Apesar da flexibilização do isolamento em várias cidades, muitos estabelecimentos ainda não reabriram. Os donos dizem que precisam de ajuda financeira.
Quase quatro meses sem funcionar e Vagner e mãe correm o risco de fechar o bar da família de vez. O prejuízo passou dos R$ 100 mil. Ele pediram empréstimo em cinco instituições financeiras; nenhum saiu.
“Mesmo com um bar estruturado, com tradição, a gente não consegue nenhum tipo de empréstimo para capital de giro. Desde o dia 28 de março, eu já solicito a diversas instituições bancárias, apresento comprovantes e garantias, e nada é concluído”, diz o empresário Vagner Bezerra Duarte.
O vizinho dele conseguiu, nesta segunda-feira (6), o Pronampe, linha de crédito criada pelo governo federal para micro e pequenas empresas. Mas o valor veio bem abaixo do necessário.
“O que tinha sido conversado é que a gente teria direito a até 30% do valor do faturamento de 2019. E o que saiu corresponde a 20% do prometido”, conta o empresário José Maria Canedo. “Infelizmente demorou, está tudo demorando muito a sair. E, quando vem, é abaixo do que a gente precisa. É muito pouco”, afirma Leonardo Canedo.
Por toda a cidade do Rio tem lojas, bares e restaurantes que encerraram as atividades por falta de dinheiro. Em Santa Teresa, um dos bairros cariocas mais tradicionais, o cenário é desolador.
Segundo o Sebrae, 61% dos pequenos negócios do estado não tinham reservas ou dinheiro guardado para enfrentar a crise.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Uma das reclamações dos comerciantes é o tempo de análise dos pedidos, a demora para liberar os empréstimos. E tem ainda as garantias exigidas pelas instituições financeiras. É que quem está passando por dificuldade, está precisando de dinheiro emprestado, certamente não tem como cumprir essas exigências.
Raquel é uma das que não tem garantias. Ela é esteticista e depende do empréstimo para não fechar. “Eu não tenho casa própria e também não tenho carro. Então, eu preciso de capital de giro, no caso, para manter o equilíbrio das contas e o funcionamento. E eu não consigo”, diz.
Para o economista e professor do Insper Otto Nogami, o governo falhou ao não entender a necessidade dos pequenos comerciantes: “Em momento de emergência, tem que se criar mecanismos mais simples, né? Porque no sistema clássico, tradicional, realmente o risco de crédito é latente e, consequentemente, o recurso não vai chegar aonde ele necessita chegar”.
Para esses pequenos, a esperança é que o socorro venha antes que seja tarde demais. “O tempo está se esgotando. Não há mais como nós mantermos nessa situação sem ter um apoio do governo”, diz a empresária Maria de Fátima Bezerra.
A Federação Brasileira de Bancos declarou que as instituições financeiras concederam mais de R$ 50 bilhões em novos empréstimos pra pequenos negócios durante a pandemia. A Febraban reconheceu que a demanda por financiamentos ainda não foi plenamente atendida e afirmou que os bancos vão continuar empenhados para que mais recursos sejam oferecidos a quem precisa de crédito.
O Ministério da Economia afirmou que está em constante diálogo com os setores produtivos e as instituições financeiras em busca de soluções que atendam a todas as partes.
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Fonte: Jornal Nacional