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Produção agroecológica muda a vida de famílias brasileiras

Tecnologia social aplicada na agricultura familiar incentiva a cultura de orgânicos e o empreendedorismo

06 de janeiro de 2016 - 12:58

Brasília – Desde 2004, as paisagens secas de regiões áridas do país vêm ganhando mais tons de verde e oferecendo qualidade de vida a seus habitantes. A mudança é proporcionada por uma tecnologia social chamada de Produção Agroecologia Integrada e Sustentável (PAIS), que incentiva a produção sem o uso de agrotóxicos, com técnicas que preservam a natureza e ainda garantem segurança alimentar e renda a milhares de famílias que antes dependiam de programas sociais para sobreviver.

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Fomentado pelo Sebrae, o sistema funciona a partir de três canteiros circulares, preparados para o cultivo de hortaliças. No meio, é implantado um galinheiro. O esterco das aves que vivem ali serve para enriquecer o solo das hortas e o uso das sobras dos plantios alimentam as aves. Já a irrigação é feita pelo sistema de gotejamento, o que economiza os recursos hídricos, já tão escassos em regiões áridas.

Em todo o país, são mais de 10 mil unidades implantadas. Mais do que alimentar suas famílias com o que é cultivado, esses pequenos produtores passam a enxergar a propriedade como um negócio. Dessa maneira, conquistam mais renda a partir da comercialização e são incentivados a criar parcerias para facilitar a venda e obter certificações que agregam valor aos produtos.

No município de Limoeiro, em Alagoas, a horta de Maria José Goes está repleta de coentro, salsa, cenoura, alface, pimenta, pimentão e macaxeira. Já o quintal tem pés de mamão, caju, e manga. Todos esses produtos, e os ovos recolhidos do galinheiro, são consumidos pela família e comercializados na propriedade, nas feiras de orgânicos dos municípios de Pão de Açúcar e de Belo Monte e também vendidos para a prefeitura, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Somente nas feiras, de janeiro a junho, a agricultora conseguiu quase R$ 5 mil. Já a merenda escolar dos municípios vizinhos consomem 80 quilos de mamão e 100 quilos de mandioca de seu quintal.

“Atualmente, ganho mais do que antes. Com o dinheiro, coloquei piso de cerâmica na minha casa e comprei mais um pedaço de terra, que divido com meus filhos. Eles também são contemplados com o PAIS”, afirma a agricultora de 62 anos.

Do outro lado do país, no município de Ribeirão Claro, no Paraná, a agricultora Marilda Baggio comemora a conquista não só dela, mas de todas as 18 famílias que implementaram o PAIS. “Tem gente que andava de fusquinha velho e que agora tem carro zero para carregar a produção. Também melhoraram a casa, o telefone, a televisão”, afirma ela, que conta com 13 círculos de produção.

Leia Mais: Agência Sebrae de Notícias

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