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ECONOMIA

Endividamento das famílias pode frear recuperação

Mas histórico de recessões do país mostra reação mais forte e rápida

4 de julho de 2016 às 11:36

Prédio em construção: empréstimo habitacional é uma das maiores causas de endividamento das famílias - Ana Branco

Prédio em construção: empréstimo habitacional é uma das maiores causas de endividamento das famílias – Foto: Ana Branco

RIO – Quando a economia vai melhorar? A resposta para essa angústia que vem afligindo os brasileiros não é unânime. Analistas, diante do momento único de dois anos seguidos de recessão forte, têm projeções dispersas que variam de estagnação no ano que vem até crescimento de 2% ou mais. Silvia Matos, da Fundação Getulio Varga (FGV), afirma que o aumento do endividamento das famílias nos últimos anos pode dificultar a retomada da economia. Em 2005, as dívidas representavam 18,42% da renda. Hoje, corresponde a 44,3%.

O empréstimo habitacional foi o principal responsável por esse avanço. Sem o crédito imobiliário, o percentual de endividamento cai para 25,07%. Puxado por financiamento de longo prazo e que compromete uma fatia maior da renda, essas dívidas podem frear a recuperação, ao contrário de crises anteriores, quando a reação veio rápida e forte. As dívidas comprometem a capacidade de investir de famílias e empresas.

— Houve expansão muito grande do crédito. É uma novidade na nossa economia. Na recessão, a retomada fica mais lenta. E o governo não poderá entrar para compensar, pois está tendo que se ajustar. Isso deve fazer a recessão ser mais prolongada.

MELHORA NA CONFIANÇA

Marcelo Carvalho, economista-chefe para América Latina do BNP Paribas, está mais otimista. Prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) vai crescer mais de 2% no ano que vem. Estudou o comportamento da atividade desde os anos 1980 e comparou as previsões do mercado com o desempenho real. Verificou a força de reação da economia brasileira e que as projeções subestimam os resultados reais tanto em períodos recessivos como nos de expansão. Aplicou essas comparações ao momento atual:

— Os números que surgem são muito mais fortes, entre 4% e 5% para o ano que vem.

Ele cita a melhora da confiança e da produção industrial para sustentar que a economia vai melhorar mais cedo e mais forte do que as previsões têm mostrado. Os indicadores de confiança da indústria, do comércio e do consumidor estão no maior nível desde meados de 2015. E a indústria não reduz a produção há três meses seguidos, algo que não acontecia desde 2012.

A visão predominante no mercado é cautelosa. Na média, os analistas acreditam que a economia vai crescer 1%, mesmo após mais de 7% de retração. Mercado de trabalho e inflação são os fatores que jogam para baixo o ânimo dos analistas. São mais de 11 milhões de desempregados e não parece que a economia vai gerar vagas tão cedo. A taxa de desemprego está em 11,2% e as estimativas para o segundo semestre chegam a 13% da força de trabalho desempregada. A inflação voltou a preocupar com os problemas climáticos fazendo feijão, banana e grãos subirem, o que pode adiar o corte na taxa de juros, hoje em 14,25% ao ano.

Portanto, o consumo das famílias, que responde por 63,4% do PIB, vai demorar a reagir. No primeiro trimestre, a queda desse setor frente ao fim do ano foi de 1,7%, mais intensa que a média do PIB, de 0,3%.

William Eid Júnior, professor da Fundação Getulio Vargas São Paulo, estudioso de economia do comportamento, acredita em recuperação mais lenta. O consumidor, depois de ter se endividado e estar enfrentando recessão, tende a ficar mais conservador. E a subida recente da inflação, que ultrapassou dois dígitos no ano passado, também inibe o consumo:

— Ele comprou uma geladeira há alguns anos atrás e o preço era bem menor. Como ele avalia o gasto tomando por base esse preço, pode se assustar ao ver que a geladeira hoje é bem mais cara do que quando comprou.

Leia mais n’O Globo

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