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Mercado vê impeachment menos provável, mas crê em saída de Dilma

06 de abril de 2016 - 12:27
Foto:  Evaristo Sá/AFP

Foto: Evaristo Sá/AFP

A probabilidade de saída antecipada da presidente Dilma Rousseff da Presidência via impeachment perdeu fôlego entre os investidores, consultores e analistas do mercado financeiro.

A ficha desse novo cenário vem caindo desde a semana passada, na esteira das negociações do governo com os demais partidos que compõem a base aliada (PP, PR, PSD e PTN) em troca de cargos que foram abertos com a saída do PMDB.

Nesta terça (5), a consultoria estrangeira Eurasia Group, que é fonte de análise de boa parte dos bancos e gestoras do país, reduziu a probabilidade de impeachment de um intervalo entre 60% e 70% para o piso da projeção: 60%.

Mas isso não significa que a aposta pela saída precoce de Dilma tenha virado. Tanto a Eurasia como outras casas preveem, como mais provável, a perda do cargo pela presidente.

O que entrou nas previsões é um misto de possibilidade de convocação de eleição com uma complicação –maior do que a prevista anteriormente– de impeachment.

“O mercado dava como certo o impeachment, mas o processo político para isso ainda não se concretou”, diz o cientista político Rafael Cortez, da consultoria Tendências, referindo-se a indefinições políticas e jurídicas.

A nomeação do ex-presidente Lula para a Casa Civil, que foi suspensa pelo STF (Supremo Tribunal Federal), poderia aumentar as chances de Dilma em permanecer no cargo e ajudá-la na votação contra o impedimento. A dúvida é se o STF vai analisar o caso antes do pleito, marcado para o fim da próxima semana.

Por outro lado, as delações do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e de outros empresários presos pela Lava Jato poderiam suscitar a abertura de um inquérito contra Dilma, por obstrução de Justiça e outros crimes, no STF, o que afetaria a sobrevivência de seu mandato.

As projeções do analista da Tendências são de 70% de afastamento da presidente, dos quais 40% por impeachment e 30% por nova eleição.

Na Eurasia, que vê 75% de probabilidade de saída precoce de Dilma, há 40% de chance de o vice Michel Temer chegar ao fim do mandato e 35% de haver nova eleição.

DIAS DECISIVOS

José Márcio Camargo, sócio da gestora Opus, vê probabilidade entre 70% e 80% para o impeachment. Para ele, os últimos dias antes da votação serão decisivos.

“No próximo fim de semana os políticos vão para as suas bases e sua decisão será influenciada pela pressão que receberem ali, tanto pelo lado político quanto pelo lado econômico [aumento do desemprego, por exemplo].”

Segundo Camargo, porém, a estratégia do governo para atrair os partidos menores parece estar surtindo resultado. “Não será tarefa fácil reunir os 343 votos necessários [para o afastamento de Dilma].”

Na opinião de Tiago Berriel, analista de macroeconomia da gestora Pacífico, os investidores estão se movendo de maneira receosa, para evitar grandes perdas em caso de um ou de outro cenário.

À ESPERA

“Os preços dos ativos são totalmente diferentes em caso de saída ou de permanência da presidente, o que leva a movimentos pequenos à espera de definições”, disse.

“Há muita incerteza, pois se trata de assuntos e de processos de que os investidores têm pouco conhecimento.”

Por isso, mesmo que o cenário de impeachment tenha se reduzido desde a última semana, o dólar não acelerou tanto, nem a Bolsa sofreu um revés mais forte.

Para Cortez, o dólar se movimenta (para cima) tentando captar essas novas tendências –convocação de eleições, impeachment mais dificultado–, porém ainda de maneira pouco organizada.

“Essas novas teses começam aparecer no mercado mas ainda não estão no preço”, disse, usando o jargão que significa estar dentro das expectativas dos investidores. “O que está ficando claro é que não há bala de prata para o impeachment.”

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