
Foto: Isabele Mendes
Ana Cláudia Badra participa da mesa de debate sobre objetivos voltados ao fortalecimento da liderança, à formulação de políticas públicas e à ampliação da presença das mulheres nos espaços de decisão até 2030
Nesta quarta-feira (4), durante a quinta edição do Women Entrepreneur Fórum (WEForum), foram realizadas 12 mesas de debate, seis no período da manhã e seis à tarde, com um objetivo de transformar as 51 medidas definidas na edição anterior em 12 objetivos estratégicos, baseados nos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. A proposta é consolidar uma agenda mais enxuta, prática e direcionada, capaz de orientar políticas públicas e ações concretas voltadas ao fortalecimento do empreendedorismo feminino até 2030.
O movimento marca uma nova etapa na construção de uma agenda estruturada para ampliar a presença das mulheres nos espaços de decisão, reduzir desigualdades e fomentar um ambiente mais favorável ao crescimento de negócios liderados por mulheres. A dinâmica das mesas reuniu empreendedoras, especialistas e representantes do poder público para discutir, aprimorar e sintetizar as propostas anteriormente consolidadas.
Presidente do Conselho da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC) da CACB, Ana Claudia Badra avaliou os debates como decisivos para fortalecer o protagonismo feminino. “Foi sensacional esse debate, essas mesas falando sobre o protagonismo feminino, sobre a liderança da mulher. Realmente é isso, a mulher tem que ser líder e tem que saber ser líder”, afirmou.
Para ela, um dos pontos centrais discutidos foi a necessidade de enfrentar a violência contra a mulher e ampliar a presença feminina nos bastidores das decisões estratégicas. “A mulher tem que ter mais ousadia para estar presente até nos bastidores de decisões”, destacou. Ana Claudia também ressaltou o impacto pessoal e institucional da construção dessa agenda. “Para as mulheres empreendedoras, vai ser uma grande referência para que elas possam se fortalecer, melhorar o negócio, enxergar outras ações.”
A discussão sobre gênero e reconhecimento da capacidade feminina também esteve no centro dos debates. Diretora de Relações Institucionais da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Nara de Deus enfatizou que ainda há barreiras culturais a serem superadas. “A mulher hoje, ela ainda não tem o reconhecimento da capacidade dela de estar atuando não só como empreendedora, mas também assumindo postos importantes”, afirmou.
Segundo ela, as mesas permitiram avançar em propostas que podem dialogar diretamente com o poder público. “Nós tivemos também condições de debater o que isso pode trazer em políticas públicas, o que a gente pode comentar junto ao governo para uma parceria, de apoio a essas mulheres, tanto dentro de uma reforma tributária quanto ter um apoio fiscal.” Ela destacou ainda a importância de fortalecer o aspecto emocional das empreendedoras. “Nós somos capazes de chegar aonde queremos, só precisamos ter um apoio. O Movimente é uma grande oportunidade para descobrir talentos.”
Entre as mesas temáticas, a de segurança urbana, patrimonial e sucessão familiar com equidade de gênero trouxe à tona questões que impactam diretamente o ambiente de negócios. Mediadora do grupo, Marjorie Camila, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), chamou atenção para a necessidade de mudanças profundas no campo educacional. “A mudança na educação do machismo estrutural, do machismo cultural que acontece na nossa sociedade. É preciso trazer sistemas dentro das escolas para que de fato a gente consiga ter uma mudança cultural, na questão de sucessão, do empoderamento da mulher, os homens apoiarem, a sociedade estar apoiando e as próprias mulheres se apoiarem.”
A construção dos 12 objetivos contou ainda com o apoio técnico da área de empoderamento econômico da ONU Mulheres. Assistente de programas da entidade, Danielle Almeida explicou que o foco é tornar a agenda mais aplicável. “Hoje estava aqui apoiando um grupo de trabalho dedicado a transformar 51 medidas em 12 objetivos e assim chegar em uma lista pequena, palpável, de fácil aplicação para garantirmos que podemos realmente transformar o Distrito Federal, outros estados e o Brasil, eventualmente, num excelente lugar para as mulheres empreenderem.”
Segundo ela, a metodologia buscou integrar experiências práticas e formulação de políticas públicas. “Os grupos incluíam mulheres empreendedoras e representantes do poder público, de forma que a gente tentou realizar uma ponte entre esses dois lados do empreendedorismo.”
Apesar do avanço, o processo ainda não está concluído. O trabalho ainda é preliminar, e a intenção é que até o final do ano sejam definidos metas e indicadores para divulgação.