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Expectativa de recuperação faz com que empresas pensem em contratações

Pesquisa aponta que intenção de admissões no próximo trimestre chega a 2%, alta de 15 pontos percentuais em relação ao mesmo período em 2016, e sinaliza uma preparação do empresariado

23 de junho de 2017 - 09:50

Diante de uma possível retomada econômica, as grandes empresas pensam em contratações no terceiro trimestre do ano, ainda que de maneira contida, aponta pesquisa da agência ManpowerGroup.

De acordo com o levantamento de intenções de novos empregos, o Brasil tem expectativa de crescimento de 2% no número de contratações entre julho e setembro, aumento de 5 pontos percentuais ante o trimestre anterior, quando a marca era de -4% (o ajuste sazonal faz com que a diferença não seja de 6 pontos percentuais). No acumulado dos últimos 12 meses, a diferença é ainda maior em 15 pontos percentuais. Já que no terceiro trimestre de 2016, a expectativa de contratar por parte dos empregadores era de -13%.

Para a diretora de RH, Marketing, Estratégia e Talentos do ManpowerGroup, Márcia Almström, a motivação para a classe empresarial voltar a pensar em contratações, mesmo que de forma lenta, é começar a se preparar para o momento de melhora na economia brasileira.

“Vejo um sentimento grande de querer estar pronto no momento da retomada. Normalmente, até para as empresas conseguirem operar na sua potência máxima, elas têm que ir retomando suas estruturas de equipe, de pessoas, para garantir maior produtividade. Com isso, podemos avaliar que o empresariado está otimista, algo importante, já que a economia considera intenções e expectativas”, analisa.

Segundo a pesquisa, os setores que mais irão se beneficiar são o da agricultura, pesca e mineração, com projeções de 24% de aumento, seguido da indústria, com 5%, e da administração pública, principalmente na área de educação, com 3%, valor idêntico ao do comércio de atacado e varejo, no período avaliado.

O mesmo crescimento, no entanto, não se repete em setores que também costumam apresentar alto contingente, como em construção e transportes, cuja expectativa é de queda de 16% nas contratações, e em serviços, que deve apresentar retração de 5%.

O desequilíbrio entre indústria e serviços pode explicar a previsão de contratações para a cidade de São Paulo no próximo trimestre: -1%. “Apesar da concentração de indústrias em São Paulo, a cidade também é grande no setor de serviços, assim como na parte financeira, e isso deve impossibilitar maior melhora”, explica Márcia Almström.

No estado paulista, por exemplo, a expectativa é positiva em 4%, descontados os efeitos sazonais. A projeção de crescimento também é presente em Minas Gerais e Paraná, com 2%. Já no Rio de Janeiro, a intenção de empregar deve recuar, está em -2%.

As grandes empresas se destacam nessa projeção, com crescimento de 10% na intenção de contratar, enquanto as micro e pequenas empresas devem apresentar baixas de 10% e 3%. As médias empresas se manterão como estão (0%).

Cenário instável

Apesar da economia ser consideravelmente balizada por expectativas, o cenário de crise política pode fazer com que as projeções de melhora não sejam tão garantidas assim. “Temos esse desafio político que causa muita dificuldade para investidores e, assim, o risco no Brasil aumenta. A ameaça política é um dos fatores principais para permitir – ou impedir – que esses indicadores econômicos consigam efetivamente influenciar o País para o crescimento”, alerta Almström.

De acordo com o pesquisador da área de Economia Aplicada da Fundação Getúlio Vargas e Instituto Brasileiro de Economia (FGV-IBRE), Fernado de Holanda Barbosa Filho, o possível otimismo da classe empresarial passa muito mais pela saída de um momento pior da economia do que pela expectativa de uma retomada mais concreta. “A retomada pode ser amenizada por causa da crise política. Mas não vou me surpreender se houver uma queda nesse índice no próximo trimestre por causa dessa instabilidade. O que observamos é que pode haver uma refreada no número, porque tudo gera muita dúvida. O otimismo é baseado por termos saído do fundo do poço. Viu-se que não ia se recuperar na hora em que se esperava, e apesar de estarmos no positivo, é em condições bem difíceis”, afirmou Barbosa Filho.

Comparação mundial

Mesmo com o resultado do Brasil sendo positivo se comparada com momentos anteriores, no cenário mundial a comparação não é tão animadora. Enquanto países como Japão e EUA apresentam projeções de contratação altas, com 24% e 17%, respectivamente, o Brasil guarda as últimas posições do ranking, com os mesmos 2% da França e do Peru, e acima de países como Finlândia, com 1%, República Tcheca, com 2%, e a Itália, com expectativa de -2%.

Países que se encontravam em forte e prolongada crise econômica nos últimos anos também mostraram previsão de melhora em relação às possíveis contratações no próximo trimestre, como Portugal, com 12%, e Grécia, com 11%.

“Pode parecer um resultado fraco internacionalmente, mas estamos saindo da maior recessão de nossa história, em uma recuperação lenta. O que explica a subida é a melhora na crise, que já foi mais profunda”, avalia Fernando de Holanda Barbosa Filho.

Contratações

Fonte: Fenacon

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