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Vendas do varejo têm o melhor abril desde 2006

Resultado ficou positivo em 1%; ante o mesmo mês de 2016, comércio avançou 1,9%, primeiro resultado positivo em 24 meses

13 de junho de 2017 às 14:31

Vendas no comércio varejista sobem 1% em abril, aponta IBGE. Foto: Felipe Rosa/ ACP-PR

As vendas do comércio varejista brasileiro avançaram 1,0% em abril frente ao mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (13). Foi o melhor resultado para o mês desde 2006, quando o índice avançou 1,1%. Em abril de 2008, o indicador também subiu 1%.

Em março, as vendas tiveram o pior resultado para o mês em 14 anos.

“Esse resultado de 1% faz com que o patamar das vendas permaneça estável e fique quase 10% abaixo do pico histórico do comércio, que foi em novembro de 2014”, destacou a gerente da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE, Isabella Nunes.

Infográfico: G1

“A redução da inflação e os recursos liberados do FGTS [das contas inativas] tem impacto em atividades que são básicas. Embora parte destes recursos sejam usados para pagar dívidas, eles impactam o comércio”, diz a pesquisadora.

Já a receita nominal do varejo subiu 1,3%. Segundo o IBGE, o resultado no volume de vendas compensou parte da queda de 1,6% acumulada nos dois meses anteriores. Com isso, a variação da média móvel trimestral ficou praticamente estável (-0,2%), tanto para o volume quanto para a receita nominal de vendas.

Infográfico: G1

1ª alta em 24 meses

Em relação a abril de 2016, o varejo cresceu 1,9%. Foi o primeiro resultado positivo em 24 meses, interrompendo uma sequência de quedas que teve início em abril de 2015.

Nesta mesma base de comparação, o índice acumula uma queda de 1,6% nos quatro primeiros meses do ano, em termos de volume de vendas. O indicador acumulado nos últimos doze meses recuou 4,6%, a menor taxa desde janeiro de 2016, quando caiu 5,3%.

Na comparação anual, o resultado de 1,9% tem influência direta da páscoa, segundo a pesquisadora. “Esse efeito páscoa não atinge todo o comércio de modo geral. Mas, os supermercados sempre têm influência positiva”, disse. Isabella enfatizou que, no ano passado, a páscoa foi comemorada em março.

“Em termos conjunturais, é uma situação melhor que em 2016 em relação ao ritmo de quedas. Mas, é importante a gente ponderar que o resultado de abril tem uma particularidade, que é a influência da páscoa e a base de comparação muito depreciada”, avaliou Isabella. A pesquisadora destacou, no entanto, que tirando o efeito sazonal da páscoa, ainda assim o resultado na comparação interanual seria positivo de 0,2%.

Segmentos em destaque

Três das oito atividades pesquisadas pelo IBGE avançaram entre março e abril. A principal influência positiva foi a dos hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com um aumento de 0,9% nas vendas.

Isabella ponderou que o avanço no segmento de hipermercados vem após uma queda acumulada de 6% nos dois meses anteriores. “Ou seja, o resultado é positivo mas não recupera a queda”.

Em seguida, vieram as atividades tecidos, vestuário e calçados (3,5%) e equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (10,2%), que também tivieram taxas positivas frente ao mês de março.

Já a pressão negativa ficou por conta de livros, jornais, revistas e papelaria, com recuo de 4,1%; móveis e eletrodomésticos caiu 2,8%; combustíveis e lubrificantes retrocedeu 0,8%; e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos caiu 0,4%. Já as vendas do setor de outros artigos de uso pessoal e doméstico variaram 0,1%, praticamente estáveis em relação ao mês anterior.

Varejo ampliado

O comércio varejista ampliado, que inclui, além do varejo, as atividades de veículos, motos, partes e peças e material de construção, teve variaçãpo negativa de 0,4% no volume de vendas em relação a abril de 2016, e 0,7% na receita nominal.

No acumulado do ano, o varejo ampliado encolheu 1,8% até abril, enquanto que recuou 6,3% nos últimos 12 meses para o volume de vendas. Já para receita nominal, ouve avanço de 0,3% no ano e queda de 0,4% em 12 meses.

Diante desse resultado, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) revisou para cima sua expectativa de crescimento do varejo ampliado para o ano, de 1,2% para 1,4%. Para o varejo restrito, a entidade espera avanço de 1%.

“À percepção de que fundamentos importantes para o varejo (como a inflação, os juros e a confiança do consumidor) têm contribuído para a reação das vendas no curto prazo, deve-se somar a fundamental recuperação do mercado de trabalho a partir da segunda metade do ano, uma variável-chave para a reativação da capacidade de consumo da população”, disse a entidade em nota.

A CNC destacou também que a recuperação no segmento supermercadista será fundamental para a retomada do setor como um todo.

Fonte: G1

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