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CONFIANÇA

Analistas começam a prever reação mais rápida da economia

Confiança maior, estoque baixo na indústria e setor externo explicam revisões

10 de junho de 2016 às 12:25
Agência do Banco Itaú - Dado Galdieri / Agência O Globo

Agência do Banco Itaú – Dado Galdieri / Agência O Globo

RIO – Os bancos começam a ver uma recuperação mais rápida da economia brasileira, com recessão em 2016 menor que aquela até então estimada. Ontem, Itaú Unibanco e BNP Paribas divulgaram previsões melhores para o Produto Interno Bruto (PIB). A do Itaú Unibanco passou de queda de 4% para recuo de 3,5%, enquanto o BNP Paribas mudou de perda de 4% para 3%. Na semana passada, o Bradesco já tinha alterado a estimativa de recessão de 3,5% para 3%.

A surpresa positiva com o resultado do PIB no primeiro trimestre — cujo recuo frente ao quarto trimestre foi de 0,3%, abaixo das previsões de queda de 0,8% —, ao lado da melhora dos indicadores de confiança e do processo de redução de estoques da indústria ajudam a explicar as revisões. Alguns acreditam que a economia já volte a crescer no terceiro trimestre, mas o Itaú Unibanco, por exemplo, só vê este movimento em 2017.

— Para que esse crescimento seja sustentável, é preciso ter ganho de confiança, com a aprovação das medidas fiscais e um cenário de mais previsibilidade. E isso pode ajudar os investimentos — afirma o economista do Itaú Unibanco Felipe Salles.

‘GRANDE QUESTÃO É QUANDO SERÁ A VIRADA’

Ele diz que o setor externo deve puxar o início da recuperação, mas sozinho não bastaria “para tirar a economia da recessão”. Por isso, aponta a importância da retomada dos investimentos. Já o consumo das famílias ficará na retaguarda, diz Salles, a reboque da piora do mercado de trabalho, que deve continuar até 2017.

Para Igor Velecico, economista do Bradesco, porém, o consumo pode se estabilizar na medida em que a incerteza diminuir, mesmo que o desemprego continue aumentando por alguns trimestres. Segundo ele, o consumo em baixa reflete uma precaução em razão da incerteza e pode haver reação positiva do consumo no segundo semestre.

Em relatório assinado pelos economistas Marcelo Carvalho e Gustavo Arruda, o BNP Paribas diz que o país vive “o momento de virada”. Eles dizem que é difícil identificar esses momentos, porque os setores reagem em ritmos diferentes, mas que os indicadores de confiança de empresários e consumidores estão avançando. Na avaliação de Carvalho e Arruda, o padrão histórico da economia brasileira é de uma recuperação mais rápida do que o mercado espera e até do que a projeção do BNP Paribas (de alta de 2% em 2017). Considerando momentos passados, a alta seria de 4%.

Com uma projeção de recuo do PIB em 3,5% desde outubro, o chefe de economia e estratégia do Bank of America Merrill Lynch, David Beker, afirma que tem projeção “confortável” e não prevê mudanças.

— Não dá para escapar de uma recessão pesada em 2016. A grande questão é quando será a virada este ano, para saber qual será o impacto estatístico em 2017 — diz ele.

Para 2017, as projeções são de avanço de 1% (Itaú Unibanco), 1,5% (Bradesco) e 2% (BNP Paribas) e não foram alteradas.

Fonte: O Globo

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