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Estabelecimentos não reabrem apesar da flexibilização por falta de ajuda financeira

Apesar da flexibilização do isolamento em várias cidades, donos de estabelecimentos seguem sem conseguir reabrir suas portas por não conseguirem acesso a crédito

07 de julho de 2020 - 09:47

Apesar da flexibilização do isolamento em várias cidades, muitos estabelecimentos ainda não reabriram. Os donos dizem que precisam de ajuda financeira.

Quase quatro meses sem funcionar e Vagner e mãe correm o risco de fechar o bar da família de vez. O prejuízo passou dos R$ 100 mil. Ele pediram empréstimo em cinco instituições financeiras; nenhum saiu.

“Mesmo com um bar estruturado, com tradição, a gente não consegue nenhum tipo de empréstimo para capital de giro. Desde o dia 28 de março, eu já solicito a diversas instituições bancárias, apresento comprovantes e garantias, e nada é concluído”, diz o empresário Vagner Bezerra Duarte.

O vizinho dele conseguiu, nesta segunda-feira (6), o Pronampe, linha de crédito criada pelo governo federal para micro e pequenas empresas. Mas o valor veio bem abaixo do necessário.

“O que tinha sido conversado é que a gente teria direito a até 30% do valor do faturamento de 2019. E o que saiu corresponde a 20% do prometido”, conta o empresário José Maria Canedo. “Infelizmente demorou, está tudo demorando muito a sair. E, quando vem, é abaixo do que a gente precisa. É muito pouco”, afirma Leonardo Canedo.

Por toda a cidade do Rio tem lojas, bares e restaurantes que encerraram as atividades por falta de dinheiro. Em Santa Teresa, um dos bairros cariocas mais tradicionais, o cenário é desolador.

Segundo o Sebrae, 61% dos pequenos negócios do estado não tinham reservas ou dinheiro guardado para enfrentar a crise.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Uma das reclamações dos comerciantes é o tempo de análise dos pedidos, a demora para liberar os empréstimos. E tem ainda as garantias exigidas pelas instituições financeiras. É que quem está passando por dificuldade, está precisando de dinheiro emprestado, certamente não tem como cumprir essas exigências.

Raquel é uma das que não tem garantias. Ela é esteticista e depende do empréstimo para não fechar. “Eu não tenho casa própria e também não tenho carro. Então, eu preciso de capital de giro, no caso, para manter o equilíbrio das contas e o funcionamento. E eu não consigo”, diz.

Para o economista e professor do Insper Otto Nogami, o governo falhou ao não entender a necessidade dos pequenos comerciantes: “Em momento de emergência, tem que se criar mecanismos mais simples, né? Porque no sistema clássico, tradicional, realmente o risco de crédito é latente e, consequentemente, o recurso não vai chegar aonde ele necessita chegar”.

Para esses pequenos, a esperança é que o socorro venha antes que seja tarde demais. “O tempo está se esgotando. Não há mais como nós mantermos nessa situação sem ter um apoio do governo”, diz a empresária Maria de Fátima Bezerra.

A Federação Brasileira de Bancos declarou que as instituições financeiras concederam mais de R$ 50 bilhões em novos empréstimos pra pequenos negócios durante a pandemia. A Febraban reconheceu que a demanda por financiamentos ainda não foi plenamente atendida e afirmou que os bancos vão continuar empenhados para que mais recursos sejam oferecidos a quem precisa de crédito.

O Ministério da Economia afirmou que está em constante diálogo com os setores produtivos e as instituições financeiras em busca de soluções que atendam a todas as partes.

Clique aqui e assista ao vídeo da reportagem.

Fonte: Jornal Nacional

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