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Olimpíadas, do local ao global

Brasil poderá ser mobilizado a voltar a crescer a partir de suas cidades, que agora irão fazer parte do roteiro olímpico e ganhar publicidade antes, durante e após os Jogos

28 de março de 2016 - 14:37

Desde que ganhamos a realização das Olimpíadas, o Brasil mudou bastante. Cresceu, tornou-se a bola da vez e, da noite para o dia, desceu do pódio, apequenou-se. Neste momento, o país tem em seu seio grave crise política, enquanto lida com reflexos profundos e desastrosos, em todos os setores. Sua benesse é ver crescer a fé nas instituições democráticas, acompanhar a cidadania organizada cobrar o cumprimento de deveres e obrigações, participar na busca de uma solução para o Brasil não ficar parado.

A cidade anfitriã das Olimpíadas prova que, dentro desse triste teatro, um novo mundo está sendo instalado com base na melhoria do sistema de comunicações mundial. Esse é o momento em que o acesso imediato à informação dá origem a um fenômeno novo, que é a possibilidade da articulação direta do local com global, sem a necessária mediação nacional. Ou seja, o Brasil poderá sair melhor do que entrou, pois, a inserção do Rio no mundo crescentemente integrado faz-se segundo suas potencialidades e capacidade de competitividade, o que gera um processo de simultânea inclusão e exclusão. Isso significa que, em vez de homogeneização dos espaços econômicos nacionais, o processo de globalização pode aumentar as diferenças entre as regiões de um mesmo país. Ou seja, o Brasil poderá ser mobilizado a voltar a crescer a partir de suas cidades, que agora irão fazer parte do roteiro olímpico e ganhar publicidade antes, durante e após os Jogos.

Diante dessas características, as clássicas políticas regionais voltadas para a promoção do desenvolvimento das macrorregiões isoladas, tradicionalmente adotadas no Brasil, tornam-se superadas, reforçando a necessidade de uma política nacional, operacionalizada segundo diferentes escalas territoriais. Chegou o momento de fazer valer os valores brasileiros, sua cultura, sua extensão territorial, seu solo, suas águas, seus produtos e sua gente.

A realização das Olimpíadas traz para nosso país uma bandeira muito oportuna para exercitar esta proposta de transformação nacional debaixo para cima — a partir das cidades. Nelas é que se dará a mobilização. Serão 329 as cidades por onde a tocha olímpica irá passar. No Brasil, a grande dimensão geográfica e as desigualdades econômicas e sociais entre as regiões ampliam as dificuldades para lidar com problemas e novos desafios. A vida nas cidades traz a necessidade de se discutir e propor uma nova regionalização para o país.

Além de referência para as políticas regionais, a nova regionalização deve servir de base para uma atuação convergente dos vários entes federados e para sua articulação com as iniciativas mais amplas da sociedade. Somos um país vocacionado para ser exemplar em desenvolvimento sustentado.

A tradicional dificuldade para estruturar novas regionalizações tem se agravado com a crescente complexidade e fragmentação do espaço social e econômico, provocadas pela globalização, pela articulação em redes próximas e distantes e também pela polaridade e exclusão crescentes que aumentam as diferenças internas no território.

A regionalização, que visa principalmente criar regiões-programa para ações de planejamento e políticas públicas, há que continuar se apoiando no referencial teórico clássico, isto é, certo grau de homogeneidade geoeconômica e organização. A polarização, que acaba por definir uma região programa no contexto urbano-rural, sofre também redefinições com os processos globalizantes. De um lado, as redes e interações tendem a gerar oportunidades múltiplas, algumas competitivas, outras complementares. E aí é onde o Brasil poderá se transformar, pois — por coincidência — uma escolha política poderá ser feita a partir das eleições municipais. Ou seja, logo em seguida à realização das Olimpíadas, o Brasil poderá retomar seu desenvolvimento e compromisso político e econômico debaixo para cima.

Em escalas diferentes, exemplos poderiam ser dados nas microrregiões, associações de municípios, regiões metropolitanas, entre outras formas de organização regional. Com efeito, os espaços regionais são cada vez mais fluidos e se rearticulam com agilidade e segundo variáveis diversas, cujas afinidades políticas e culturais jogam um papel tão ou mais importante que a articulação econômica, visto que esta tem múltiplas dimensões e direções. O roteiro da tochaolímpica vai proporcionar uma nova visão da rede formada pelas cidades e seus efeitos poderão ser aproveitados para fortalecer o papel exportador de suas regiões. Estamos diante de uma oportunidade local-global e em um momento que pode ser construído longe do ambiente confuso que se instalou na política nacional.

Paulo Protasio é presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro

Fonte: O Globo

 

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