
Existe uma máxima que se tornou comum no Brasil: “Eu recebo assistencialismo porque tenho direito. É o governo que está me dando.”
Embora pareça justa, essa afirmação carrega um erro grave, com consequências econômicas, morais e sociais profundas. Afinal, não existe uma fábrica de dinheiro no fundo da casa do presidente da República, assim como não existe governo, de esquerda ou de direita, capaz de produzir riqueza do nada.
O dinheiro não nasce espontaneamente em Brasília. A riqueza do Brasil é fruto do trabalho, da produção e do esforço diário da sociedade. O governo não cria riqueza; ele apenas administra — bem ou mal — aquilo que a sociedade produz.
Vamos ao exemplo mais simples possível.
Imagine o mercadinho da esquina. Você compra arroz, feijão, óleo. O dono te conhece e diz: “Pode anotar no caderninho. No fim do mês você paga.”
O caderninho não é dinheiro. É apenas o registro da dívida. No fim do mês, você não pode chegar ao balcão com um papel escrito “vale comida”. O comerciante precisa de dinheiro, porque é com dinheiro que ele paga o fornecedor, o aluguel, a energia, os funcionários.
O dinheiro não se come. Não alimenta ninguém. Ele é apenas a referência de troca daquilo que alguém produziu.
O Estado funciona exatamente assim. Só que em escala nacional. Todo dinheiro usado em políticas públicas vem dos impostos pagos por todos nós. Está no pão, no gás, na luz, no remédio, no aluguel, no salário. Vem do trabalhador, do pequeno comerciante, do agricultor, do empreendedor, do informal que luta diariamente para sobreviver.
Quando alguém acredita que “o governo está dando”, comete mais do que um erro de interpretação; comete uma injustiça moral. Porque transforma a solidariedade social em algo invisível. Apaga o esforço de quem sustenta o sistema. Desestimula quem produz e cria a pior das inversões: faz parecer que o governante é o benfeitor e que quem produz é o vilão.
É assim que nasce a criminalização da classe produtiva. É assim que se destrói a autoestima de quem gera riqueza, emprego e imposto. É assim que o país passa a tratar quem trabalha como problema, e não como solução.
Receber ajuda quando se precisa não é errado. O erro está em negar a origem dessa ajuda, em esquecer quem paga essa conta, em confundir direito social com dinheiro sem dono.
A Campanha Nacional da Autoestima Cidadã Produtiva nasce exatamente para corrigir essa distorção. Ela não é contra políticas sociais; é contra a mentira de que o Estado é o criador da riqueza. Ela afirma uma verdade simples, mas incômoda: sem produção, não existe justiça social; sem trabalho, não existe dignidade coletiva; sem reconhecimento de quem sustenta o país, não existe futuro.
Valorizar quem produz não é elitismo; é honestidade, maturidade social. É gratidão.
Enquanto o Brasil não compreender isso, continuará preso a discursos fáceis, ilusões confortáveis e conflitos artificiais entre quem trabalha e quem precisa de ajuda, quando, na verdade, um depende do outro.
Essa é uma verdade inconveniente, mas necessária. Porque o Brasil só se sustenta de pé quando quem produz não é tratado como culpado, e quando quem recebe ajuda entende que aquilo não é favor do poder, mas fruto da solidariedade de toda a sociedade.
Mais do que conceitos, a Campanha Nacional da Autoestima Cidadã Produtiva é um chamado à lucidez: para quem recebe ajuda, para quem produz, para quem vota e para quem governa.
Ou o Brasil aprende a valorizar a produção como base da justiça social, ou continuará girando em círculos e distribuindo ilusões.
A escolha é coletiva. E o tempo para fingir que isso não é da nossa conta já acabou.