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Desemprego cai para 12,8% em julho e atinge 13,3 milhões, diz IBGE

Segundo o IBGE, foi o trabalho informal que vez o desemprego cair de junho para julho

31 de agosto de 2017 às 10:21

O desemprego ficou em 12,8% no trimestre encerrado em julho, segundo dados da PNAD Contínua, divulgados nesta quinta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da pesquisa Pnad Contínua. No período, o Brasil tinha 13,3 milhões de desempregados.

Em relação ao trimestre terminado em junho, o recuo da taxa foi de 0,2 ponto percentual (veja o gráfico abaixo). Já em relação ao trimestre móvel terminado em abril, o recuo foi ainda maior, de 0,8 ponto percentual. No entanto, frente ao mesmo trimestre de 2016, a taxa continua 1,2 ponto percentual maior, quando o desemprego estava em 11,6%.

A taxa de desemprego é medida pelo IBGE por meio de uma média móvel trimestral, ou seja, de três meses, portanto, o dado de julho se refere ao período de maio a julho. O instituto divulga a taxa mensalmente.

Desemprego cai para 12,8% em julho e atinge 13,3 milhões, diz IBGE

Índice de desocupação no trimestre terminado em julho. Foto: Editoria de Arte/G1

Informalidade gerou vagas

Segundo o IBGE, na comparação com o trimestre terminado em abril, mais de 1,4 milhão de brasileiros saíram da fila do desemprego, fazendo o número de empregados atingir 90,7 milhões de pessoas. Mas os postos de trabalho foram gerados, em sua maioria, na informalidade.

O aumento aconteceu, principalmente, entre os empregados sem carteira assinada (mais 468 mil pessoas) e os trabalhadores por conta própria (mais 351 mil pessoas). Já a população com carteira assinada manteve-se estável (33,3 milhões).

“Sem dúvida há uma recuperação [no mercado de trabalho], mas ela se dá sobre uma plataforma informal”, disse o coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Segundo ele, do total de 1,4 milhão de postos gerados, 2/3 se dividiram entre trabalhadores por conta própria e trabalhadores sem carteira assinada e 1/3 foi ocupado no setor público.

“A gente tem hoje no Brasil um processo de recuperação em termos quantitativos, mas a qualidade deste trabalho é questionável, já que ela se dá no mercado informal”, analisou.

A contratação no setor público, segundo o pesquisador, se deu no âmbito das prefeituras, principalmente nas áreas de educação, saúde e seguridade. Ele destacou que esse acréscimo não se deu por meio de concursos públicos. “Temos que lembrar que no ano passado teve eleições. O pessoal que saiu [com o fim da gestão anterior] voltou agora”, apontou.

Desemprego cai para 12,8% em julho e atinge 13,3 milhões, diz IBGE

Número de desocupados no trimestre terminado em julho. Foto: Editoria de Arte/G1

Comparação anual

Em relação ao trimestre terminado em julho de 2016, Azeredo destacou o aumento de 683 mil pessoas no contingente ocupado no setor de alojamento e alimentação. Segundo ele, esse incremento está diretamente relacionado às pessoas que passaram a vender comida. “Ainda que essa comida seja muitas vezes comercializada em esquina, a produção dela é em casa”, disse.

Ainda na comparação anual, a pesquisa aponta queda expressiva nos grupamentos de agricultura (-749 mil) e construção (-623 mil). “A gente sabe da safra recorde que ocorreu, mas vamos ter que esperar outros resultados da PNAD para entender o que aconteceu na agricultura. Já na construção, essa redução já vem acontecendo desde o início da crise, só que é um grupamento que depende de investimento. Ele depende que as pessoas se sintam seguras para investir. Por isso que se observa tantos canteiros de obras parados”, explicou o pesquisador.

De acordo Azeredo, foi a primeira vez desde outubro de 2015 que a população ocupada não caiu, ou seja, ficou estável na comparação anual. E a taxa continua sendo, para o trimestre terminado em julho, a maior da série.

Fonte: G1

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