brasileiras para os Estados Unidos pode ter efeitos devastadores sobre as micro e pequenas empresas. “Se permanecer o tarifário de 50%, muitas [pequenas empresas] que só têm como produto a exportação para os Estados Unidos vão desaparecer, porque não se consegue gerar mercado da noite pro dia”, alertou. Segundo Cotait, cerca de 4.500 empresas brasileiras de menor porte exportam para o mercado norte-americano, com destaque para setores como cafés especiais, vestuário e materiais de banho.
O presidente ressaltou que essas empresas representam apenas 1,2% do volume total exportado pelo Brasil, mas cumprem um papel essencial na geração de empregos e no desenvolvimento local. “O problema dos pequenos é muito mais a subsistência e a empregabilidade”, afirmou. Ele também criticou a ausência de diálogo do governo federal com o setor: “O governo está muito focado em resolver os grandes por causa da balança comercial. Os pequenos não foram ainda convidados. Nós não fomos convidados, e representamos os pequenos”.
Questionado sobre medidas de apoio, o presidente da CACB foi direto ao dizer que as linhas de crédito anunciadas não resolvem o problema se mantidas as atuais taxas de juros. “Se vier um apoio com crédito nas mesmas taxas ou mesmo que seja uma taxa subsidiada, mas com valor pequeno, não vai resolver”, disse. Cotait defendeu que o governo ofereça condições reais de sustentação às pequenas empresas e apoio na busca por novos mercados, caso a taxação entre em vigor.
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