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44% das empresas ainda percebem efeitos negativos da Covid-19, aponta IBGE

Pesquisa do IBGE também aponta que quase oito em dez firmas não reduziram quadro de funcionários no período

18 de agosto de 2020 - 10:19

Foto: Werther Santana-Estadão

A flexibilização do distanciamento social em diversas regiões do país ainda não devolveu o mesmo dinamismo da economia antes da pandemia. Quatro em cada dez empresas ainda percebiam efeitos negativos da crise gerada pela Covid-19 em seus negócios no começo de julho. Os dados são da Pesquisa Pulso Empresa, divulgada nesta terça (18) pelo IBGE.

Segundo a pesquisa, as pequenas empresas foram as mais afetadas. De 2,7 milhões de empresas nessa faixa, 44,9% sofreram impacto negativo. Entre médias empresas (de 50 a 499 funcionários) e as de maior porte (a partir de 500 funcionários), o impacto foi menor: 39,1% e 39,2%, respectivamente.

Entre os setores, os efeitos são mais sentidos no setor de serviços. 47% das 1,2 milhão de empresas do segmento ainda sentem impactos negativos, com destaque para serviços prestados às famílias e os serviços profissionais, administrativos e complementares. Economistas afirmam que o grupo será o último a se recuperar da crise.

Os números indicam que as vendas abaixo do normal são sentidas por grande parte das empresas. Na primeira quinzena de julho, mais de 46% das empresas em funcionamento ainda sentia um impacto negativo na comercialização de produtos. No comércio varejista, no entanto, isso era sentido por mais da metade dos empresários.

A despeito dos dados ainda abaixo do período pré-pandemia, a pesquisa mostra uma pequena melhora na saúde das empresas, na comparação com a segunda quinzena de junho, edição da última pequisa.

— Ainda há uma grande incidência de impacto negativo, mas já começamos a perceber uma melhora, visto que, na quinzena anterior, o impacto negativo atingiu 62,4% das empresas — ressalta Flávio Magheli, coordenador de Pesquisas Conjunturais em Empresas do IBGE.

Economistas afirmam que a tendência é a diminuição gradual dos impactos da pandemia nos próximos meses, com uma maior confiança do consumidor e consolidação da flexibilização dos protocolos em diversas regiões.

No entanto, indicadores de fluxo nas ruas mostram que o patamar de movimento segue abaixo do período pré-pandemia. Dados do Google indicam que o fluxo em lojas de varejo e lazer ainda está 21% abaixo do pré-pandemia, assim como o movimento em parques (-23%), transporte público (-23%) e locais de trabalho (-10%).

No início de junho, a pesquisa mostrou que durante a pandemia de Covid-19, o país perdeu 716 mil empresas.

Segundo o levantamento, os efeitos da pandemia atingiram todos os setores da economia, mas foram mais intensos nos principais segmentos geradores de emprego no país: serviços e pequenas empresas. Entre as firmas que não voltarão a abrir as portas, 99,8% eram de pequeno porte.

Fonte: O Globo

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