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ESPECIAL MULHERES

Liderança na ACMinas, Eliane Ramos aposta na busca pelo novo e em políticas de equidade para estimular o empreendedorismo feminino

Vice-presidente da organização mineira, a empresária afirma que é necessário romper com as barreias que impedem a ascensão das mulheres nos negócios

2 de março de 2026 às 15:03

Crédito: Fábio Ortolan/ACMinas

O protagonismo feminino no empreendedorismo vem ganhando força ao longo dos anos, atingindo seu melhor patamar em 2024 (10,4 milhões de empreendedoras). E dados recentes estimam que mais de 50% delas possuem ensino superior, representando qualificação na trajetória dessas mulheres.

No entanto, na avaliação da vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Eliane Ramos, o cenário pode ser melhor se houver menos barreiras à ascensão feminina, tanto no empreendedorismo quanto no mercado de trabalho em geral.

Para a vice-presidente da organização mineira, a situação exige políticas (públicas e privadas) de estímulo à mulher e que promovam a equidade nas organizações, como a realização mentorias específicas. Na visão dela, a ausência desse tipo de mecanismo perpetua a desigualdade de gênero e o machismo nas instituições. “A gente quer equidade!”, defende.

“Uma disparidade de remuneração por gênero não faz sentido, sendo que a mulher pode entregar tanto quanto o homem. É muito importante, tanto no associativismo como nas organizações, uma representação política de liderança”, afirmou Eliane Ramos.

Reforçando esse ponto de vista, Eliane Ramos avalia: “as mulheres estão no mercado de trabalho em cargos de assistente, estagiário, analista, coordenação. Mas quando vai subindo para cargos de diretoria, presidentes, vice-presidentes, a gente vê que isso vai diminuindo”.

Na subida da mulher aos cargos mais altos, ela refere-se ao chamado “degrau quebrado” (broken rung), que é o momento em que a ela se impõe uma escolha: continuar investindo na carreira ou cuidar da família? “Mas dá para fazer os dois!”, defende. “Eu mesma, quando virei mãe, eu acredito que a minha energia para o trabalho aumentou muito mais, porque eu tinha uma responsabilidade. Eu acredito que dá para conciliar”, relata Eliane.

União feminina

“A sororidade quer dizer irmandade. Ou seja, significa mais empatia e união entre as mulheres. É uma mulher ajudando a outra, e isso é muito importante. Uma mulher dando exemplo para outra. Não é uma mulher comparando uma com a outra. E, sim, a gente se preocupar, cada vez mais, em sermos as melhores que a gente possa ser”, defende.

Para Eliane, algo importante nas relações sociais é entender que as mulheres buscam um equilíbrio socioeconômico, não uma hegemonia feminina. Trata-se de ter diversidade em papéis de conselho, em presidências e vice-presidências.

Fazer o que se quer

Empreendedora desde os 20 anos, Eliane apostou em uma empresa de tecnologia, ligada à área de gestão de pessoas, e mantém-se no segmento até os dias de hoje. “Desde cedo, eu percebo que busquei aquilo que fazia sentido para minha carreira, acreditando que poderia fazer coisas novas e de diferentes”, relata a vice-presidente da ACMinas.

“E eu vejo que essa geração minha, de 50 anos e mais, chegando nos 60, talvez seja uma geração que busca muito não se abalar pelas críticas, de acreditar em si, de buscar sempre o autoconhecimento. Eu acho que o tempo inteiro a gente tá lutando para buscar coisas novas e diferentes”, diz Eliane Ramos, que acredita ser de uma primeira geração que está envelhecendo “do jeito que quer”.

Neste contexto, Eliane refere-se a si mesma com uma pessoa da geração NOLT (New Older Living Trend), que indica uma nova tendência de como viver a maturidade na faixa dos 50 anos ou mais. Na visão dela, uma geração que viaja, cria, empreende, estuda, cuida do corpo e da mente. “Hoje, se fala que essa geração de 50, 60, 70 anos é uma geração NOLT, que é aquela que está sempre buscando, de forma produtiva e intelectualmente ativa, coisas novas, como um outro idioma, ao invés de falar assim: ‘Nossa, na minha época era tão bom porque não tinha esse negócio de celular’. Não! Vamos aprender tecnologia! Não tem uma época melhor, a época melhor é agora, é o hoje!”, diz.

Alertas

Uma das preocupações de Eliane Ramos é relacionada às violências, em todas suas vertentes, tais como física, financeira, moral e sexual, contra as mulheres. Considerando apenas os dados oficiais de feminicídio, o Brasil teve, em 2025, 1.470 casos registrados. Ela também chama a atenção para a sobrecarga de trabalho para as mulheres e a necessidade de cuidar da saúde mental e bem-estar.

Dicas para novas empreendedoras

“Em primeiro lugar, é acreditar em si. É se conhecer, sabendo quais são os seus pontos fortes, quais são os pontos de atenção. É buscar muito esse autoconhecimento. E gostar de si, é trabalhar muito a autoestima. Não adianta a gente ter várias políticas e tudo se a pessoa não quer. Então, ela tem que se conhecer e saber onde ela quer chegar, o que está buscando no seu desenvolvimento. E buscar ajuda com as outras pessoas e não parar nunca o aprendizado”, sugere Eliane, que acredita na força da amizade, especialmente entre as mulheres.

Parceria

A ACMinas integra o Conselho Deliberativo da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e o Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC), que atua no fomento ao empreendedorismo feminino. A organização mineira também está inserida no grupo G50+, movimento lançado pela CACB para fortalecer a representação política e empresarial no País.

Contato para imprensa:

E-mail: institucional@cacb.org.br

Telefone: (61) 99944-4808 / 3321-8034

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