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Associação Comercial de São Paulo cria conselho para fomentar inovação

Formado por representantes de diversos setores, o grupo tem como missão sugerir e construir políticas de inovação para a cidade de São Paulo a médio e longo prazo

04 de setembro de 2019 - 10:13

Seguindo a tradição da entidade de debater grandes temas que impactam na infraestrutura, economia, varejo, cidades, comércio e serviços, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) formalizou nesta terça-feira (3/9), a criação de mais um conselho, o Conin (Conselho de Inovação), coordenado por Alessandra Andrade, vice-presidente da ACSP.

Formado por representantes do setor empresarial, tecnológico, poder público, acadêmicos e investidores, o grupo tem como missão sugerir e construir políticas de inovação para a cidade de São Paulo a médio e longo prazo.

Nas palavras de Alessandra, o intuito de juntar diversos perfis em um mesmo conselho é o de dar sincronia a tantos projetos produzidos de maneira solo por investidores, poder público e agentes da inovação, e sustentabilidade e outras entidades.

Alessandra explica que a formação do novo conselho parte de duas provocações: Como é possível desenvolver o ecossistema de inovação em São Paulo através da atuação conjunta de figuras importantes desse cenário? E como levar essa inovação ao pequeno empreendedor?

“Teremos muitas discussões para embasar políticas públicas para a cidade de São Paulo e que pretendemos apresentar aos próximos candidatos a prefeitura. O momento é de discussão para que tudo isso tenha perenidade e não seja algo partidário”, diz.

Alessandra destaca que a cidade de São Paulo é um importante ambiente de negócios que ainda não está sendo aproveitado de forma coordenada e planejada. “A cidade pode ser muito mais relevante do que é”.

Inspirações

Membro do Conin, Claudia Zanchi Piunti*, ex-diretora global de suprimentos da Gerdau, participou da reunião e apontou que apesar de liderar o ranking do pilar de inovação na região, o Brasil permanece abaixo do seu potencial. A falta de integração entre os setores públicos e privados inibem essa performance, na opinião de Claudia.

“O Brasil está em 9º lugar no ranking regional e em 108º no geral, no pilar de dinamismo nos negócios. Promover a inclusão de mais negócios e ecossistemas de inovação o Brasil poderá capitalizar o potencial da inovação e estimular o crescimento da produtividade”, diz.

Neste contexto, iniciativas como o Cubo, espaço de empreendedorismo mantido pelo Itaú e pelo fundo Redpoint e Ventures; o FIEMG LAB, que aproxima as empresas da inovação das startups, ao passo que apresenta a estas as demandas e os recursos multiplicadores da indústria; e o Acate – Florianópolis (Associação Catarinense de Tecnologia) contribuem para o surgimento de novas oportunidades, segundo Claudia.

Como inspiração para a evolução deste cenário, Claudia cita Israel, um dos maiores polos de inovação do mundo – berço de empresas como o aplicativo de trânsito Waze – e que a cada ano se torna mais importante para o ecossistema de inovação do mundo.

Durante sua apresentação, Claudia apontou os motivos que criaram tamanha potência. Nas palavras de Claudia, a aproximação entre poder público, academia e iniciativa privada traz um pensamento de senso global importante para acelerar a criação de novos negócios.

A obrigatoriedade do serviço militar por três anos, por exemplo, coloca muitos jovens em contato com tecnologias de ponta. Por se tratar de um país pequeno e desértico com escassez de recursos naturais e cercado por inimigos, eles foram obrigados a avançar nessa área. Desenvolveram, por exemplo, sensores para detectar e interceptar mísseis e outros recursos de cibersegurança.

Fatores históricos também fizeram do país um local propício para o empreendedorismo. A população de Israel dobrou algumas vezes nas últimas décadas, um fenômeno ocasionado pela facilidade na imigração.

Desde 1948, o país absorveu cerca de três milhões de pessoas de mais de cem países. Portanto, seus 8,5 milhões de habitantes formam uma sociedade extremamente diversa.

“Não há estrelismo, nem competitividade. Há somente a mentalidade de fazer tudo acontecer com um senso muito global. Soluções são criadas para o mundo e não para uma necessidade específica – e é essa cultura que temos que absorver”, diz.

Fonte: Facesp

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