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Empresas brasileiras atraíram menos capital estrangeiro em 2018

Entrada de recursos para comprar ativos no Brasil foi a mais fraca dos últimos 4 anos; investidores aumentaram a cautela com a tensão comercial e incertezas no Brasil

25 de janeiro de 2019 - 10:17

O número de empresas brasileiras adquiridas por estrangeiros foi o menor dos últimos quatro anos em 2018, mostrou um relatório da Transactional Track Record (TTR) fornecido ao G1. Foram 288 operações no ano passado, contra 355 em 2017, uma retração de 18,8%.

“O número de transações deste tipo vem diminuindo desde 2015, com uma leve retomada em 2017, para depois fechar o ano passado com expressiva redução”, explica o diretor de inteligência e pesquisa da TTR, Wagner Marques Rodrigues.

O menor interesse pelo investimento produtivo no Brasil foi confirmado esta semana pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), em Davos. O Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil caiu 12% em 2018, de US$ 68 bilhões para US$ 59 bilhões em 2018. O fluxo global também diminuiu.

O IED mede o capital investido por estrangeiros em um país. Ele é considerado por economistas como o “bom investimento”, já que os recursos vão para o capital produtivo (construção de fábricas, infraestrutura, empréstimos e fusões e aquisições).

Americanos lideram aquisições no Brasil

Quase 40% dos investimentos externos no Brasil vieram de empresas norte-americanas, que estão na liderança das aquisições de negócios no Brasil desde 2010. Os franceses apareceram em seguida no estudo, com 10,4% das brasileiras que foram adquiridas, e o Reino Unido, com 7,6%.

Chinesa Didi Chuxing adquiriu a brasileira 99 no ano passado. Foto: Reuters/Kim Kyung-Hoon/Arquivo

De acordo com a TTR, o setor de tecnologia e internet continuou como o mais atrativo para os estrangeiros no Brasil, seguido do financeiro e de seguradoras.

O estudo considera fusões e aquisições, operações de private equity (fundos que injetam recursos em empresas) e venture capital (investimento em negócios em fase inicial). O relatório não leva em conta joint ventures (nova empresa formada a partir de duas).

Apesar do apetite menor dos estrangeiros, aquisições de peso chamaram atenção no setor de tecnologia.

A chinesa State Grid, maior empresa do setor elétrico do mundo, comprou o controle da CPFL Energia por R$ 14 bilhões. Outra chinesa, a Didi Chuxing, adquiriu o controle da brasileira 99 por quase R$ 1 bilhão. bA brasileira Movile, dona do iFood, recebeu aporte de US$ 500 milhões, o maior investimento já feito na empresa.

Dados do BC devem vir positivos

Apesar da queda do IED, o Banco Central deve divulgar números mais positivos sobre o ingresso de investimentos no Brasil em 2018. Isso porque a medição do órgão difere da Unctad, explica o pesquisador do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre/FGV), Lívio Ribeiro.

Além do investimento produtivo, o BC inclui na conta as operações intercompanhia – que são a troca de recursos entre a matriz de uma empresa e sua filial em outro país. Ela acontece, por exemplo, quando uma companhia envia dinheiro para sua subsidiária no Brasil.

“Olhando os dados do BC até novembro, parece que houve uma mudança na composição do investimento estrangeiro no Brasil em 2018, com menos recursos para o capital produtivo e mais operações intracompanhia”, diz.

Com isso, os analistas esperam que o BC divulgue um fluxo positivo de investimento direto no país. Os dados do fechado de 2018 ainda serão divulgados.

Segundo Ribeiro, o cálculo deve vir inflado, porque a importação das plataformas de petróleo foi incorporada na metodologia. “O investimento produtivo está superestimado por questões contábeis. Não fosse isso, ele viria ainda mais fraco”, diz.

Capital externo na defensiva

Para Ribeiro, do Ibre, um conjunto de fatores colaborou para enfraquecer o investimento produtivo no Brasil e no mundo em 2018.

“A mudança na legislação tributária dos Estados Unidos e o aumento das tensões no cenário global, como a guerra comercial com a China, deixaram os países mais defensivos no ano passado, especialmente no segundo semestre”, ressalta.

No Brasil, as incertezas políticas e econômicas que prevaleceram a partir de 2015, com o déficit nas contas públicas e o impeachment de Dilma Rousseff, foram determinantes para balizar as decisões de investimento no período, destacou Rodrigues, da TTR.

“O ano de 2017 foi marcado por duras propostas de reformas que prometeram colocar a economia de volta nos trilhos e 2018 foi marcado pela total incerteza sobre o futuro político do país”, observa o diretor da TTR.

A rígida regulamentação de alguns setores, que restringe a compra por estrangeiros, também é um limita a entrada de investimentos externos.

O ex-presidente Michel Temer autorizou, no final do ano passado, a injeção de até 100% de capital externo em companhias aéreas brasileiras. Até então, os estrangeiros só podiam adquirir, no máximo, 20% do capital da companhia.

Para 2019, a expectativa é que o ingresso de recursos no país seja de neutro para positivo, na visão do pesquisador do Ibre.

“Tem uma agenda positiva de reformas sinalizada pelo governo e voltada para investimentos, mas a questão é saber quando ela vai acontecer, qual o tamanho dos projetos e como estará o mercado internacional quando estes projetos saírem”, afirma Ribeiro.

Fonte: G1

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