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Inflação continua acelerando em janeiro de 2016, segundo o IBGE

Alencar Burti, presidente da ACSP, comenta os números

12 de fevereiro de 2016 - 18:44

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) – a medida oficial da inflação – apresentou alta de 1,27% em janeiro, ante 0,96% e 1,24% registrados em dezembro e no mesmo mês de 2015, respectivamente.

É a maior taxa mensal para janeiro desde 2003, surpreendendo a maioria dos analistas de mercado, que prognosticavam uma menor elevação de preços. A inflação foi assunto do “Temas em Análise” produzido pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV) para a primeira quinzena de janeiro.

Em termos anuais, levando-se em consideração a variação acumulada nos 12 meses terminado em janeiro o aumento de preços chegou a 10,71%, levemente superior ao resultado anual de 2015, que alcançou 10,67% (Tabela 1), afastando-se, portanto, ainda mais do limite máximo de tolerância da meta anual de inflação (6,5%), perseguida pelo Banco Central.

Presidente da ACSP comenta inflação oficial do país

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), comenta os números da inflação.

De acordo com ele, é importante que a inflação comece a cair nos próximos meses para aliviar o orçamento das famílias, estimulando o consumo.

“Os dados do IPCA indicam que a inflação está sendo muito afetada pelos alimentos – especialmente aqueles que predominam na feira – e pelo reajuste das tarifas de transportes. Espera-se que daqui para frente não haja mais elevações de tarifas e tributos para que a inflação possa recuar gradativamente nos próximos meses”, diz Burti.

Os “vilões” da alta do IPCA no primeiro mês do ano, que em forma conjunta contribuíram para 71% do resultado, foram os alimentos e bebidas, cujo aumento de preços correspondeu a 2,28%, com destaque para os “horti-fruti” (cenoura, tomate, cebola e batata), e o grupo transportes, com alta de 1,77%.

No primeiro caso, as causas foram a depreciação do Real, que encarece adubos e fertilizantes e eleva a oferta de produtos agropecuários para o exterior, além do clima chuvoso ou seco, dependendo da região considerada. No caso dos transportes, contribuíram a elevação das tarifas de ônibus, metrô e trens urbanos, somados com os aumentos de combustível e pedágios.

Também houve aceleração da inflação, de acordo com o Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI), divulgado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), que avançou para 1,53%, após subir 0,44% no mês anterior, intensificando a alta de preços em 12 meses, que passou de 10,7% em dezembro para 11,65% em janeiro.

A disparada do preço do dólar em janeiro, que ultrapassou a “barreira” dos R$ 4,00, devido a fatores internos e externos, gerou pressões sobre os custos das matérias primas, principalmente no caso das agrícolas (IPA AGRO), fazendo o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), principal componente do IGP-DI, acelerar em termos anuais entre dezembro e janeiro de 11,31% para 12,87%, respectivamente.

Em síntese, apesar de 2016 se iniciar com inflação ainda mais elevada do que a registrada no final do ano passado, a perspectiva é de desaceleração durante os próximos meses, principalmente devido à anunciada redução das tarifas elétricas, à expectativa de relativa acomodação do câmbio e à descompressão dos preços dos serviços, refletindo a queda no consumo provocada pelo cenário recessivo.

Fonte: ACSP

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