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Início da vacinação no Brasil traz alívio para aéreas, mas incertezas persistem

Ações das companhias começaram a semana em alta, mas a falta de um cronograma de imunização e as mudanças de hábitos da população ainda são fatores de risco, segundo analistas do mercado

19 de janeiro de 2021 - 10:16

Foto: Amanda Perobelli/Reuters

A aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do uso emergencial das vacinas Oxford/AstraZeneca e CoronaVac contra a covid-19 deu fôlego para as ações ligadas aos setores aéreos e de turismo na segunda-feira, 18, numa indicação de que o pior pode ter ficado para trás em dois dos segmentos mais afetados pelas restrições da pandemia.

Entre os papéis, destaque para a Azul, que fechou o dia com alta de 1,83%. Gol (1,02%) e CVC (1,56%) também ficaram acima do resultado do Ibovespa, que avançou 0,74%.

Analistas do setor ouvidos pelo Estadão/Brodascast destacam que a vacinação é o principal gatilho na recuperação das empresas em 2021, mas as incertezas sobre o cronograma de imunização e mudanças de hábitos da população brasileira ainda são fatores de risco. “A correlação entre o desempenho das aéreas e as vacinas é bem óbvia e ajuda a dissipar um pouco das dúvidas em torno das empresas, mas temos que manter a cautela”, explica Marcel Zambello, analista da Necton.

Ele lembra que a situação das aéreas foi bem menos pior que o esperado no início da pandemia, com as empresas conseguindo reduzir queima de caixa e renegociar dívidas para proteger sua liquidez, o que as ajudou, primeiro, a não quebrar e também a aumentar a demanda no segundo semestre. “Aquela quebradeira que todo mundo esperava que acontecesse não veio e os dados de tráfego acabaram vindo fortes.”

Para Pedro Serra, gerente da Ativa Investimentos, a decisão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de não liberar crédito fácil para as áreas acabou ajudando as empresas, porque elas tiveram que descobrir formas mais racionais de equalizar custos. “Isso acabou sendo uma boa sinalização para o mercado porque mostrou a boa execução das empresas em não depender de subsídios públicos, o que poderia mascarar deficiências nas aéreas.”

Os dois analistas concordam que a boa situação de caixa das empresas, com a Gol anunciando que gerou caixa líquido de R$ 6 milhões por dia em dezembro e a Azul tendo sua nota de crédito elevada após a S&P ver que a empresa tem liquidez pelos próximos 12 a 18 meses, e a recuperação ainda que parcial no tráfego ajudam a reduzir as pressões que a campanha de vacinação no Brasil terá em 2021. “Ainda não temos um cronograma realmente definido, o que prejudica uma avaliação de quando a normalidade retornará”, avalia Zambello.

“Talvez a gente feche 2021 com fluxo de voos abaixo de 2019, mas com certeza será melhor que 2020”, pondera Serra. “Provavelmente veremos vacinação de pessoas que não são grupo de risco só no terceiro ou quarto trimestres, mas o investidor está otimista que as aéreas vão conseguir recuperar seus números pré-pandemia.”

Um dos riscos para a tese de recuperação das aéreas, na visão de Zambello e Serra, é uma possível mudança nos hábitos dos brasileiros com a pandemia. Se antes da covid-19 o chamado turismo de negócios era comum, a digitalização do ambiente de trabalho pode trazer alguma incerteza. “A alta temporada não vai mudar, pessoas vão continuar viajando a turismo, mas é fora das grandes datas que as empresas puxam grande parte das suas receitas, então é algo para ficar de olho”, diz o analista da Necton.

“A saída da Avianca do mercado e a redução das operações da Latam podem acabar equalizando a oferta a um ponto em que uma queda na demanda com as mudanças de hábitos seja abatida”, comenta Serra, da Ativa Investimentos. Ele acredita que questões macroeconômicas, como a variação nos preços do petróleo, o dólar e a questão das proteções de dívidas, também podem afetar as empresas do setor em 2021.

Fonte: Estadão

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