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ECONOMIA

Recuperação econômica passa pela reabertura responsável do comércio

Economista Paulo Rabello de Castro defende retomada das atividades comerciais e agilidade na distribuição de recursos para conter os efeitos da crise e impulsionar crescimento do país

7 de maio de 2020 às 10:16

O comércio, organizado em atacado e varejo de mercadorias, é o maior empregador brasileiro. De acordo com dados do IBGE, o setor emprega 8,5 milhões de pessoas com carteira assinada, ou 26% dos trabalhadores formais do país.

Como importante pilar da economia nacional, a participação do setor na recuperação econômica pós-covid-19 será fundamental, segundo o economista Paulo Rabello de Castro, ex-presidente do IBGE e do BNDES.

“O setor comercial, como emprega uma massa gigantesca de trabalhadores e de forma diversificada, possui uma ótima capacidade de responder favoravelmente em uma retomada como a que estamos precisando”, afirmou o economista durante webinar realizado pela Associação Comercial de Sorocaba (ACSO).

Foto: FábioMotta/Agência Estado

De acordo com Rabello, para que o setor possa servir como fonte propulsora para o crescimento econômico do país, ele precisa ser reaberto logo, seguindo todas as medidas sanitárias e adotando protocolos de segurança.

“O comércio, nas atividades atualmente permitidas para funcionar, tem sido extremamente disciplinado nas medidas sanitárias e no controle do número de pessoas que podem entrar nos estabelecimentos”, disse.

A reabertura do setor de forma disciplinada e responsável, para o economista, “é o pacto que nós deveríamos fazer por regiões do país, com teste em massa, uso da máscara e ferramentas adequadas de distanciamento”.

Cenário 2020/2021

O avanço da pandemia do novo coronavírus piorou as previsões feitas pela empresa de Rabello, a RC Consultores, quanto às expectativas econômicas para os anos de 2020 e 2021.

No inicio da quarentena, o economista projetou uma queda de 4,5% no PIB para 2020. No entanto, o FMI fez uma previsão mais recente que indica uma retração de 5,3% na economia brasileira.

“A prorrogação da quarentena além do previsto e a falta de celeridade nas entregas dos planos de socorro emergencial, tanto na área econômica, quanto na saúde, comprometeram nossas previsões”, contou.

Além disso, “a radicalização do cenário político brasileiro, com menor coordenação entre os poderes, inviabilizando a aprovação de medidas estruturais”, são fatores que dificultam o crescimento da economia.

O ex-presidente do BNDES ainda aponta o empobrecimento da pauta econômica e a perda de espaço no cenário internacional, com a percepção do descontrole no combate à pandemia no país, como entraves para a retomada.

Para 2021, Rabello não antevê crescimento na economia, devido principalmente ao empobrecimento do cenário de gestão econômica. “O governo, sobretudo na esfera federal, está deixando a desejar quanto à adoção de um conjunto articulado de medidas para a retomada da economia”, afirmou.

O economista ressaltou que o crédito da ordem de R$ 5 bilhões do BNDES para as micro e pequenas empresas não está chegando de fato aos que mais precisam e que as empresas ainda estão esperando ações do governo para ampará-las “nesse momento extremamente grave”.

Retomada consciente

A retomada econômica do país, na opinião de Rabello, deve ser feita de forma consciente e terá de passar obrigatoriamente pela distribuição rápida e substancial de recursos para a população e para as micro e pequenas empresas, por meio de crédito mais barato.

“Com os recursos dos recolhimentos compulsórios dos bancos, seria possível uma atuação muito mais efetiva no refinanciamento de dívidas das empresas a juros menores e com maiores prazos de pagamento”, disse.

Outra medida importante para o economista seria a criação de um plano de flutuação fiscal, ou seja, um plano de equilíbrio dinâmico para salvaguardar a credibilidade orçamentária.

“Estamos em uma situação em que o anêmico setor empresarial vai ter que arcar com uma inevitável escalada tributária e de juros para fazer frente aos gastos que estão sendo contratados não para socorrer o setor privado, mas para dar guarida à cobertura de supostos déficits no setor público”, explica.

Portanto, uma das consequências esperadas é a expansão inevitável da dívida pública que, segundo o economista, pode chegar a 90% do PIB no final deste ano e a 100% do PIB em 2021, causando uma reação negativa dos investidores que compram esses papéis.

“O governo deveria ter um plano de investimentos que fosse além da parte emergencial. Há recursos e fundos suficientes de origem não fiscal que poderiam ser acionados nesse momento, dentro e fora do BNDES”, afirmou o economista.

Fonte: Diário do Comércio

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