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POLÍTICA MONETÁRIA

Presidente do BC diz que vai levar taxa básica de juros ‘aonde precisar’ para controle da inflação

Segundo Roberto Campos Neto, nunca houve tantos choques de inflação em um período tão curto no Brasil e reconheceu que o IPCA acumulado em 12 meses está bem acima da meta

14 de setembro de 2021 às 11:05

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta terça-feira, 14, que não vai alterar o plano de voo de política monetária a cada número novo de alta frequência de inflação que seja divulgado. Mas frisou que a taxa básica de juros será levada aonde for preciso para alcançar a meta de inflação. “Vamos levar a Selic aonde precisar, mas não vamos reagir sempre a dados de alta frequência”, disse.

Depois da surpresa negativa do IPCA de agosto (0,87%), o mercado passou a considerar um aumento entre 1,25 e 1,50 ponto porcentual na Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 21 e 22 deste mês, o que seria uma aceleração do passo ante a última reunião, quando houve alta de 1 ponto.

O presidente do BC afirmou que nunca houve tantos choques de inflação em um período tão curto no Brasil, destacando as altas nos preços de alimentos, energia elétrica e combustíveis. Campos Neto reconheceu que a inflação em 12 meses tem rodado bem acima da meta e disse que o BC tem observado os núcleos para verificar a disseminação. Segundo o presidente do BC, já era esperado o aumento de serviços e reajustes mais fortes em componentes que foram represados.

Campos Neto ainda repetiu que as expectativas de inflação para 2021 e 2022 estão subindo e que o BC está avaliando as diferenças entre as previsões do mercado e do Copom.

Ele participa do evento MacroDay 2021, do BTG Pactual, que ocorre de forma presencial, seguindo, segundo a instituição, os protocolos sanitários.

Economistas projetam IPCA de 8% no fim do ano
Na segunda-feira, 13, após mais uma semana de crise política e novas surpresas negativas na inflação, os mais de 100 economistas consultados semanalmente pelo Banco Central fizeram uma nova rodada de deterioração nas expectativas para este e o próximo ano. O mercado financeiro continua apostando em preços mais altos, crescimento mais baixo da economia e juros ainda mais elevados em 2021 e 2022.

A projeção do Relatório de Mercado Focus para a inflação em 2021 se distanciou ainda mais do teto da meta perseguida pelo Banco Central. Os economistas alteraram a previsão para o IPCA – o índice oficial de preços – de alta de 7,63% para 8% no fim deste ano. Há um mês, estava em 7,05%. A projeção para o índice em 2022 foi de 3,98% para 4,03%.

A projeção dos economistas para a inflação está bem acima do teto da meta de 2021, de 5,25%. O centro da meta para o ano é de 3,75%, sendo que a margem de tolerância é de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). A meta de 2022 é de 3,50%, com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%).

Considerando apenas os 76 analistas que responderam a pesquisa na semana passada, a projeção para o IPCA de 2021 ficou ainda maior, passando de 7,76% para 8,20%. Para 2022, a estimativa desse grupo passou de 3,98% para 4,10%.

A meta de inflação é fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Para alcançá-la, o Banco Central eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia. Na hipótese de a meta de inflação ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma “carta aberta” a Guedes, explicando as razões para o estouro. A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018 e o motivo foi o descumprimento em outra direção, por a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta. O ex-presidente Ilan Goldfajn justificou, à época, que o maior impacto para a inflação ter desabado em 2017 foi a queda dos alimentos por causa da safra recorde.

Com a inflação puxada pelos preços de alimentos, combustíveis e energia elétrica, o mercado já espera que o BC eleve a taxa básica Selic de forma mais contundente ainda este ano. A mediana das previsões para os neste ano passou de 7,63% em 8% ao ano. Um mês atrás, os economistas esperavam uma Selic de 7,50% no fim de 2021.

No começo de agosto, o Copom subiu pela quarta vez consecutiva a Selic e acelerou o ritmo ao elevá-la em 1,00 ponto porcentual, para 5,25% ao ano. Ao mesmo tempo, o colegiado sinalizou um novo aumento de mesma magnitude para a próxima reunião, neste mês. No entanto, a persistência da inflação e o agravamento da crise hídrica têm reforçado as apostas do mercado por alta maior da Selic na próxima semana.

Para o fim de 2022, os economistas do mercado financeiro elevaram a expectativa para a taxa Selic de 7,75% para 8% ao ano, o que pressupõe estabilidade do juro básico da economia no ano que vem.

Fonte: Estadao

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