
O empreendedorismo feminino tem avançado em Rondônia (RO), mas ainda convive com desafios estruturais. No estado, as mulheres representam cerca de 50% da população, mas apenas 25% são donas de negócios, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Ao mesmo tempo, iniciativas recentes mostram crescimento da participação feminina no mercado, como, plataformas digitais de comércio onde mais da metade dos empreendedores cadastrados são mulheres, evidenciando um movimento de expansão.
Nesse cenário, a presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais de Rondônia (Facer), Kelly Naahmara Rodrigues Jorge, representa a trajetória de mulheres que constroem espaço no ambiente empresarial a partir da persistência e da superação. “Comecei a trabalhar aos 15 anos de idade numa serraria, um grande desafio, aprender a cubicar madeira. Foi uma das coisas mais difíceis que eu fiz até hoje”, relata.
Se formou e tornou advogada aos 41 anos de idade, com tripla jornada diária ela sempre deu o seu melhor para aprender e conquistar espaço, enfrentou muitos desafios, mas acima de tudo, acreditava no seu potencial e em tudo que a movia.
Ao longo dos anos, Kelly acumulou experiências no mercado de trabalho, atuou em cargos de gestão e iniciou suas primeiras atividades empreendedoras de forma independente aos 26 anos, quando adquiriu seu próprio negócio. “Comprei uma gráfica e comecei a trabalhar, foi uma experiência fantástica e desafuadora. A gráfica tem mais de 21 anos de existência”, afirma Kelly.
A trajetória de Kelly também incluiu a busca por qualificação e novos caminhos profissionais. Para ela, o empreendedorismo feminino é marcado por desafios constantes, mas também por aprendizados que fortalecem a atuação das mulheres nos negócios. “O conselho que ela dá para as novas empreendedoras, é que, acreditem em vocês empreendedoras, não desistam e sigam mesmo que tenha muitos obstaculos”.
Entre os principais obstáculos, Kelly destaca a dificuldade de acesso a recursos financeiros, especialmente no início da atividade empresarial. “Muitas vezes, a empreendedora inicia com o básico e não tem acesso ao recurso financeiro necessário para desenvolver o seu trabalho”, conta a presidente da Facer.
Apesar disso, ela avalia que a disposição das mulheres para enfrentar desafios é um diferencial importante. “Se ela tiver o recurso financeiro para trabalhar, coragem com certeza não vai faltar para a mulher. E as oportunidades estão em diversos lugares e as mulheres cada vez mais preparadas para assumirem cargos e responsabilidades.
Mesmo com desigualdades ainda existentes, o cenário é considerado positivo, com crescimento gradual da participação feminina e maior visibilidade das conquistas no ambiente empresarial. “Hoje nós temos um cenário muito positivo e poderá estar melhor, porque a cada tempo mais conquistas virão”, afirma Kelly.
Para a presidente da Facer, o avanço do empreendedorismo feminino no estado de Rondônia reflete um movimento importante e crescente, a cada conquista se abrem novos caminhos e amplia oportunidades para outras mulheres.